Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Por Philippe Leão

Direção: David Yates

País: EUA; Reino Unido

Elenco: Eddie Redmayne; Katherine Waterson; Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Jon Voight, Samantha Morton, Carmen Ejogo, Ron Pearlman

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403504Animais fantásticos e onde habitam marca, definitivamente, o retorno da saga mais importante do século XXI. Evidentemente, havia uma grande preocupação com a necessidade da existência de um spin off da história. Com os sucessivos fracassos da DC nos cinemas, a Warner carecia de um projeto lucrativo, depositando em novas aventuras do universo dos bruxos suas esperanças. Aí poderia residir o problema. Contudo, há um desprendimento muito claro da saga original, o novo filme e provavelmente os que estão por vir funcionam por si.

Em primeiro lugar é importante dizer que se trata de uma história de origem. O fato nos entrega certos maneirismos que provocam uma queda de ritmo aqui e ali. Outros momentos o chamado fan service enche o filme de cenas completamente desnecessárias para o desenvolvimento narrativo, mas vamos lá, não há de se esperar muito de um filme industrial com relação a esse tipo de situação. A nostalgia sempre vai ser um ponto crucial para cativar o público, uma estratégia fácil, até mesmo preguiçosa, mas funcional dentro de seus limites.

Utilizando de uma montagem paralela, a direção de David Yates constrói de maneira bastante competente um ambiente de conflito. Uma seita religiosa em fase embrionária proclama profeticamente seus anseios e desgostos aos bruxos. De outro lado a comunidade bruxa norte-americana busca, a todo instante, recluir-se, tornar-se invisível aos olhos dos chamados non-mag (os trouxas para os bruxos britânicos). Nesse espaço de conflito de classes surge Newt Scamander – vivido de maneira bastante caricata por Eddie Redmayne – um magizoologista que carrega em sua maleta os animais que catalogou pelo mundo. A fuga de alguns desses animais provoca alguns dos conflitos entre as classes anteriormente faladas. Os bruxos preocupam-se com a exposição, e os non-mag/seita anti-bruxo com o perigo que estes podem oferecer. O cenário é construído, e o vilão surge em razão destes conflitos.

Por assim dizer, a montagem narrativa dos acontecimentos é competente para desenvolver os movimentos, sendo capaz de impulsionar o conflito geral. Por outro lado, alguns conflitos individuais acabam tendo problemas cruciais no desenvolvimento da trama. Há, infelizmente, uma ausência de força nas motivações que provocam os conflitos de Porpentina Goldstein – muito bem interpretada por Katherine Waterson, com uma mistura de insegurança e potência nas ações – que esvaziam os sentidos do clímax (obviamente fico por aqui, sem spoilers)

As motivações do vilão, todavia, se estabelecem de maneira interessante, correta, deixando muitos caminhos em aberto para as sequências. De inicio, a apresentação do vilão se mostra menos unidimensional que Voldemort, da saga original.

O CGI é utilizado como manobra narrativa competente. Não há qualquer excesso de uso em cenas de batalha para impressionar o público pelo movimento de luz pela técnica provocada. Sempre pontual, há bastante, mas na hora certa. Por muitas vezes os efeitos concentram-se nos animais e seus movimentos.

A ambientação é, também, um dos pontos altos do filme que se passa em Nova York nos anos 20. Se a saga original começava em seus primeiros filmes com uma pegada de fantasia para só depois, acompanhando a idade de seus espectadores, ir escurecendo, ganhando contornos de sombras e ameaça, Animais Fantásticos e Onde Habitam não precisa, já começa obscuro. Não há necessidade de se construir o público que já está estabelecido. Assim, o figurino sóbrio de cores acinzentado e típico da época ajuda a construir este ambiente perturbador que, porém, guarda a fantasia.

Por fim, os problemas de conflito/motivação somados a apelação muitas vezes desnecessária do fan service – provocando muitas cenas deslocadas do contexto – provocam uma queda de ritmo e envolvimento narrativo. Contudo, definitivamente a primeira parte de Animais Fantásticos e Onde Habitam ambientaliza e insere os personagens de maneira competente. Muito mais que o primeiro filme desta nova saga, espero, graças a este, muito dos próximos.

★★★☆☆

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