12 Filmes inspirados em Nietzsche e o Eterno Retorno

Por Philippe Leão

 

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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

A doutrina do Eterno Retorno em Nietzsche é um processo seletivo. Um mecanismo de atribuição de valores dos instantes de vida que merecem ser vividos ou não. Para Nietzsche o julgamento da vida deve ser feito em vida, no instante em que o fato se apresenta. O pensamento está em oposição ao pragmatismo, ao dualismo. Em Platão, a vida boa está em algo fora da vida. No cristianismo, em Deus, também fora da vida terrena, do instante. Na maior parte da filosofia é assim e, no senso comum também o é.

Na pratica, o que é o Eterno Retorno?

O Eterno Retorno é o desejo de que instantes de vida se repitam infinitas vezes. Nietzsche nos faz a reflexão. Se determinado instante de nossas vidas se repetissem continuamente, ainda assim seriamos felizes? Ainda assim nos alegrariam? Se a resposta for sim, faça-o. A busca pelo retorno de um instante é a busca pela eternidade do mesmo.

Desejar o retorno de um instante para sempre? Ontem, hoje e amanhã? Por mais que o instante seja julgado como bom, isso seria angustiante a medida que há perda de vontade. Assim pensaria aquele que vive fora da vida como ela é. A resposta para tal é a seguinte: Viver o ontem ou o amanhã é viver uma vida que não existe. O passado e o futuro não pertencem à vida e portanto não se enquadram no Eterno Retorno. O que existe é apenas o presente, nossas vidas são uma sequencia de acontecimentos, de instantes presentes. A medida que já aconteceram são apenas memória, e a medida que imaginamos acontecimentos futuros são apenas projeções. A vida como ela é, é instantânea.

Ora, perguntaria o dualista, mas onde está o Eterno Retorno se não existe o futuro? Se amanhã não posso deseja-lo? O Eterno Retorno é desejar que o instante se repita para sempre no instante em que ele está sendo vivido. Amanhã meus desejos podem ser outros, e os instantes que antes tive podem não me alegrar o suficiente para que eu o deseje eternidade. Assim como amanhã meus instantes serão outros. Resumindo, o conceito se da na presença!

A presença do imperativo é constante nas filosofias dualistas. A vida boa reside no viver para Deus, diria o cristão, ou seja, fora daqui. A vida boa reside em amar ao próximo, em agir eticamente com o outro. A vida boa está na luta de classes, para Marx. No outro. Para Nietzsche o imperativo também se faz presente, mas reside em si e é hipotético. A vida boa se faz presente nas forças vitais, na vontade de potência dos indivíduos, os desejos.

A presença da consciência é presente no pensamento do alemão. O filosofo diz que é importante que você SAIBA o que deseja. Então, para que não se equivoque quanto aos seus desejos, é importante que conheça-os e enfrente as consequências. Sua alegria, mais uma vez, se faz no instante, em outro instante pode não mais te alegrar.

O pensamento do Eterno Retorno incomoda. Fato. A ideia de fazermos, agirmos de acordo com nossas vontades vai contra a moral, a democracia, o politicamente correto. Os costumes relacionados ao senso comum estão relacionados às alegrias fora do corpo, fora da vida.

Quase nunca se faz o que deseja. Nietzsche avisa que podemos viver uma vida de acordo com nossos desejos e por eles encontraremos problemas, quem queira nos dissuadir. Ou podemos assumir nossa inferioridade e viver uma vida fora da vida.

Não amar a vida como ela é significa ser remetido a uma temporalidade, uma vida que não a sua, no futuro, no passado.

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Filmes inspirados em Nietzsche e o Eterno Retorno

 

O Cavalo de Turim

O Cavalo de Turim

Direção: Bela Tarr
País: Hungria
Nome Original: A Torinói ló

Cavalo de Turim

Turim, 3 de Janeiro de 1889. O filósofo Friedrich Nietzsche sai de casa. Ali perto um camponês luta com a teimosia do seu cavalo, que se recusa a obedecer. O homem perde a paciência e começa a chicotear o animal. Nietzsche aproxima-se e tenta impedir a brutalidade dos golpes com o seu próprio corpo. Naquele momento perde os sentidos e é levado para casa onde permanece em silêncio por dois dias. A partir daquele trágico evento Nietzsche nunca mais recuperará a razão, ficando aos cuidados da sua mãe e irmãs até ao dia da sua morte, a 25 de Agosto de 1900. Partindo deste evento, o filme tenta recriar o percurso do camponês, da sua filha, do velho cavalo doente e a sua existência miserável.

 

Feitiço do Tempo

 

Feitiço do Tempo

Direção: Harold Ramis
País: EUA
Ano: 1993
Nome Original: Groundhog Day

Um repórter de televisão (Bill Murray) que faz previsões de metereologia vai à uma pequena cidade para fazer uma matéria especial sobre o inverno. Querendo ir embora o mais rapidamente possível, ele inexplicavelmente fica preso no tempo, sendo condenado a repetir sempre os eventos daquele dia.

 

Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera

 

Primavera, Verão, Outono ...

Direção: Kim Ki Duk
País: Coreia do Sul
Ano: 2001
Nome Original: Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom

Ninguém é indiferente ao poder das quatro estações e de seu ciclo anual de nascimento, crescimento e declínio. Nem mesmo os dois monges que compartilham a solidão, em um lago rodeado por montanhas. Assim como as estações, cada aspecto de suas vidas é introduzido com uma intensidade que conduz ambos a uma grande espiritualidade e a tragédia. Eles também estão impossibilitados de escapar da roda da vida, dos desejos, sofrimentos e paixões que cercam cada um de nós. Sobre os olhos atentos do velho monge vemos a experiência da perda da inocência do jovem monge, o despertar para o amor quando uma mulher entra em sua vida, o poder letal do ciúme e da obsessão, o preço do perdão, o esclarecimento das experiências. Assim como as estações vão continuar mudando até o final dos tempos, na indecisão entre o agora e o eterno, a solidão será sempre uma casa para o espírito.

Continue na próxima página!

2 comentários em “12 Filmes inspirados em Nietzsche e o Eterno Retorno

  • 17 de fevereiro de 2017 em 12:46
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    Adorei a matéria e indicação de filmes, verei todos com certeza. Ótimo blog.

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  • 13 de agosto de 2017 em 19:34
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    Muito boa a lista.
    Ando assistindo o dobro de filmes graças às suas matérias, e sou muito grato por isso.
    Dessa lista, o único filme que adicionaria é o excelente “Vidas secas”, de Nelson Pereira dos Santos. A forma como a família sempre volta para a miséria do sertão e sua vida de nômade, se relaciona completamente com a filosofia de Nietzsche.
    Um filme que acho que acrescentaria muito à lista. Abraços.

    Resposta

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