Crítica: Doutor Estranho

Por Catarina Almeida

Direção: Scott Derrickson
Pais: USA
Ano: 2016
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Mads Mikkelsen

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doctor-strange-posterAtualmente se tornou comum na indústria cinematográfica a espera anual dos famosos filmes de super heróis retirado do mundo dos HQs. Desde os anos 60 essa popularidade dos filmes e seriados de super heróis já existia, mas foi principalmente com o surgimento do Superman em 1978 que essa industria se estabeleceu, a partir daí a tecnologia também avançava bastante, com os softwares para computadores e um maior domínio de criação dos efeitos especiais.

Doutor Estranho surge como uma cereja do bolo, se destacando dos outros arquétipos de filmes de super heróis musculosos, onde a força não rege a intenção das ações, e sim o místico, o mágico.

Scott Derrickson, diretor de O Exorcismo de Emily Rose, desenvolve uma direção bastante simbólica. Exemplo do mencionado, no início do filme, vemos diversos planos da mão de Strange enquanto se prepara para uma operação. A mão na realidade abre o filme, após a breve sequência de abertura de luta entre o Ancião e Kaecilius, dois personagens também muito bem caracterizados, tanto nos elementos físicos de suas vestimentas ocidentais realista. O fato resulta numa ambiência muito bem colocada através de figurino, além de contar com a atuação impecável de Tilda Swinton (Anciã), e seus traços hiper andrógenos ajudando a formar perfeitamente a caracterização de um ser elevado espiritualmente, ou seja, uma atriz muito bem escolhida para essa representação. Voltando ao simbolismo da mão, o diretor deixa bastante clara essa relação em imagens diversas das mãos de Strange, isso ocorre até o momento do acidente, onde temos um foco bastante presente novamente nas mãos do até então cirurgião.

A estória por si, já se deferencia do restante de filmes apresentados pela Marvel até então, mas além disso, a escolha do elenco muito influenciou para um outro nível de filmes de super herois, deixando de lado o starsystem mais populoso e incluindo um elenco que apesar de ser popular, não se enquadra ao que vem sendo apresentado, focando é claro no protagonista, com Benedict Cumberbatch. Numa atuação muito convincente, onde no primeiro momento existe um Strange arrogante, egocêntrico e sem carisma e aos poucos Benedict vai construindo um outro personagem, utilizando clichês de comédia mas que funcionam muito bem para uma nova observação do personagem, sua transformação de cirurgião arrogante, indo para aprendiz de mago que se enrola nos próprios feitiços, até chegar no que temos de Dr. Strange, é talvez a parte mais instigante do filme. Apesar de seguir o tempo inteiro a receita de bolo de Syd Field, essa transformação de personagem é feita de forma muito bem apresentada por Benedict.

Não podendo também deixar de lado nas infinitas referências de filmes como A Origem, Matrix, e outros em que abordam a realidade em outras dimensões, relacionando também com o sonho, Dr. Strange se diferencia também nesse aspecto em abordar o misticismo, indo para uma nova dimensão onde o tempo pode ser controlado e pausado, um lugar onde a força física pouco significa, deixando uma mensagem condutora de que tudo não se baseia unicamente da ciências, que as forças espirituais podem elevar o ser humano para o ponto em que ele quiser chegar.

Sua dimensão nos momentos em que existe a mudança do tempo real para o irreal dão uma força interessante para o trabalho em 3D do filme, porém esses grandes momentos de terceira dimensão são pontuadas em alguns momentos do filme, deixando o restante de tempo, o uso do óculos sem utilização. Para quem já gosta exclusivamente do efeito 3D casando com os efeitos especiais – que isso tem de sobra – garante se uma boa experiência nesse quesito.

Dr. Strange, chega para mostrar que filmes de super heróis podem conter atuações mais trabalhadas no desenvolvimento dos seus personagens, deixando de lado uma estética voltada para o mundo teen, e encarnando numa ficção com personagens mais humanos. Dr. Strange talvez seja o filme que mude a forma de se produzir filmes de super heróis.

★★★☆☆

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