Crítica: O Mestre dos Gênios

Por Catarina Almeida

Direção: Michael Grandage

País: Estados Unidos; Reino Unido

Ano: 2016

Elenco: Colin Firth, Jude Law, Nicole Kidman, Laura Linney

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O ser humano tem a questão afetiva da memória muito forte em suas veias, é uma natureza comum querer buscar, recordar, e se transportar para um momento previamente conhecido.  É nesse aspecto afetivo que entra a indústria dos filmes comerciais biográficos, podendo incluir também diretores aclamados, como Woody Allen com o seu utópico “Meia Noite em Paris”. Essa indústria talvez seja uma das mais rentáveis, por se tratar de um lugar confortável e habitado por pessoas que na maioria das vezes fizeram história e que atualmente são exemplos de admiração pelo seu legado enquanto vivos.

Hemingway, F. Scott Fitzgerald e Thomas Wolfe são figuras clássicas da literatura americana, mas diferentemente do esperado, não é sobre eles o foco no filme “O Mestre dos Gênios”, do diretor estreante e também ator, Michael Grandage. Como o título em português entrega, temos a história daquele que foi “responsável” pelo reconhecimento desses três escritores, o editor americano Maxwell Perkins, interpretado pelo inglês Colin Firth.

Apesar da estreia como diretor, Grandage desempenha uma direção muito segura, criando um filme biográfico clássico do início ao fim, isso o torna bastante apático, com personagens mal desenvolvidos e uma trama sem conflitos instigantes, deixando apenas a alternativa da história informativa, onde alguns elementos desconhecidos dos autores servem de forma quase que folhetinesca.

Mesmo com um elenco de atores consagrados como o já mencionado Colin Firth, Nicole Kidman, Laura Linney e Guy Pierce, talvez o único bem aproveitado em questões de desenvolvimento de personalidade e caráter seja Jude Law. Interpretando Tom Wolfe, curiosamente o único personagem repleto de questionamentos e transformações, resultando no único ponto forte do filme, levando o então protagonista, Max Perkins a um mero faz tudo, pondo Tom Wolfe como um autor egoísta, falso e iludido com a possibilidade de chegar a um estrelato repentino, passando por cima de todos aqueles que o ajudaram diretamente, mas chegando num final óbvio de repleto arrependimento. Não seria surpresa se vier daí uma nomeação ao Oscar para Jude Law, nesse arquétipo de personagem muito repetido nas nomeações da academia.

O Mestre dos Gênios” fica na margem dos filmes biográficos medianos que cumprem apenas seu papel, indicar e representar classicamente um personagem esquecido que de certa forma abriu portas de apresentação para ícones mundiais que nunca serão esquecidos.

★★★☆☆

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