12 Filmes sobre A História da Loucura de Foucault

Por Philippe Leão

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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

A loucura não é um fato biológico, mas um fato cultural. Por mais que muitos médicos – e a sociedade – tratem a loucura como algo remediável, passível de cura, se analisarmos historicamente, esse conceito desmorona.

Foucault tenta nos provar sua tese demonstrando como o conceito de loucura se modifica com o tempo, ou seja, em diferentes culturas, em especial a ocidental (onde Foucault concentra seus estudos). Toda a história da psiquiatria, porém, se revela falseada por uma ilusão a qual identifica a loucura como um fator já dado, na natureza humana. Em outras palavras, a loucura é um fator biológico. Foucault contesta:

“A loucura não é algo da natureza ou uma doença, mas um fato de cultura. A história da loucura, em suma, é a história da progressiva medicalização da loucura no pensamento ocidental”

– História da Loucura.

A medicação, a loucura tratada como doença é, portanto, o processo de aniquilação das diferenças.

Foucault irá apresentar sua tese em quatro momentos históricos:

No primeiro momento, temos a Idade Média. Nessa época, o louco era tratado como um visionário. Até mesmo ao pensar a história de Jesus Cristo (sabemos que não se trata da Idade Média), homem que diz ser filho de deus, foi tratado como um profeta. Hoje, seria um louco, produto do tempo. O mesmo acontece com o filme “O Incrível Exercito de Brancaleone”, onde há um homem visionário, missionário que conclama os homens a ir a terra santa e matar os muçulmanos. Hoje, este não seria um visionário.

No segundo momento, o Renascimento. Aqui, a loucura é tratada como um saber exotérico, ou seja, um saber fechado que expõe a loucura da época. Não mais o louco é tratado como um visionário, mas sim guiado por sua natureza íntima, pela paixão. Dom Quixote é exemplo claro.

No terceiro momento, Idade Clássica. Iniciada pela filosofia moderna de Descartes, aqui, a loucura é aquela que nos levaria ao erro, uma desrazão. O louco agora é o portador da não verdade, o homem sem a razão, como opostos. A filosofia para de escutar o louco. O louco passa a ser internado institucionalmente. “Nesse período, a loucura, antes sacralizada, é reduzida a um escândalo, um crime. Eram considerados loucos os mendigos, desocupados, homossexuais, vagabundos, devassos, bêbados e tudo que se desviava da “normalidade clássica”. Os loucos, então, são banidos da vida pública. Encarcerados e torturados em hospícios. Curiosamente, essas instituições serviam como entretenimento. Milhares de pessoas visitavam os hospícios para entreter-se com o louco, como um zoológico, o olhar ao diferente.
O quarto momento inicia-se no século XVIII. Aqui o louco já não era visto como um criminoso. O confinamento destes como uma barbárie, mas a loucura como uma doença individual. Cria-se o mito do “homem normal”, anterior à doença, estando o louco distante da normalidade. A partir desse momento, os loucos foram colocados sob cuidados médicos. Ao invés das controladoras correntes de ferro, remédios, tão opressivos quanto. Com a psicanalise o Louco agora pode falar, ao contrário do período anterior, mas é tratado como objeto de estudo, não como um ser coberto de razão. O louco continua a ser vigiado e confinado pela razão. Os médicos, serão a autoridade que atua sobre os loucos, ditam o Poder da razão em confinar a loucura. “a linguagem da psiquiatria, que é um monólogo da razão sobre a loucura, só pôde estabelecer-se sobre um tal silêncio.”. Apesar da falsa e proposital ideia de que o louco passa a falar ao psicanalista, o que vemos é a razão exercendo poder sobre a loucura, como se a tudo que o louco estivesse falando houvesse o julgamento da razão. Um julgamento moral. Superar a autoridade psiquiátrica seria superar a razão. Para Foucault, apenas alguns artistas conseguiram tal feito.
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Filmes sobre A História da Loucura de Foucault
 O Incrível Exercito de Brancaleone

O Incrível Exercito de Brancaleone

Direção: Mario Monicelli
País: Itália
Ano: 1966
Nome Original: L’armata Brancaleone

– Confira a crítica de O Incrível Exercito de Brancaleone – 

No ano 1.000 D.C., um bravo cavaleiro parte da França para tomar posse de suas terras. No caminho, ele é assaltado e assassinado por um bando de foras-da-lei que, de posse da escritura, decidem pegar por si o terreno. Para isso, eles precisam de alguém que finja ser o cavaleiro e acabam encontrando a pessoa perfeita no atrapalhado Brancaleone de Nórcia. Começa aí uma longa jornada, onde Brancaleone e seus homens enfrentam os mais diversos perigos.

 

A Paixão de Joana D’arc

A Paixão de Joana D'arc

Direção: Carl Theodor Dryer
País: Dinamarca
Ano: 1928
Nome Original: La Passion de Jeanne d’Arc

Versão muda da história de Joana D’Arc.

França, século XV, Joana de Domrémy, filha do povo, resiste bravamente a ocupação de seu país. É presa, humilhada, torturada e interrogada de maneira impiedosa por um tribunal eclesiástico, que a levou, involuntariamente, a blasfemar.
É colocada na fogueira e morre por Deus e pela França.

 

O Homem Elefante

O Homem Elefante

Direção: David Lynch
País: EUA
Ano: 1980
Nome Original: The Elephant Man

– Confira a crítica de O Homem Elefante –

A história de John Merrick, um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana que era portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, tendo 90% do seu corpo deformado. Esta situação tendia fazer com que ele passasse toda a sua existência se exibindo em circos de variedades como um monstro. Inicialmente era considerado um débil mental pela sua dificuldade de falar, até que um médico, Frederick Treves, o descobriu e o levou para um hospital. Lá Merrick se liberou emocionalmente e intelectualmente, além de se mostrar uma pessoa sensível ao extremo, que conseguiu recuperar sua dignidade.

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Um comentário em “12 Filmes sobre A História da Loucura de Foucault

  • 10 de dezembro de 2016 em 23:11
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    A loucura tem suas caracteristicas gerais mas também existem algumas modalidades peculiares e o autor “Foucault” nessas peculiaridades desviando o termo “Loucura” para “Excentricidade”
    Existem casos em que a genialidade mal administrada culmina na loucura, mas esse processo já vinha sendo desenvolvido por precedentes psicológicos, esperando apenas o momento oportuno para a fatal transição, após essa, a caracteristica anormal predomina, mas o componente intelectual continua latente, aquele do entorno que vislumbra esse componente e não reconhece as verdadeiras causas que levaram á loucura, cria seu próprio conceito.
    O ser humano, enquanto condicionado pelo seu próprio padrão, não pode superar a razão, mas tem meios para construir um canal paralelo ascendente

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