Crítica: Christine

Por Philippe Torres

Filme: Christine

Direção: Antônio Campos

EUA – 2016

Elenco: Rebecca Hall; Michael C. Hall; Jayson Warner Smith; John Cullum; John Newberg; J. Smith-Cameron; Kimberly Drummond; Kim Shaw; Maria Dizzia; Morgan Spector; Rachel Hendrix; Ritchie Montgomery; Susan Pourfar; Timothy Simons; Tracy Letts.

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christine_ver2Christine, dirigido por Antônio Campos, ganhou um grande lobby nos últimos meses provenientes de seu trailer e, em especial, seu argumento. Fato, como um filme independente o lobby é positivo a medida que levará um maior número de pessoas as salas de Cinema (assim como aconteceu com A Bruxa), mas o mesmo lobby ganha caráter negativo, no caso de Christine, pelo fracasso narrativo que nele está inserido.

O filme cresceu através da divulgação massiva de seu argumento e, principalmente, por ser uma história baseada em fatos reais. Christine (Rebecca Hall) é uma repórter televisiva de uma pequena emissora que, atormentada pela pressão do desejo de ser promovida e a busca por fazer algo diferente comete suicídio, ao vivo. Argumento apresentado, clímax divulgado.

O espectador sabe o que vai acontecer no final – o que, em certo ponto, me fez acreditar que o diretor poderia criar uma atmosfera à Psicose e matar sua personagem principal no meio do filme e desenvolver os acontecimentos consequentes – e, portanto, uma tensão deveria ser estabelecida até fatídico momento chegar. Se há uma tentativa de criação de tensão esta se mostra fracassada. Se Christine do nosso mundo tinha motivos relevantes para praticar a tentativa de suicídio, os conflitos narrados pelo diretor não parecem justificáveis à medida que não tem força para suportar o peso do ato final.

O primeiro e segundo ato se apresentam em um anti clímax total. Rebecca Hall não consegue transmitir os problemas da personagem narrada ao ponto de justificar sua atitude, espasmos de loucuras e berros provenientes de uma atuação marcada e cheia de maneirismos demonstram um esforço equivocado. Contudo, não há de se culpar a atriz por tal fracasso. Uma direção desvairada somada a uma montagem que não proporciona qualquer tensão não nos faz acreditar em qualquer agonia que Rebecca tente imprimir em Christine.

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A fotografia é irregular, variando de bons e maus momentos. A distribuição espacial dos personagens é aleatória, sem qualquer direção estética e não cria qualquer espaço negativo, técnica comum de criação de tensão narrativa nas imagens. Em outros momentos a fotografia faz o básico, o senso comum, em alguns planos frontais que provocam certo impacto narrativo.

Christine é mais um filme que o lobby poderá levar muita gente ao cinema, mas que sua qualidade narrativa não justifica o seu efeito midiático. O grande problema aqui presente é a ausência de tensão em um filme que clamava por tal.

★★☆☆☆

Cobertura do Festival do Rio 2016

 

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