20 Filmes sobre a Filosofia do Romantismo Alemão

Por Philippe Leão
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Os filósofos e literários do movimento do Romantismo Alemão visam romper com a modernidade, ou seja, todo o pensamento instaurado e estabelecido neste período histórico – o Renascimento e a consolidação da racionalidade pura no Iluminismo. Com isso, o esclarecimento, o papel central da razão, serão questionados pelos Românticos, tirando o homem de sua zona de conforto. Com o Iluminismo e advento da razão, o homem se colocou em um pedestal, como seres fundamentais no universo, porém, ao contrário, os Românticos dirão que somos insignificantes, valorizando aspectos irracionais: os sonhos, as emoções e as vontades universais – superiores as dos homens, tirando a ideia de que nós podemos controlar as coisas através da razão, sendo nós o centro do universo. Desta forma, até mesmo o conceito de racionalidade pura trazida por filósofos pós iluministas pode ser contestada. Se o homem sofre, luta, chora e é receptáculo das mais diversas emoções, jamais a razão será plena. A razão é apenas uma ínfima parte do real que, segundo os românticos, é em sua maior parte irracional.
Sobre a razão, Schelling diria ser necessário encerrar “o ousado empreendimento da razão, tirando a humanidade dos pavores do mundo objetivo”. 
 

A crença na razão era tão forte na modernidade que, nas narrativas contadas neste período, se via o segredo apenas como um brilho fascinante, atrás do qual no final das contas um mecanismo racionalmente explicável se escondia – cá entre nós, o fato permanece até hoje, incomoda ao senso comum a não resolução dos mistérios, são inúmeros os filmes. Na geração romântica, todavia, o interesse pelo que é misterioso começa a ser maior do que pelo desencantador esclarecimento do mistério. Não revelar passa a ser mais interessante do que revelar e fadar a história ao esquecimento. Lembramos que o mistério torna eterna a narrativa.

Os românticos, em suas histórias, iam além. Não era necessário criar grandes eventos e fantasias para desenvolver seu mistério. Ao usual entregava-se um sentido elevado, ao conhecido a nobreza do desconhecido, eternizando suas histórias. Assim disse Novalis:
“Ao dar ao que é comum um sentido elevado, ao que é usual uma aparência misteriosa, ao conhecido a nobreza do desconhecido, ao que pode perecer a aparência do infinito, assim é que eu os romantizo”.
 
Surgem, a partir daí, histórias sobre sociedades secretas, teorias da conspiração, que agitam os públicos até os dias de hoje – vejamos como até hoje as hegemonias romantizam as narrativas apropriando-se do movimento, vestindo uma máscara romantica à racionalidade devastadora: vide o terrorismo. O que importa é, esses mistérios encantavam os leitores de romances, que explodiam em números nesse período.
Como não podia faltar, o movimento filosófico/literário caracteriza-se, também, pela presença constante da ironia como método retórico. Aquilo que era antes considerado como sabido, racionalmente inquestionável, passa a sofrer com o irônico. Descobriu-se o desconhecido no conhecido, destituindo de poder o racional.
Outras características presentes na literatura do movimento são: Egocentrismo, individualismo, sentimentalismo exacerbado, subjetivismo, idealização, nacionalismo e um apreço pela natureza e sua interação com o eu lírico.
Vamos a lista de filmes com temática romântica!
  • De Olhos Bem Fechados
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Direção: Stanley Kubrick
País: EUA; Reino Unido
O último e mais ousado filme de Stanley Kubrick são muitas coisas. É uma constrangedora jornada psicossexual. Uma assustadora alucinação. Um grande marco nas carreiras dos astros Tom Cruise e Nicole Kidman. É um “valoroso capítulo final para a carreira de um grande diretor” (Roger Ebert, do Jornal Chicago Sun-Times)Cruise interpreta o doutor William Harford, que é jogado numa aventura erótica que ameaça a seu casamento – e envolvendo-o em um misterioso caso de assassinato – depois que sua esposa (Kidman) admite ter desejos sexuais por outra pessoa. Como a história a caminha entre dúvidas e medo, auto-descobrimento e reconciliação, Kubrick conduz tudo isso com imagens surpreendentes. São características brilhantes que fazem de Kubrick um cineasta inigualável que, nesta obra, manterá todos os olhos bem abertos.
  • Rashomon
 Machiko Kyô Rashomon
Direção: Akira Kurosawa
País: Japão
O filme descreve um estupro e assassinato através dos relatos amplamente divergentes de quatro testemunhas, incluindo o próprio criminoso e, através de um médium (Fumiko Honma), a própria vítima. A história se desvela em flashbacks conforme os quatro personagens — o próprio bandido (Toshiro Mifune), o samurai assassinado Kanazawa-no-Takehiro (Masayuki Mori), sua esposa Masago (Machiko Kyō) e o lenhador sem nome (Takashi Shimura) — recontam os eventos de uma tarde em um bosque. Mas é também um flashback dentro de um flashback, porque os relatos das testemunhas são recontados por um lenhador e um sacerdote (Minoru Chiaki) para um grosseiro plebeu (Kichijiro Ueda) enquanto eles esperam por uma tempestade em uma portaria arruinada.
  • Fausto
Fausto
 
