15 Filmes Pós-Nouvelle Vague Francesa

Por Fernando Boechat

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Discorrer sobre a pós nouvelle vague não é tratar sobre um movimento estético, mas sobre um momento posterior a um movimento. Sendo assim, não há muitos motivos para buscar alguma filiação estética nos filmes.

Essa lista é mais fruto de uma curiosidade sobre os rumos que o cinema francês toma nesse período que eu escolhi entre meados dos anos sessenta e setenta. Procedo aqui da ideia de que a NV já estava se dissolvendo em 1965, no ano seguinte já temos Godard em sua fase política; Chabrol já adotando um estilo de romance investigativo que não lembra certo existencialismo que marca seus primeiros filmes e fundam a NV.

A coisa não para por aí… o ambiente intelectual francês foi atravessado por muitas correntes teóricas que vieram a influenciar bastante o cinema, seja de forma mais explícita com diretores advindos da linha literária do Nouveau Roman francês (Marguerite-Duras, Alain Robbe-Grillet) ou da influência direta desse estilo literário, com Alain Resnais em termos de estruturação narrativa em Eu te amo, eu te amo, ou no roteiro de Hiroshima mon Amour. Há muitas outras influências, temos o estruturalismo, pós-estruturalismo, semiótica… a meu ver todas elas marcam em algum grau uma ruptura com o existencialismo humanista de Sartre e a reboque com a adesão (estética?) ao existencialismo enquanto movimento.

Claro é que nem todos os filmes do período se abrirão por completo a essas tendências, assim como no próprio período da nouvelle vague, essa era uma minoria em termos de realização de filmes em comparação a todo o universo cinematográfico francês. De todo modo você sequer precisa ser um intelectual para se alinhar a essas correntes de pensamento, de alguma forma as coisas ficam no ar e as pessoas a captam.

Resolvi priorizar então alguns critérios para essa lista:

1) filmes de diretores que pertenceram à NV, mas que realizam algo em um momento em que ela já foi dissolvida.

2) Os dois diretores mencionados acima, que fazem parte do Novo Romance francês.

3) O filme que eu acredito que seja o maior marco desse período, A mãe e a Puta.

4) filmes de diretores que iniciaram e vingaram sua carreira nesse período ( Philippe Garrel, Maurice Pialat, Chantal Akerman*)

*Apesar de Chantal Akerman ser belga, realizou muitos de seus filmes na França.

 

15 Filmes Pós-Nouvelle Vague Francesa

 

O Sopro do Coração (1971)

No final da primeira Guerra da Indochina, um adolescente adolescente de mente aberta encontra-se entre o desejo de descobrir o amor e o carinho sempre presente e dominante de sua mãe.

Direção: Louis Malle

 

O Garoto Selvagem (1970)

Baseado num fato verídico, um garoto é achado nu numa floresta na França no século XVIII, sem saber andar, falar ou entender, e é taxado como um retardado surdo-mudo e posto numa instituição. Porém, um doutor da época se interessa pelo garoto e resolve levá-lo para casa, na tentativa de educá-lo.

Direção: François Truffaut

 

Amor à Tarde (1972)

Embora tenha uma esposa adorável, um homem burguês ainda está tentado a perseguir outras mulheres.

Diretor: Éric Rohmer

 

A Mãe e a Puta (1973)

Paris ainda sofre com as seqüelas de Maio de 68 quando um jovem, que aparentemente mantém relacionamento aberto com a mulher com quem vive, se apaixona por uma enfermeira de sexo fácil. Estabelece-se um triangulo amoroso com a ideia de manter um relacionamento a três.

Direção: Jean Eustache

 

Céline e Julie Vão de Barco (1974)

Duas garotas se encontram por acaso e passam a viver juntas o tempo todo até descobrirem que suas vidas são antecipadas por um melodrama do século anterior que se desenrola diante de ambas em um processo que mescla alucinação e realidade paralela.

Direção: Jacques Rivette

 

Pele de Asno (1970)

Uma madrinha de fadas ajuda uma princesa a disfarçar-se para que ela não tenha que se casar com um homem que ela não ama.

Diretor: Jacques Demy

 

Um Homem, uma Mulher (1966)

Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant) é um piloto de corridas que engata um relacionamento com Anne Gauthier (Anouk Aimée), uma roteirista de cinema. Com um charme inconfundível, conhecemos seus relacionamentos familiares e profissionais de maneira divertida e tocante.

Direção: Claude Lelouch

 

A Chinesa (1967)

Um grupo de estudantes franceses se tranca em um apartamento durante as férias e, enquanto discutem sobre diferentes temas político-sociais, também planejam ações terroristas.

Direção: Jean-Luc Godard

 

Deslizamentos Progressivos do Prazer (1974)

Uma jovem é interrogada pela polícia e os juízes, suspeito de ser uma bruxa moderna. Aparentemente, a menina tem poderes para fazer todas as pessoas ao seu redor serem vítimas de seu feitiço, progressivamente em desejo, luxúria e do desconhecido.

Direção: Alain Robbe-Grillet

 

A Cicatriz interior (1972)

Homem anda sem rumo quando encontra uma mulher sentada em uma pedra. Em silêncio, ele a leva consigo em sua jornada. Ela pergunta “aonde estás me levando?”, não recebe resposta alguma, mas continua ao seu lado.

Direção: Philippe Garrel

 

Nós Não Envelheceremos Juntos (1972)

Um homem casado mantém uma intensa relação extraconjugal, porém, não decide nunca pelo divórcio. Eterno insatisfeito, ele torna impossível a vida com sua amante. E o sentimento entre os dois transforma-se numa lenta e dolorosa ruptura.

Direção: Maurice Pialat

 

Destruir, disse ela (1969)

Dois homens se encontram e conversam num hotel de campo. Um deles observa Elizabeth Alione, uma mulher que se recupera de um aborto. Quando Alissa chega, encontra Stein e iniciam uma relação adúltera. Elizabeth vive simultaneamente atração e pavor por Alissa, que quer levá-la à floresta, onde as convenções sociais estão suspensas. A loucura se infiltra nos diálogos, que passam a insinuar sentidos compreensíveis apenas aos personagens, mas inacessíveis ao espectador, criando uma atmosfera de angústia, em que a qualquer momento algo terrível pode acontecer.

Direção: Marguerite Duras

 

Eu te Amo, Eu te Amo (1968)

Após uma tentativa de suicídio, um homem é selecionado para participar de uma experiência de viagem no tempo que só havia sido testada em ratos. Um erro na experiência faz com que ele viva momentos do seu passado em ordem aleatória.

Direção: Alain Resnais

 

O Samurai (1967)

O matador Jeff Costello é um perfeccionista: ele sempre planeja com extremo cuidado todos os seus assassinatos para nunca ser pego. Uma noite, porém, ele finalmente é surpreendido por uma testemunha, e aos poucos, a partir daí, ele vai sendo cada vez mais pressionado.

Direção: Jean-Pierre Melville

 

Jeanne Dielman (1975)

Uma dona de casa viúva e solitária faz suas tarefas diárias, cuida seu apartamento onde ela mora com seu filho adolescente. No entanto, acontece algo que muda sua rotina segura.

Direção: Chantal Akerman

 

 

 

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