12 Filmes sobre a Filosofia do Absurdo de Albert Camus

Por Philippe Leão

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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

 

Mais uma lista de filosofia aqui no Cineplot! Dessa vez retornamos ao Existencialismo, com Albert Camus. Confira também nossa lista de Kierkegaard:

A filosofia de Albert Camus vai em busca daquela que, segundo ele, é a questão fundamental da filosofia, o suicídio. Um julgamento crucial para a busca do sentido primordial da vida. Esta, a vida, vale ou não a pena ser vivida perante ao absurdo que a vida nos apresenta.

Assim Camus nos introduz a ideia do absurdo através do Mito de Sísifo. O que seria esse absurdo?

O absurdo está ligado a ideia do divórcio do homem com o seu palco, o mundo. Se, segundo Heidegger, somos seres lançados para a morte, o absurdo está justamente na busca pelo sentido da vida e a validade pela qual ela deve ser vivida. A ideia da morte nos angustia a medida que, no absurdo de nossa existência, realizamos trabalhos incessantemente repetitivos pelos quais não há qualquer sentido, trabalhos estes que duram uma infinidade de tempo, são longos, a medida que, ao mesmo passo, percebemos o quão intoleravelmente curta é a vida.

É possível, a partir desse momento, fazer a ligação desta filosofia com o Mito grego. No mito, Sísifo é castigado pelos Deuses a realizar um incessante e repetitivo trabalho por toda a eternidade. A figura mitológica deve rolar uma pedra até o topo de uma montanha e, ao final do dia, todo o seu trabalho não fará qualquer sentido a medida que pedra rolará montanha a baixo para que no dia seguinte tenha que ergue-la novamente. Os Deuses acreditavam que não há castigo mais severo do que o trabalho inútil e sem esperança. Dessa forma, já para os Deuses, não há nada mais torturante para os homens que o absurdo. Albert Camus propõe em sua filosofia um resgate de uma perspectiva trágica na condição humana a medida que a vida é um eterno retorno do absurdo.

Também nós, humanos, dedicamos uma vida a trabalhos sem sentido e, também, a busca deste sentido para que, ao final, sejamos esmagados pelo absurdo e pela morte. Portanto, em Camus, a vida em si é o absurdo.

A força do Mito usado por Camus resiste ainda hoje. O mito condiz com nossa própria condição absurda. Sísifo trabalha repetidamente, dia após dia, com a ideia inevitável da morte.

A posição de Camus está longe de ser pessimista. Apesar de sermos um ser lançados para a morte, de termos que cumprir trabalhos repetitivos e longos para uma vida curta e absurda, é preciso imaginar Sísifo feliz. Para isso a vida deve ser vivida pelo que ela é, sem que à esperança recorramos. Isso significa que antes de uma afirmação de amor à vida, é aos momentos, aos instantes que se deve estimar em detrimento ao que poderá vir a ser. Portanto, a filosofia do absurdo não está ligada a um pessimismo que leva a ausência de sentido à uma abdicação suicida.

A condição humana está, justamente, na aceitação do absurdo, revoltando-se constantemente contra este e afirmando sua liberdade perante a verdade única, a morte. É nesse momento que vemos Sísifo vencendo seu castigo e os Deuses. Ao cumprir o destino que lhe é imposto, Sísifo aceita sua condição no aqui e agora, revolta-se a todo instante e transcende.

Buscar entender Sísifo no momento em que está descendo o rochedo para buscar a pedra é o que busca a filosofia do absurdo de Camus. Impotente e revoltado, é em sua condição miserável que Sísifo pensa enquanto desce.  Em sua lucidez que, em uma condição de esperança o levariam a derrota, seu tormento, nas palavras de Camus: “A lucidez que devia produzir o seu tormento consome, com a mesma força sua vitória. Não existe destino que não se supere pelo desprezo”.

Enquanto desce o rochedo Sísifo toma consciência de sua condição absurda e, portanto, o momento de sua libertação. Ao nos desvincularmos de uma ideia não reflexiva de nossas ações nos tornamos autônomos. Sísifo vence a condenação divina ao momento que é capaz de pensar sobre o que ele está fazendo, sendo capaz de se revoltar perante ao absurdo.

Sua ideia, agora reflexiva, faz com que Camus imagine Sísifo chegando ao topo da montanha, deixando a rocha rolar e, enfim, recusa ter que repetir aquele trabalho. Nesse momento Sísifo se torna contemplativo e, portanto, artista, sendo capaz de inventar, criar seu próprio destino.

“A arte e nada mais que a arte! Ela é a grande possibilitadora da vida,
a grande aliciadora da vida, o grande estimulante da vida”.

  – Friedrich Nietzsche

 

Antes da lista, da uma conferida no nosso canal!!

 

Filmes sobre a Filosofia do Absurdo de Albert Camus 

O Gosto da Cereja

Direção: Abbas Kiarostami
País: Irã
Ano: 1997
Nome Original: Ta’m e Guilass

Acompanhamos o Sr. Badii, que viaja de carro pelos campos de Teerã. Ele está procurando um trabalhador, alguém que esteja disposto a ajudá-lo num plano que reflete toda a sua amargura e solidão.

A Liberdade é Azul

Direção: Krzysztof Kieslowski
País: França
Ano: 1993
Nome Original: Trois Couleurs: Bleu

Após um trágico acidente em que morrem o marido e a filha de uma famosa modelo (Juliette Binoche), ela decide por renunciar à sua própria vida. Após uma tentativa fracassada de suicício, ela volta a se interessar pela vida ao se envolver com uma obra inacabada de seu marido, que era um músico de fama internacional.

 Umberto D

Direção: Vittorio de Sica
País: Itália
Ano: 1952
Nome Original: Umberto D.

Na Itália do início dos anos 1950, enquanto a economia do país renasce, os idosos sofrem com as miseráveis pensões dadas pelo governo. Em Roma, Umberto Domenico Ferrari, um funcionário público aposentado, é despejado por não conseguir pagar o aluguel de seu quarto. Na companhia de seu único amigo, o cachorrinho Flik, Umberto vaga pelas ruas, buscando apenas um objetivo: viver com dignidade.

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