Crítica: Pessoas em Lugares

Por Philippe Torres

 

Pessoas em Lugares

Direção: Juan Cavestany

País: Espanha

Ano: 2013

Nome original: Gente en Sitios

 

Pessoas em Lugares

 

gente_en_sitios-318740366-largeDefinitivamente o nome dado ao filme faz jus a seu conteúdo. Nada mais que Pessoas em Lugares. A película traz, de forma aleatória, uma miscelânea de sentimentos da condição humana e estes transmitidos para uma representação debochada, de humor diferente e irreverente.

Conta vinte histórias curtas em uma crônica social surrealista, brincando com os sentimentos, o cotidiano, os medos e a cultura humana. “Um conto caleidoscópico”, como define o próprio diretor, Pessoas em Lugares é um Cinema extremamente experimental, mas curiosamente agradável. Em uma das passagens, exemplificando a loucura aqui representada, um homem volta a ensinar pessoas a andar, beber, dormir. Uma expressão do mundo, caminhando através da comédia, drama, da crônica social de horror e surrealismo. A miscelânea de sentimentos caminha de maneira anárquica a um único caminho: uma poesia intransigente e irônica sobre o inusitado presente na caótica condição humana.

A ousadia de Juan Cavestany está em sua escolha por uma câmera digital na mão. Ousado, pois não está aqui a trazer uma história que pretende apresentar uma representação do real, mesmo que estivesse tentando trazer um universo fantasioso ou ficcional. Aqui temos um mundo surreal onde os acontecimentos não estão conectados entre si. De fato as pessoas estão apenas em lugares e não estando em outros, passando, vivendo, sendo. Dessa forma, o diretor mistura uma câmera geralmente usada para aproximar a obra do real – a câmera digital entrega a imagem maior crueza aos acontecimentos – para apresentar o surreal. Brilhante. Funciona nesse modelo. A crueza nos entrega o surreal como algo que poderia acontecer naturalmente em nossas vidas.

É Justamente a arbitrariedade dos elementos que trazem o sentido a narrativa, a colagem (montagem) de dois elementos distintos e dispersos traz um elemento de estranheza ao espectador, o que por si só já seria um êxito, mas esse sentimento, sobretudo, guarda a grande virtude do longa: A Comédia, gênero dos mais difíceis.

Por fim, se a procura do por algo interessante no gênero mencionado tem sido algo quase desestimulante, o cinema Espanhol, junto a Juan Cavestany e todo o enorme elenco traz uma antologia coberta de acontecimentos intrigantemente divertidos e improváveis.

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