Direção: F.W Murnau
País: Alemanha
Baseado na famosa peça de Goethe, temos Fausto, um velho alquimista que vê sua cidade ser assolada pela peste negra. Vendo tanta morte, começa a pensar sobre sua própria finitude. Ele então evoca Mefistofeles, e lhe pede sua juventude de volta e eterna. O demônio a garante, em troca da alma de Fausto. Tudo parecia perfeito, até este se apaixonar por uma jovem italiana. Marco absoluto no cinema alemão, é o último filme de Murnau no país.
  • As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant
 As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant
Direção: Rainer Werder Fassbinder
País: Alemanha
Adaptado da peça homônima do próprio Fassbinder, Petra von Kant é uma estilista de sucesso extremamente arrogante e egocêntrica, que tem como única pessoa próxima sua secretária. Num dia, ela se apaixona por uma jovem aspirante à modelo chamada Karin, que vai morar em sua casa e usá-la até não precisar mais.
  • A Rosa Púrpura do Cairo
 A Rosa Púrpura do Cairo
Direção: Woody Allen
País: EUA
Em área pobre de Nova Jersey, durante a Depressão, uma garçonete (Mia Farrow) que sustenta o marido bêbado e desempregado, que só sabe ser violento e grosseiro, foge da sua triste realidade assistindo filmes. Mas ao ver pela quinta vez “A Rosa Púrpura do Cairo” acontece o impossível! Quando o herói da fita sai da tela para declarar seu amor por ela, isto provoca um tumulto nos outros atores do filme e logo o ator que encarna o herói viaja para lá, tentando contornar a situação. Assim, ela se divide entre o ator e o personagem.
  • A Última Gargalhada
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Direção:  F.W Murnau
País: Alemanha
O idoso porteiro do Atlantis, um elegante hotel de Berlim, sente orgulho do seu trabalho, que faz com dedicação, e se comporta como um general em seu resplandecente uniforme, sendo tratado com respeito pelos seus amigos e vizinhos. Entretanto, o novo gerente do hotel se mostra insensível quando o velho porteiro para um pouco para se recompor, após carregar uma pesada bagagem, e assim o gerente decide que o atual porteiro é velho demais para o cargo e o rebaixa para criado do banheiro masculino. Isto provoca um efeito desastroso no prestígio do homem e na sua auto-estima.
  • Através de um Espelho
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Direção: Ingmar Bergman
País: Suécia
Harriet Andersson é a frágil Karin que, afetada por crises de loucura, entra em conflito com seus familiares durante as férias de verão numa ilha distante. Um drama psicológico intenso em que Bergman disseca o processo de degradação de uma família.
  • Onibaba
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Direção: Kaneto Shindo
País: Japão
Século 14, Japão. Esperando o filho que está na guerra, uma mulher e sua nora sobrevivem em uma aldeia através de tocaias que armam para alguns soldados, matando-os e vendendo seus pertences. Com a morte do filho, a mãe põe em prática um plano diabólico para manter a companhia de sua nora.
  • A Última Noite de Boris Grushenko 
 A Última Noite de Boris Grushenko
Direção: Woody Allen

