Crítica: Voyage of Time

Por Philippe Torres

Direção: Terence Malick

EUA – 2016

Narração: Cate Blanchett

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voyage-of-timeTerrence Malick havia ficado muito tempo sem realizar um filme antes de Árvore da Vida. Após o fatídico filme, o diretor parece ter resgatado os holofotes – mesmo que não goste de aparecer muito – e passou a entrar em uma produtividade bastante regular. Nesta nova fase de sua carreira, o autor parece buscar em sua arte algum sentido na vida, no tempo, no amor. Foi assim também com Amor Pleno, Cavalheiro de Copas e, agora, Voyage of Time.

O documentário é uma celebração ao universo, em especial à Gaia, Terra. Malick tentará expor, então, seu tempo, do início ao colapso. Contudo, é um erro buscar na arte do diretor – em especial nesta última fase – algum teor científico. De fato, fazê-lo diminuiria a experiência do expectador à medida que a poesia aqui proposta transpassa qualquer método mensurador de conteúdo, a começar pelo tempo.

A cronologia de Voyage of Time não segue um padrão científico. Há uma certa linha que norteia os acontecimentos, mas as lacunas temporais – as lacunas em que não se apresentam fatos científicos “esquecidos” – não são importantes à medida que tal cronologia busca muito mais o estabelecimento de um movimento poético proporcionado por uma dialética das diferenças do que os fatos por si só.

Voyage of Time é uma ode à vida. Sobre a busca poética proporcionada pelas emoções do sentido da existência através de Gaia. As imagens muito bem fotografadas gritam sentido, enquanto a narração é silenciada por um moralismo, certas vezes, barato. Maneirismos de Malick com os quais devemos nos acostumar.

Tudo poderia quebrar a ritmo de um documentário de 90 minutos sobre a formação do universo de maneira poética. Contudo, como dito, o movimento é criado através do embate das diferenças. Do fogo surge, da água nasce e ao fogo retorna.

Lacunas, porém, parecem precisar ser preenchidas. Não as lacunas cronológicas de teor científico como acima descritas, mas da ligação de elementos poéticos que, por muito, perdem sentido na narração deslocada de palavras que indicam suas intenções. Joga-se às palavras a responsabilidade de unir os elementos poéticos.

Malick parece estar intrigado com a vida, Voyage of Time demonstra com todas as imagens tal vontade. O que se vê é um grande espetáculo imagético, prejudicado por questionamentos vazios de sentido e significado filosófico.

★★★☆☆

Cobertura do Festival do Rio 2016

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