12 Filmes sobre Paisagem e Poder

Por Philippe Leão

 

Muito além do que se pode ver, as paisagens carregam consigo símbolos políticos e sociais que podem desenvolver afeto ou fobia àquele que aprecia. Estes símbolos, muitas vezes, representam um projeto de poder de determinado grupo hegemônico que, nas paisagens, exprimem suas vontades como verdades absolutas para todos. Segundo o Geógrafo Denis Cosgrove:

Assim, o estudo da cultura está intimamente ligado ao estudo do poder. Um grupo dominante procurará impor sua própria experiência de mundo, suas próprias suposições tomadas como verdadeiras, como a objetiva e válida cultura para todas as pessoas. O poder é expresso e mantido na reprodução da cultura. Isto é melhor concretizado quando é menos visível, quando as suposições culturais do grupo dominante aparecem como, senso comum. Isto é às vezes é chamado de hegemonia cultural (COSGROVE, D. 1998: 104)

As formas, portanto, tem papel fundamental na modelação das ações humanas. Para o poder hegemônico isso se faz necessário uma vez que na reprodução de determinada cultura o poder é expresso e mantido. O grande predio em Metropolis demonstra toda força do Capital naquela cidade, assim como as máquinas do submundo determinam um quadriculamento individualizante de onde os trabalhadores não devem sair e de onde são melhores vigiados.

Confira alguns filmes que abordam a temática.

 

Metropolis

Metropolis

Direção: Fritz Lang
País: Alemanha
Ano: 1927
Nome Original: Metropolis

O ano é 2026, a população mundial se divide em duas classes: a elite dominante e a classe operaria; esta condenada desde a infância a habitar os subsolos, escravos das monstruosas máquinas que controlam a metrópolis. Quando o filho do criador de Metrópolis se apaixona por Maria, a líder dos operários, tem inicio a mais simbólica luta de classe já registrada pelo cinema.

 

Arquitetura da Destruição

Arquitetura da Destruição

Direção: Peter Cohen
País: Suécia
Ano: 1989
Nome Original: Undergångens arkitektur

Arquitetura da Destruição está consagrado internacionalmente como um dos melhores estudos já feitos sobre o nazismo no cinema.
O filme de Peter Cohen lembra que chamar a Hitler de artista medíocre não elimina os estragos provocados pela sua estratégia de conquista universal. O veio artístico do arquiteto da destruição tinha grandes pretensões e queria dar uma dimensão absoluta à sua megalomania.
Hitler queria ser o senhor do universo, sem descuidar de nenhum detalhe da coreografia que levava as massas à histeria coletiva a cada demonstração.
O nazismo tinha como um dos seus princípios fundamentais a missão de embelezar o mundo. Nem que, para tanto, destruísse todo o mundo.

 

Aquarius

Aquarius

Direção: Kleber Mendonça Filho
País: Brasil
Ano: 2016
Nome Original: Aquarius

Clara, 65 anos de idade, é uma escritora e crítica de música aposentada. Ela é viúva, mãe de três filhos adultos, e moradora de um apartamento repleto de livros e discos no Bairro de Boa Viagem, num edifício chamado Aquarius. Clara tem também o dom de viajar no tempo, um super poder que poucas pessoas no mundo são capazes de desenvolver.

 

A Última Gargalhada

a ultima gargalhada

Direção: F.W Murnau
País: Alemanha
Ano: 1924
Nome Original: Der Letzte Mann

O idoso porteiro do Atlantis, um elegante hotel de Berlim, sente orgulho do seu trabalho, que faz com dedicação, e se comporta como um general em seu resplandecente uniforme, sendo tratado com respeito pelos seus amigos e vizinhos. Entretanto, o novo gerente do hotel se mostra insensível quando o velho porteiro para um pouco para se recompor, após carregar uma pesada bagagem, e assim o gerente decide que o atual porteiro é velho demais para o cargo e o rebaixa para criado do banheiro masculino. Isto provoca um efeito desastroso no prestígio do homem e na sua auto-estima.

