20 Filmes sobre a Ironia Romântica de Friedrich Schlegel

Por Philippe Leão

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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

“Pois esse é o começo de toda poesia, anular todos os movimentos e as leis da razão que pensa de modo sensato e nos transportar de novo para a bela confusão da fantasia, no caos original da natureza humana, para o qual eu não conheço nenhum símbolo mais bonito do que o redemoinho colorido dos antigos deuses”

Interpretações e críticas, Friedrich Schelegel

 

A filosofia do romantismo alemão buscava um rompimento com o que se dizia a ditadura da razão. Dessa forma, os românticos visam romper com a modernidade e a filosofia da razão trazida pelo renascimento e consolidada na racionalidade pura do Iluminismo.

Em termos narrativos, a racionalidade pura prejudicava os mistérios em sua constante tentativa de mensurar, de buscar uma explicação pratica e racional para os eventos. Os mistérios precisavam ser revelados, dava-se luz ao desconhecido e, então, a narrativa perdia sua força.

Voltando a citação do inicio deste texto, Schelegel diz estar na poesia a anulação das leis da razão, ou seja, racionaliza-la é perde-la. Na fantasia, no caos original da natureza humana está a verdade, e essa não pode ser mensurada, racionalizada.

“Todo pensamento é uma divinação, mas o homem está apenas começando a tornar consciente da sua força divinatória”

– Interpretações Críticas, Friedrich Schelegel

Por força divinatória Schelegel não quer dizer profetismo ou vidência, mas na descoberta da ironia romântica da qual foi “criador”. Não se trata, porém, da conhecida figura retórica com a qual se diz ou insinua algo enquanto se quer dizer outra coisa, talvez até o contrário, como quando algo muito ruim acontece e comenta-se: “belo presente”. Antes de Schelegel a ironia era considerada uma figura retórica colocada em algum lugar entre a zombaria e a sátira.

Havia também a ironia socrática. Naturalmente irônica era sua frase “Só sei que nada sei” , afinal como pode alguem saber que nada sabe? Sabemos que Sócrates sabia de muita coisa, principalmente, porém, que os outros sabem menos do que pensam saber. A ironia socrática procede então como se levasse a sério o suposto saber do outro e o envolve de tal modo em sua própria presunção que este teria, afinal, de reconhecer o seu próprio vazio, se o orgulho não proibisse de fazê-lo. Tal ironia sempre foi uma ferramenta do Iluminismo, que a todo instante buscava a verdade através da razão, o que, por definição, nunca finda, uma vez que a constante mudança do mundo requer o mensuramento eterno, o nunca saber.

Antes de Schlegel, então, a Ironia era tudo, menos desconhecida. O que o poeta fez dela não havia existido antes: Schlegel romantizou a ironia, isto é, descobriu na ironia comum uma série de usos desconhecidos. Descobriu o desconhecido no sabido, um mundo rico de significados surpreendentes. Dessa forma, a antiga figura ironica racional – que coloca certa afirmação numa outra perspectiva – é relativizada ou até desmentida pelo seu uso romântico, pelo desconhecido presente na natureza humana.

“O truque com o qual Schlegel transformou a ironia num veio de ouro consiste em ter colocado o finito como equivalente a um determinado enunciado, e para a perspectiva da relativização e negação, o infinito.

 – Romantismo: Uma questão alemã – Rudger Safranski

Se a razão busca a finitude, as possibilidades da natureza humana através do romântico são infinitas.

Todo enunciado determinado significa, diante da ultracomplexidade do mundo, uma redução de complexidade. A razão é capaz de reduzir a complexidade com a qual o caos se estabelece (se entende caos não como desordem).  Nenhum comunicado é verdadeiramente capaz de se fazer entender através da razão ou de forma alguma. As possibilidades são infinitas e o mundo um oceano de incompreensões. O homem tem um sentido infinito, impossível conhece-lo, fazê-lo seria “estragar a surpresa”, o segredo. Jamais chegará o fim da compreensão sobre algo ou alguém. Assim, ironia é produzir frases compreensíveis que, quando se olha bem, aludem ao incompreensível.

O incompreensível é, portanto, a força viva que seria ameaçada se a razão o desvendasse completamente. A ironia, protege o acesso racional. O não saber é uma exigência da vida.

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Filmes sobre a Ironia Romântica de Friedrich Schlegel

Ato Final

 

Ato Final

Direção: Jerzy Skolimowski
Ano: 1970
País: Reino Unido
Nome original: Deep End

Um rapaz de origem humilde e recém-formado no colegial não encontra boas colocações profissionais e arruma um emprego numa termas pública de um subúrbio de Londres. No trabalho, ele se apaixona perdidamente por uma colega de trabalho, uma mulher mais velha do que ele.

 

Fargo

 

Fargo

Direção: Irmãos Coen
Ano: 1996
País: E.U.A
Nome original: Fargo

Em 1987 em Fargo, no Dakota do Norte, o gerente (William H. Macy) de uma revendedora de automóveis, ao se ver em uma delicada situação financeira, elabora o seqüestro da própria esposa (Kristin Rudrüd) e faz um acordo com dois marginais, que ganhariam um carro novo e metade dos 80 mil dólares que seriam pagos pelo seu sogro, um homem muito rico. Mas uma série de acontecimentos não previstos cria logo de início um triplo assassinato e uma chefe de polícia grávida (Frances McDormand) tenta elucidar o caso, que continua provocando mais mortes.

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