12 Filmes sobre a Filosofia de Zygmunt Bauman e a Modernidade Líquida

Por Philippe Leão

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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

Polonês radicado na Inglaterra, Zygmunt Bauman ficou muito conhecido por sua metáfora do mundo pós-moderno e sua liquidez. O autor diz que vivemos em uma modernidade líquida, mas o que quer dizer isso? A água, ao mudar de recipiente, modifica sua forma, mas mantendo a ideia que a classifica como água. Assim é o mundo pós-moderno para Bauman, em constante mudança as coisas tornam-se líquidas, não tem mais uma forma definida. Pois bem, mas para a existência de um mundo líquido haveria um mundo sólido? O pensador vai buscar em Marx a ideia da solidez do mundo moderno. A solidez está ligada a uma rigidez nos conceitos, a ideia da velocidade do mundo pós-moderno não é vista da mesma forma aqui, fazendo com que as mudanças sejam menos perceptíveis.

A transição do mundo moderno para o mundo líquido, então, vem do fracasso. As promessas modernas provindas de uma racionalidade exacerbada que se inicia no Renascimento e atinge seu ápice no século XIX com os incríveis avanços científicos e políticos provindos da Revolução Francesa e Industrial. Ao entrar no século XX, a ciência e essa ideia da Razão como o propósito da existência humana encontram seus dias de trevas. Apesar de iniciar o século XX com um otimismo incrível proporcionado pela Belle Époque, o voo alto da razão faz queimar suas asas, assim como ícaro, e implode duas grandes guerras que mataram mais de 60 milhões de pessoas no mundo. A ideia de que a razão e a ciência salvaria o mundo fracassa. A modernidade cria a guerra.

Como dito, comum a nossa racionalidade jogara culpa por esses grandes eventos em uma irracionalidade, herança iluminista que não nos deixa culpar aquilo que, segundo eles, seria nossa essência. Contudo, é justamente essa razão levada a níveis extremos que proporcionou as duas grandes guerra: A bomba atômica, a linha de produção do holocausto, tudo fruto da razão. Aliás, Bauman diz que o Holocausto é o ápice da modernidade.

O mundo pós-moderno nasce a partir do fracasso. Segundo Bauman as promessas utópicas teriam ruído: Socialismo utópico, Comunismo, Liberalismo. Todos eles historicamente haveriam fracassado em sua racionalidade, a modernidade líquida nasce do medo de um novo declínio.

Contudo, na chamada Modernidade Líquida há ainda a herança maldita da racionalidade, mantendo sua essência e assumindo as mais diferentes formas. Assim como antes ainda não assumimos os problemas da racionalidade exacerbada e, a todo instante, tentamos desviar sua culpabilidade. Não seria a fome, por exemplo, fruto da racionalidade de um sistema vigente que se pauta na produção de riquezas?

Assim, Bauman lança mais uma metáfora: A modernidade líquida faz com que os indivíduos estejam sempre correndo sobre um gelo fino. A ideia da velocidade é novamente posta em jogo. Corremos sobre o gelo fino sem saber o motivo pelo qual corremos (Mito de Sísifo), mas sabendo que se pararmos afundaremos, morreremos na existência pós-moderna. Em outras palavras, se não aderirmos à velocidade do mundo atual seremos engolidos por sua essência, deixados para trás. Corremos para onde?

Se, segundo Sartre, somos condenados a liberdade, somos também, no mundo pós-moderno, ao desejo. Como definição o desejo é sempre por algo que não se tem. Com o advento da velocidade incessante tornamo-nos mais consumidores que cidadãos, segundo Bauman, a medida que desejamos o que não temos. Portanto, cada vez mais, nossas escolhas estão ligadas ao consumo, não ao que já nos pertence. Instiga-se o consumo a partir do desejo de maneira não reflexiva. Ao tornar tudo objeto, ao coisificar o mundo (Conceito Heideggeriano que também criticava a racionalidade dessa ação), torna-se objeto de desejo e, por consequência, tudo se torna descartável, supérfluo, a medida que ao possuirmos a coisa que desejamos não a desejamos mais. O desejo está fora de si e, ao possuir, desejamos outra coisa, alimentando a velocidade do mundo.

Assim se constituem as relações no mundo fluido. A constituição de família, relações amorosas, e todas as coisas antes rígidas hoje são líquidas, pautada no desejo e no medo do fracasso, entregues a velocidade. Pense, por exemplo, na ideia do casamento. No mundo sólido era concebido como algo eterno, hoje é natural que acabe depois de alguns anos. A ideia de Família, portanto, mantém sua essência, mas mudou sua forma. Em tempos líquidos, nada é feito para durar!

Vamos a uma lista de filmes! Em breve Amor Líquido!

Mas antes, já viu nosso canal do Youtube?

Filmes sobre a Filosofia de Zygmunt Bauman e a Modernidade Líquida

Metamorfoses da Paisagem

Direção: Eric Rohmer
País: França
Ano: 1964
Nome Original: Les Métamorphoses du Paysage

O filme levanta questões complexas sobre o significado de paisagens modernas e as enigmáticas características de funcionalidades, tais como canais, torres e fábricas desertas. Rohmer também explora o papel da paisagem dentro de diferentes áreas, como a arte moderna e design, referindo-se a arquitetos, engenheiros e artistas.

Eles Vivem

Direção: John Capenter
País: EUA
Ano: 1988
Nome Original: They Live

John Nada (Roddy Piper) é um trabalhador braçal que chega a Los Angeles e encontra trabalho numa fábrica. Durante uma inusitada operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão Nada encontra óculos escuros aparentemente comuns, porém ao usá-los consegue enxergar horrendas criaturas alienígenas disfarçadas de seres humanos, bem como as mensagens subliminares que elas transmitem através da mídia em geral. Nada percebe que os invasores já estão controlando o planeta e, juntamente com seu companheiro de trabalho Frank (Keith David), decide se engajar no movimento de resistência, que é perseguido como subversivo pela polícia.

Blade Runner

Direção: Ridley Scott
País: EUA
Ano: 1982
Nome Original: Blade Runner

No início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.

Continue na próxima página!

5 comentários em “12 Filmes sobre a Filosofia de Zygmunt Bauman e a Modernidade Líquida

    • 14 de abril de 2017 em 19:34
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      Sim, excelente a robotização desse filme aplicada ao saber das vidas que são ceifadas a cada dia na correria insana do cotidiano dos grandes centros e metrópoles!

      Resposta
  • 12 de abril de 2017 em 19:52
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    Gostei muito!!!

    Resposta
  • 25 de abril de 2017 em 20:48
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    Maravilha!
    Só faltou na lista o filme O Cheiro do Ralo.

    Resposta

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