País: EUA

Um russo (Woody Allen), na véspera de ser executado pelo franceses por um assassinato que não cometeu, recorda toda a sua vida desde criança até ser forçado a se alistar e defender seu país da invasão napoleonica, que ironicamente lhe propiciou condecorações quando se tornou acidentalmente um herói. No entanto sua situação se complica, pois se casa com a mulher que sempre amou, mas esta planeja matar Napoleão.

 

  • A Aventura

A Aventura

Direção: Michelangelo Antonioni
Trilogia da Incomunicabilidade
Um grupo de ricos italianos sai numa viagem de iate para uma ilha vulcânica deserta no Mediterrâneo, onde um dos passageiros, Anna, se perde dos demais. O namorado dela, Sandro, e uma amiga, Claudia, saem, sem sucesso, à procura de Anna e, durante a busca, acabam se apaixonando.
  • O Sétimo Selo

O Setimo Selo

 
Direção: Ingmar Bergman

País: SuéciaApós dez anos, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.

  • 2001: Uma Odisseia no Espaço

 

2001 
Direção: Stanley Kubrick
2001

País: Reino UnidoDesde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000.

 

  • Era uma Vez em Tóquio
Era uma Vez em Toquio 
Direção: Yasujiro Ozu

País: JapãoCasal de idosos viaja a Tóquio, onde pretende visitar os filhos que há anos não vêem. Porém, todos são muito atarefados e não têm tempo para dar-lhes atenção. Quando sua mãe fica doente, os filhos vão visitá-la junto com a nora de seu falecido filho mais novo, e complexos sentimentos são revelados entre eles.

 

  • Não Amarás
Não Amarás 
Direção: Krzysztof Kieslowski

País: PolôniaJovem de 19 anos munido de uma luneta começa a observar a vida da sua vizinha (uma mulher madura), que mora defronte ao seu apartamento. Ele fica obcecado por ela e enquanto observa sua vida sexual (na qual o amor não existe), ele esquematiza subterfúgios para se aproximar dela. Com o tempo ele revela seu amor, mas ela o humilha e algo surpreendente acontece nesta relação.

 

