10 Filmes Antropofágicos Nacionais

Por Fernando Boechat

Antropofagia: ato ou qualidade de se alimentar de outros homens (homens e mulheres, daquilo que é humano). O antropófago é um canibal, mas não necessariamente ele irá matar fisicamente e devorar o cadáver de sua “vítima”. Há um sentido estético que, ao menos no Brasil, remonta de forma mais ou menos programática a partir do Modernismo, tendo os nomes Oswald de Andrade e Mário de Andrade como seus principais representantes.

Esta prática que remete à ingestão também deve ser avaliada enquanto seu processo digestivo e excretor. Há nessa estética um cuidado óbvio com o regime alimentar. Um bom antropófago deve saber bem aquilo que vai devorar, seja para se fortalecer com o alimento ingerido, seja pela violência de se excretar de forma original aquilo que talvez não se tenha muito apreço em seu formato original.

Portanto, a antropofagia é uma estratégia política de se relacionar com o mundo, escolher aquilo que pretende se aproximar, ingerir, escolher também o que pretende se manter afastado, não ingerir. Pode ser encarado como um cuidado de si, mas tudo depende do antropófago, do que ele come e do estado de saúde de seu sistema digestivo. É também uma prática violenta que consiste em destruir o outro para se criar algo novo a partir de seu excremento.

O erotismo antropofágico também é evidente, uma posse violenta que deseja engolir o outro até que não sobre nada. Fazer pulsar em seu sangue as virtudes da pessoa amada após o banquete final.

Após esse resumo tacanho segue a lista de filmes acerca de uma antropofagia nacional.

 

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Filmes antropofágicos nacionais

Macunaíma (1969)
 Direção: Joaquim Pedro de Andrade

Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de preto, virou branco. Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos.

 

Estômago (2007)
 Direção: Marcos Jorge

Na vida, há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato descobriu um caminho à parte: ele cozinha. E é nas cozinhas, de um boteco de um restaurante italiano e de uma prisão, que Nonato vive sua intrigante história. Ele aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte. E eles sabem, mais do que ninguém, qual é a melhor. Uma fábula nada infantil sobre o poder, o sexo e a culinária.

 

Terra em Transe (1967)
 Direção: Glauber Rocha

Paulo é um jornalista que tenta mudar a situação ao planejar a ascensão de um canditato supostamente oposicionista chamado Vieira e buscando o apoio do maior empresário do país para deter o avanço de uma multinacional estrangeira sobre o capital do país. Tudo começou bem; porém, problemas sociais e a corrupção arruinaram sua intenção.

 

Pixadores (2014)

Direção: Amir Escandari

Os pixadores Djan, William, Ricardo e Biscoito moram em favelas de São Paulo e encontraram uma forma de militância e protesto junto as suas mensagens escritas nos muros. Usando a pixação como forma de se voltar contra a sociedade brasileira, eles têm a oportunidade de participar da Bienal de Berlim, mesmo tendo por anos criticado o mundo das artes. Ao voltarem para o Brasil, tudo fica diferente de antes.

 

Como Era Gostoso o Meu Francês (1971)

Direção: Nelson Pereira dos Santos

No Brasil de 1594, um aventureiro francês prisioneiro dos Tupinambás escapa da morte graças aos seus conhecimentos de artilharia. Segundo a cultura Tupinambás, é preciso devorar o inimigo para adquirir todos os seus poderes, no caso saber utilizar a pólvora e os canhões. Enquanto aguarda ser executado, o francês aprende os hábitos dos Tupinambás e se une a uma índia e através dela toma conhecimento de um tesouro enterrado e decide fugir. A índia se recusa a segui-lo e após a batalha com a tribo inimiga, o chefe Cunhambebe marca a data da execução: o ritual antropofágico será parte das comemorações pela vitória.

 

Meteorango Kid : O Herói Intergalático (1969)

Direção: André Luiz Oliveira

As aventuras de Lula, um estudante universitário, no dia de seu aniversário. De forma absolutamente despojada, anárquica e irreverente, mostra sem rodeios o perfil de um jovem desesperado, representante de uma geração oprimida pela ditadura militar e pela moral retrógrada de uma sociedade passiva e hipócrita. O anti-herói intergaláctico atravessa esse labirinto cotidiano através das suas fantasias e delírios libertários, deixando atrás de si um rastro de inconformismo e um convite à rebelião em todos os níveis.

 

O Vampiro da Cinemateca (1977)

Direção: Jairo Ferreira

Na cidade de São Paulo, entre 1975 e 1977, um jovem jornalista começa a elaborar o roteiro de um filme. Ele se isola entre quatro paredes e investe furiosamente contra os figurões da cultura de sua época. Sem conseguir criar um personagem, o jovem entra em crise. Porém, filmando cenas isoladas com amigos e examinando cenas de alguns filmes recolhidos diretamente das telas, ele descobre novas possibilidades de realização. E consegue finalmente inventar personagens: João Miraluar, um contestador que deixa o país num disco voador; Marshall MacGang, um mutante intergalaxial que veio semear a desordem na Terra; e Ligéia de Andrade, uma crioula bêbada que dá escândalos num botequim.

O Rei da Vela (1983)

Direção: José Celso Martinez Corrêa

O Rei da Vela” junta imagens alegóricas e trechos de filmes com a remontagem feita da peça em 1971. No longa, o ator Renato Borghi reproduz para a câmera sua interpretação de Abelardo 1º e José Wilker faz Abelardo 2º –a personagem representa a elite brasileira.
A montagem de “O Rei da Vela”, que marcou a reabertura do Oficina após ter sido incendiado em 1966, rodou o Brasil e marcou a carreira de Zé Celso e de Renato Borghi.

O Anjo Nasceu (1969)

Direção: Júlio Bressane

Dois bandidos saem pela cidade cometendo atos de violência. Santamaria, místico, acredita que assim está se aproximando de um anjo que lhe limpará a alma. Urtiga, um marginal ingênuo, segue os passos do amigo, acreditando também no anjo da salvação.

 

Aquarius (2016)
Direção: Kleber Mendonça Filho
Clara, 65 anos de idade, é uma escritora e crítica de música aposentada. Ela é viúva, mãe de três filhos adultos, e moradora de um apartamento repleto de livros e discos no Bairro de Boa Viagem, num edifício chamado Aquarius. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.
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