Crítica: O que está por vir

Por Catarina Almeida

 

Direção: Mia Hansen-Love

País: França/Alemanha

Ano: 2016

Elenco Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob; Sarah Le Picard, Solal Forte.

Título Original: L’avenir

A força de mulheres em seu período de meia idade têm sido bastante retratada atualmente. Muitas das vezes se tornam obras premiadas e celebradas, como “45 Anos”, “Amor” e mais recentemente, “Aquarius”. O que há em comum nessas obras vêm principalmente do fato de serem histórias extremamente rotineiras, onde existe uma narrativa muito bem colocada e amarrada, além de trazer o percurso de liberdade pelo qual essas mulheres buscam e procuram.

“O que está por vir”, de Mia Hansen-Love, é mais um retrato de uma mulher que acaba buscando ocasionalmente sua liberdade tardia, interpretada por uma Isabelle Huppert completamente oposta a sua personagem em “Elle”, nos demonstrando novamente sua infinita capacidade de atuação. “O que está por vir” é um filme de direção. Hansen-Love trabalha uma direção muito bem colocada, à maneira que não nos diz muito, apesar de longos diálogos propostos no filme, toda a sua ação se apresenta no interno de Nathalie Chazeaux (Isabelle Huppert) e em seus cortes de montagem, muitas das vezes bruscos, mas minuciosamente pensados em relação aos movimentos de câmera, onde quase sempre acompanhamos a personagem em sua rotina. Há um perfeccionismo ocultando muitos momentos e evidenciando outros não tão relevantes, essa estética de direção e montagem tem sido muito bem utilizada em obras com a temática voltado ao “eu”, afinal, são momentos onde o olho vê mas nem sempre percebe.

Outro aspecto muito bem explorado é a relação da paleta de tons frios, onde ora é explorado de forma amena, principalmente nos momentos com o aluno Fabien, demonstrando uma certa tensão nesses momentos que em grande parte induzia um provável romance.  Aos poucos esta paleta é postq de lado com a volta dos tons mais frios, centralizando as questões pessoais de Nathalie.

Um sensível retrato de uma mulher de meia idade, “O que está por vir”, pode ser pensado como mais um filme realista, onde o foco é a força de uma mulher onde até então se sentia feliz com a sua vida, porém a possibilidade de ser livre à leva a um novo rumo pessoal.

★★★☆☆

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