12 Filmes Inspirados em Hannah Arendt e a Banalidade do Mal

Por Philippe Leão

Twitter: @Cineplotoficial
Instagram: @Cineplotoficial
Facebook: www.facebook.com/cineplot

É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

 

Filósofa judia, Hannah Arendr elaborará o conceito de Banalidade do Mal a partir do julgamento do burocrata nazista Adolf Eichmann em Jerusalem, o qual cobriu empiricamente.

Eichmann foi julgado sob juizo do recém formado Estado judeu de Israel sob leis que não as suas, ou seja, que nem mesmo poderiam ser considerados crimes em sua sociedade. Com o fim do Estado Nazista, sob a tutela de novas leis é condenado a morte por crimes retroativo, por acusações que não eram consideradas crimes em seu tempo e espaço.

Importante na fundamentação da filosofa, Eichmann era um burocrata, assinava papéis, cumpria ordens. Inevitavelmente, no ato de assinar papéis, Eichmann permitiu a morte de milhões de judeus e manteve em prática a ideologia Nazista. Contudo, seus atos não descumpriam as leis de seu país e o não cumprimeito de seus deveres enquanto burocrata acarretaria uma série de consequências.

É importante dizer que segundo a lei nada estava errado e esse sentimento é de contentamento geral, nacional. Contudo, o direito se da de maneira individual, a medida que não é possível culpar uma nação inteira (ideia de coletivo não se aplica no direito, não se julga uma quadrilha, mas seus membros). Assim, a culpa decai a alguns indivíduos.

Eichmann era a engrenagem de um sistema aniquilador. Se não ele, outros poderiam realizar os seu trabalho. Dentro da lei, emprego formal, qualquer alemão o faria.

Pensando nisso, Arendt conceitualiza três teorias capazes de, ao serem aplicadas, entender a banalidade do mal e, portanto, Eichmann.

– Teoria da peça da engrenagem

Eichmann fazia parte de uma máquina de matar, mas era uma peça. Se a peça não funciona, basta substituí-la. Então, pelo crime em que foi acusado, Eichmann não teria sido o executor, era apenas um dente da engrenagem. Caso não fizesse, seria condenado pelo sistema político vigente.

– Teoria da Culpa Coletiva

Hittler subiu ao poder coletivamente, com a vontade do povo. Onde todos são culpados, nenhum é julgado. O julgameto é individualizado para que, então, pudesse criar um culpado.

– Teoria da Consciência

Não era crime matar judeu no período Nazista. Até que ponto se pode julgar por algo que não era crime? Portanto, Eichmann era um palhaço do sistema, um homem comum, como qualquer, repetindo seu trabalho cotidianamente, que não tomava consciência de suas ações.

Arendt finaliza dizendo: “Qualquer um pode ser Eichmann”. Essa afirmação ganha casa na Banalidade. Algo que é banal não é normal (morte dos Judeus), mas torna-se. Matar Judeu era normal, banal. Como podemos todos sermos Eichmann?

Imagine a situação que ocorre no filme de Akira Kurosawa, Cão Danado. Um policial perde sua arma de trabalho e esta é a causa do assassinado de uma pessoa. Até que ponto o policial é culpado pela morte? Banalização do Mal. Outro caso, imagine-se comprando uma roupa de marca. Esta marca fabrica com exploração de trabalho chinês. Contudo, no sistema atual isso é comum. Seria você responsável pela exploração do trabalho na China ao financiar esta empresa?

Portanto, o processo de Banalização do Mal passa pela ideia de tornar comum o que não é normal, algo que moralmente estabelecido como mal.

Mas antes, já conferiu nosso canal no YouTube?

Filmes Inspirados em Hannah Arendt e a Banalidade do Mal

 

 

Cão Danado

Direção: Akira Kurosawa
País: Japão
Ano: 1949
Nome Original: Nora inu

Murukami, um jovem investigador de homicídios, é roubado em um ônibus e perde sua pistola. Ele começa uma busca insana atrás de sua preciosa arma, sem sucesso, até receber a ajuda de um sábio e mais experiente detetive chamado Sato. Só que as razões para tudo ficam mais sensíveis e dramáticas quando Murukami descobre que o ladrão só entrara para esse perigoso mundo do crime pelo desespero da necessidade humana. Clássico noir do mestre Akira Kurosawa, que redefiniu o padrão de filmes policiais japoneses.

 

Hannah Arendt

Direção: Margarethe Von Trotta
País: Alemanha
Ano: 2012
Nome Original: Hannah Arendt

Depois de acompanhar o julgamento do criminoso nazista Adolf Eichmann em Jerusalém, Hannah Arendt ousa escrever sobre o Holocausto como nunca havia sido feito antes. Seu trabalho provoca um escândalo imediato, e Arendt permanece firme enquanto é atacada por amigos e inimigos na mesma medida. Mas enquanto a imigrante judia-alemã luta para romper suas ligações dolorosas com o passado, a sedutora mistura entre arrogância e vulnerabilidade de sua personalidade é exposta, revelando uma mulher lapidada pelo exílio.

A Pequena Loja da Rua Principal

Direção: Elmar Klos; Ján Kadár
País: Tchecoslováquia
Ano: 1965
Nome Original: Obchod na korze

Um inepto camponês Tcheco divide-se entre a ganância e a culpa quando um chefe da base nazista de sua cidade o nomeia “Supervisor Ariano” de uma loja de botões de uma idosa viúva judia. Humor e tragédia fundem-se na sarcástica exploração da cordialidade de um homem comprometido com o horror do regime totalitário.

 

Continue na próxima página!

4 comentários em “12 Filmes Inspirados em Hannah Arendt e a Banalidade do Mal

  • 1 de maio de 2017 em 12:11
    Permalink

    A lista é ótima… para cinéfilos. Acho um pouco difícil esses filmes agradarem às novas gerações acostumadas com filmes mais movimentados. Haveria algum, na safra dos últimos anos, que se possa enquadrar aqui?

    Resposta
    • 1 de maio de 2017 em 23:44
      Permalink

      Olá Lair,
      Me desculpe, mas não posso responder sua pergunta. O objetivo do Cineplot é justamente apresentar o Cinema em seu aspecto artístico de maneira pedagógica para que, assim, mais pessoas possam se apropriar dessa arte. Então, o tipo de filme que busca não se enquadra em nossa visão justamente porque queremos que mais pessoas possam aderir a arte ao invés do que é fácil, prático e formulaico.

      Grande abraço!

      Resposta
      • 1 de maio de 2017 em 23:47
        Permalink

        Beleza. Eu leciono para adolescentes e a ampla maioria não está habituada com os filmes da lista. Como eu quero levar para a sala de aula a discussão sobre a Banalidade do Mal, surgiu essa minha preocupação. Obrigado.

        Resposta
        • 2 de maio de 2017 em 04:10
          Permalink

          Muito legal Lair!

          Eu também leciono (geografia) para adolescentes e insisto que você tente explorar o diferente com eles. Tenho projetos de cinema na escola e é muito importante que tentemos apresentar uma estética diferente, tira-los dá caixa.

          Recomendo que você assista aos filmes “Hannah Arendt” e “O Ato de Matar” e veja se é possível passar. Se não fosse a longa duração, “O julgamento de Nuremberg” seria ótimo.

          Outro que não está na lista é a sequência de “O Ato de Matar”, “O Peso do Silêncio” ou até mesma o filme “A Onda” que adolescentes costumam gostar bastante.

          O tema, contudo, é pesado nos filmes. Bom pra discutir no ensino médio.

          Grande abraço!

          Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *