Crítica: Manchester a Beira Mar

Por Philippe Leão

 

Crítica: Manchester a Beira Mar

Direção: Kenneth Lonergan

País: Reino Unido

Ano: 2016

Elenco: Cassey Affleck; Kyle Chandler; Lucas Hedges; Michelle Williams; Amanda Blattner; Anna Baryshnikov; Gretchen Mol; Danae Nason; Kara Hayward; Matthew Broderick. Outros.

Dirigido por Kenneth Lonergan (Margaret), Manchester à Beira Mar é um dos favoritos na disputa por uma vaga entre os concorrentes a melhor filme no Oscar. De fato, é um filme que carrega a dramaticidade necessária característica da premiação, correndo por fora na disputa.

O filme conta a história de um encanador, Lee Chandler (Cassey Affleck), amargurado, a princípio, por algo que não sabemos o motivo. Seu comportamento é atípico, contido, mas com espasmos de agressividade. Em determinado momento o encanador se vê obrigado a abandonar sua vida pacata e voltar a sua cidade natal devido à morte de seu irmão. De maneira inesperada, porém, descobre que seu ente deixou em testamento a tutoria de Patrick (Lucas Hedges), seu sobrinho. Estabelecido o conflito, agora, Lee Chandler terá que entrar em contato com os fantasmas de seu passado que o atormentam em sua antiga cidade.

De fato, o longa britânico possui como ponto alto uma boa construção de personagem e direção de atores. O núcleo principal formado por Cassey Affleck – um dos favoritos a levar o Oscar – Lucas Hedges e Michelle Willians está muito bem. Cassey Affleck carrega uma atuação contida e misteriosa que intercala espasmos de agressividade. A expressão de Affleck está sempre apagada, mas os olhos carregam toda a dor que o personagem precisa demonstrar. Lucas Hedges faz o correto, um jovem que repentinamente cai na mão de um homem incontrolável, difícil, mas que também tem seus conflitos e o desejo de permanecer em sua cidade natal. Michelle Willians por sua vez interpreta uma personagem que transparece de maneira mais clara seus sentimentos. Há, como de costume nas atuações que as premiações norte americanas adoram, certo overacting que, contudo, intercala com bons momentos.

Há uma edição diferenciada no filme. Os planos, apesar de ligeiramente pacatos com movimentação reduzida, intercala com cortes inesperados que criam maior movimento ao filme. Está na montagem, também, outro ponto forte da película. O filme trabalha com diversos flashbacks – técnica das mais complicadas na composição temporal sem que seja um instrumento fácil de narração – que acontecem de maneira abrupta. Esta ruptura brusca na narrativa poderia causar confusão aos espectadores a não ser por elementos chave nestes momentos. Os flashbacks, na maioria das vezes, são acompanhados do irmão ainda vivo ou o Lee Chandler (Affleck) e Michelle Willians ainda juntos.

Se na montagem, um dos pilares do cinema, Manchester a beira mar acerta, na composição musical peca. Há uma carga dramática exageradamente imposta no filme, mesmo que não houvesse necessidade. Os acontecimentos expõem uma melancolia inquestionável, mas a indução a estes sentimentos através de uma trilha sonora carregada de ópera e música barroca transferem a sugestão dos sentimentos da imagem para a música.

Manchester a beira mar chega com força nas categorias de atuação e pode beliscar uma vaga em montagem, além de concorrer, também, a melhor filme. Contudo, o excesso de dramático provoca uma experiência que em alguns momentos pode ser tediosa.

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★★★☆☆ – Bom

 

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