 

Triunfo da Vontade

O Triunfo da Vontade

Direção: Leni Riefenstahl
País: Alemanha
Ano: 1935
Nome Original: Triumph des Willens

O congresso Nacional-Socialista alemão de 1934 é documentado de maneira impressionante pela cineasta Leni Riefenstahl. No início, um bimotor desce dos céus, Adolf Hitler sai sorridente e é ovacionado pela multidão. Tudo é gigantesco: são paradas, desfiles monumentais e discursos para um público em total catarse. Um espetáculo cinematográfico hipnótico e terrificante que retrata, com imagens fortes, toda a pompa (e a barbárie) do regime nazista.

Saiba um pouco mais do cinema no Nazimo

 

Blade Runner

Blade Runner

 

Direção: Ridley Scott
País: EUA
Ano: 1982
Nome Original: Blade Runner

No início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.

 

Akira

Akira

Direção: Katsuhiro Otomo
País: Japão
Ano: 1988
Nome Original: Akira

Kaneda é um líder da gangue de motoqueiros, que tem um amigo próximo envolvido em um projeto governamental secreto chamado Akira. Para salvar seu amigo, Kaneda pede ajuda para vários grupos como: ativistas anti-governo, políticos gananciosos, cientistas irresponsáveis e poderosas forças militares. Durante o confronto, Tetsuo recebe uma força sobrenatural que resulta em conseqüências para o resto de sua vida.

 

Casa Grande

Casa Grande

Direção: Fellipe Gamarano Barbosa
País: Brasil
Ano: 2014
Nome Original: Casa Grande

Jean é um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Enquanto a casa cai, os empregados têm que enfrentar suas inevitáveis demissões, e Jean tem que confrontar as contradições da casa grande.

 

Baraka

BARAKA

Direção: Ron Fricke
País: EUA
Ano: 1992
Nome Original: Baraka

As câmeras nos mostram o mundo com ênfase não no “onde”, mas “o que está lá.”, a manhã, paisagens naturais, pessoas em oração, povos indígenas, aldeias inteiras dançando, destruição da natureza através de explosões e minas a céu aberto, pobreza, vida urbana, campos de concentração, valas comuns, ruínas antiga, piras funerárias e retorno à natureza. Numa busca para que cada quadro consiga capturar a grande pulsação da humanidade nas atividades diárias.

Filmado em 70mm colorido em 23 países: Argentina, Brasil, Camboja, China, Equador, Egito, França, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irã, Israel, Itália, Japão, Quênia, Kuweit, Nepal, Polônia, Arábia Saudita, Tanzânia, Tailândia, Turquia e EUA.

 

Outubro

Outubro

Direção: Sergei Eisenstein
País: URSS
Ano: 1928
Nome Original: Oktober

Em tom de documentário, acontecimentos em Petrogrado são encenados desde o fim da monarquia, em fevereiro de 1917, até o fim do governo provisório em novembro do mesmo ano. Lênin volta em abril. Em julho, os contra-revolucionários mandam prendê-lo. Em outubro, os Bolsheviks estão prontos para atacar: os dez dias que abalaram o mundo.

 

Laranja Mecânica

Laranja Mecânica

Direção: Stanley Kubrick
País: Reino Unido
Ano: 1971
Nome Original: A Clockwork Orange

Em uma desolada Inglaterra do futuro, a violência das gangues juvenis impera, provocando um clima de terror.

Alex (Malcolm McDowell) lidera uma das gangues e, após praticar vários crimes, é preso e submetido à reeducação pelo Estado, com base em uma técnica de reflexos condicionados.

Quando ele volta à sua vida em liberdade, é perseguido por aqueles que foram suas vítimas, Mr. Alexander (Patrick Magee) e sua esposa.

 

Olympia II – Vencedores Olímpicos

Olympia II

Direção: Leni Riefenstahl
País: Alemanhã
Ano: 1938
Nome Original: Olympia 2. Teil – Fest Der Schönheit

Leni Riefenstahl faz do seu documentário sobre os Jogos de Berlim uma celebração ao corpo humano, combinando a poesia de corpos em movimento com close-up de atletas no calor de competição. No volume 2, os destaques são Glen Morris, vecedor do Pentatlo e do Decatlo e o triunfal encerramento dos jogos.

 

 

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