  • Sonhos
Sonhos 
Direção: Akira Kurosawa

País: Japão

São oito segmentos. No primeiro, “A Raposa”, uma criança é avisada pela mãe que não deveria ir à floresta quando há chuva e sol, pois é a época do acasalamento das raposas, que gostam de serem observadas, mas ele desobedece os conselhos e observa as raposas, atrás de uma árvore. Ao retornar para casa sua mãe não o deixa entrar e lhe entrega um punhal, dizendo que como ele havia contrariado a raposa ele deveria se matar, mas ela sugere algo que pode remediar a situação.
Na segunda, “O Jardim dos Pessegueiros”, o irmão mais novo de uma família, ao servir chá para as irmãs, depara com uma moça que foge. Indo ao seu encalço, nota que ela é uma boneca e depara com os pessegueiros da sua casa totalmente cortados, restando só tocos. Os espíritos dos pessegueiros surgem para ele e, em uma dança melancólica, dizem que as bonecas são colocadas para enfeitar e festejar a florada dos pessegueiros, mas como eles não mais existem naquela casa não fazia sentido a presença das bonecas.
Na terceira, “A Nevasca”, o líder de uma expedição, junto com seu grupo, se vê em meio a uma nevasca. Eles sucumbem a nevasca, mas repentinamente surge uma linda mulher que envolve o líder com uma echarpe prata. Ele percebe que ela é a morte, que se transforma em uma horrenda figura, então ele vê que está próximo do acampamento e tenta acordar os companheiros, mas não consegue. Ouve então, uma corneta, indicando que o acampamento está mais próximo do que imagina.
No quarto, “O Túnel”, ao entrar em um túnel o capitão de um exército é surpreendido por um cão, que ladra para ele. Atravessa então o túnel em curtos passos. Na saída ouve alguém a caminhar e depara com um dos seus soldados morto em combate, que pensa não estar morto.
No quinto conto, “Corvos”, um jovem pintor, ao observar as pinturas de Van Gogh, entra dentro dos quadros e se encontra com o pintor, que indaga por qual razão ele não está pintando se a paisagem é incrível, pois isto o motiva a pintar de forma frenética.
No sexto conto, “Monte Fuji em Vermelho”, o Fuji entra em erupção ao mesmo tempo ocorre um incêndio em uma usina nuclear, provocado por falha humana. É desprendida no ar uma nuvem de radiação. Um homem relata ser um dos responsáveis pela tragédia e diz preferir a morte rápida de um afogamento à lenta provocada pela radiação.
No sétimo, “O Demônio Chorão”, ao caminhar um viajante encontra um demônio, que lamenta ter sido um homem ganancioso e, como muitos, transformou a terra em um lastimável depósito de resíduos venenosos.
No último, “Povoado dos Moinhos”, um viajante chega à um lugarejo conhecido por muitos como Povoado dos Moinhos. Lá não há energia elétrica e tampouco urbanização. Um idoso, ao ser indagado, relata que os inventos tornam as pessoas infelizes e que o importante para se ter uma boa vida é ser puro e ter água limpa.
  • Match Point
 Match Point
Direção: Woody Allen

País: EUAChris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) é um jogador de tênis profissional que, cansado da rotina de viagens, decide abandonar o circuito e se dedicar a dar aulas do esporte em um clube de elite. É lá que conhece Tom Hewett (Matthew Goode), filho de família rica que logo se torna seu amigo devido a alguns interesses em comum. Convidado para ir à ópera, Chris lá conhece Chloe (Emily Mortimer), irmã de Tom. Logo os dois iniciam um relacionamento, para a alegria dos pais dela. Só que Chris fica abalado quando conhece Nola Rice (Scarlett Johansson), a bela namorada de Tom que não é bem aceita pela mãe dele.

 

  • Asas do Desejo
Asas do Desejo 
Direção: Wim Wenders

País: AlemanhaNa Berlim pós-guerra, dois anjos perabulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista, deseja se tornar um humano para experimentar as alegrias de cada dia.

  • Contos da Lua Vaga
Contos da Lua Vaga 
Direção: Kenji Mizoguchi

País: JapãoDurante a guerra civil japonesa, no século 16, o pobre oleiro Genjuro e seu cunhado Tobei viajam com as respectivas mulheres à capital da província onde vivem, nas redondezas do lago Biwa, para vender utensílios de cerâmica. Com as vendas, Tobei compra armas e se torna samurai, abandonando a esposa. Genjuro, por sua vez, acaba passando vários dias no castelo da misteriosa Lady Wakasa, quando vai entregar as mercadorias.

  • O Espírito da Colméia
 O Espirito da Colmeia
Direção: Victor Erice

País: EspanhaAs duas pequenas irmãs Ana (Ana Torrent) e Isabel (Isabel Tellería) moram em terras rurais da Espanha, na década de 40. Elas estão determinadas a encontrar a estranha figura de “Frankenstein” que passará pela região.

  • Casa Vazia

Casa Vazia

 
Direção: Kim Ki Duk

País: Coreia do SulUm jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva.

One thought on “20 Filmes sobre a Filosofia do Romantismo Alemão

  • 23 de dezembro de 2016 at 21:19
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    Onde achar filmes assim para ver?

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