Crítica: A Economia do Amor

Por Philippe Torres

Direção: Joachim Lafosse

Bélgica – 2016

Ttítulo original: Le Economie du Couple/ After Love

Elenco: Berenice Bejò; Cédric Kahn; Catherine Salée; Philippe Jeusette; Pascal Rogard; Marthe Keller; Margaux Soentjens; Jade Soentjens; Tibo Vanderborre.

A Economia do Amor

leconomie-du-couple-affiche-belgeA Economia do Amor, novo filme do diretor Belga Joachim Lafosse (Propriedade Privada), carrega na tradução de seu título em portugues-br uma curiosa ironia em relação ao seu conteúdo. Teorizada por Hazel Henderson, economista britânica, a Economia do Amor propõe, entre outras coisas, um relacionamento econômico pautado afeto. Hazel afirma, também, que economia deve considerar os trabalhos não monetizados para compor a estrutura.

O longa-metragem, contudo, conta uma história bastante peculiar. O argumento central não se fixa na aproximação de um casal, mas em sua separação. Marie (Berenice Bejó) é uma mulher de família rica e sempre teve certa facilidade financeira. Thierry (Cédric Kahn) é um arquiteto de família mais humilde e nunca conseguiu se estabelecer muito bem em um emprego. Ambos, depois de um casamento de dez anos, ainda vivem juntos. Thierry não tem para onde ir e ainda há uma briga com relação a divisão do apartamento. As brigas do casal contam sempre com a presensa de suas duas pequenas filhas, que sofrem com um ambiente nada agradável.

O ambiente é construído com uma crueza nada amorosa. A todo instante os conlitos podem estourar. Narrativamente isso acontece de maneira orgânica a medida que o diretor opta por não apresentar de inicio os motivos da separação. Os conflitos surgem aos poucos, sem qualquer estabelecimento prévio o espectador vai descobrindo os motivos do fracasso de uma relação que, porém, ainda guarda uma tensão amorosa.

A Economia do Amor não é muito bem o que se prega no casal em questão. Apesar de ainda sentirem-se atraídos, as problemáticas envolvem o capital. Pontualmente a escolha por ir apresentando os conflitos pouco a pouco demonstra ser uma escolha acertada que, porém, cria alguns momentos repetitivos. A todo instante parecemos estar vendo a mesma briga, provavelmente de maneira intencional para criar a sensação da inutilidade dos fatos gerados, mas narrativamente igual, o que prejudica um pouco o ritmo.

A atuação de Cédric Kahn é sólida, concisa, transmite um ar de segurança perante aos desejos de seu personagem e insatisfação em detrimento a sua subjulgação forçada promovida pelo poder capital de sua mulher. Contudo, Cédric, de certa forma, é apagado por Berenice Bejó, uma das grandes atrizes da atualidade. Com pequenos gestos e olhar naturalmente inundado de insegurança, a atriz transmite à sua personagem uma maior vulnerabilidade apesar de sua aparente força promovida pelo dinheiro.

A Economia do Amor não chega a ser um filme espetacular, mas consegue agradar públicos diferenciados por sua temática universal. Se não, vale por ver em cena, mais uma vez, Berenice Bejó.

★★★☆☆

Cobertura do Festival do Rio 2016

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