Crítica: Um Belo Verão

Por Leonardo Carvalho

Um belo verao 2

França – 2016

Direção: Catherini Corsini

Elenco: Cécile de France, Izia Higelin, Noémie Lvovsky

Um belo veraoOs primeiros momentos de “Um Belo Verão” nos concedem a ideia de que o tema será tratado de acordo com uma visão feminina. O pai de uma jovem moça que vive no interior diz à ela que deve se casar logo, e a resposta é bem entendida nos olhares da menina, na sua expressão fria e pálida.

O ponto de vista feminino é forte e presente em todos os minutos do filme. Acompanhamos a história de Delphine, a moça citada que vive no interior e, mais tarde, vai à Paris. Por lá, conhece Carole – interpretada pela ótima Cécile de France -, uma feminista, que namora um rapaz igualmente revolucionário. Estamos na França nos início dos anos 1970, quando o país passava por uma revolução gigantesca.

Logo quando se conhecem, Delphine se mostra interessada, mas Carole a interrompe, afirmando que namora um homem. Aos poucos, esta vai cedendo, até que se envolve numa paixão muito forte com a jovem do interior, chegando a morar temporariamente com ela na fazenda após saírem de Paris por causa de um trágico acidente com o pai de Delphine.

A construção das personagens é boa, deixando claro que o roteiro possui esse aspecto positivo. Por outro lado, o texto erra em trazer a mensagem de revolução às mulheres, um tanto apelativa. Como disse no resumo da história, vemos que o pai de Delphine a trata como um mulher que precisa se casar, e logo vemos que essa ideia é rejeitada. Mais tarde, um grupo de garotas tapeia as costas de homens no meio da ruas, dizendo que os mesmos fazem isso  com elas.

Até aí tudo bem, a mensagem está sendo passada de maneira correta, só que mais tarde, os diálogos são compostos por frases explicando/louvando a revolução acerca da mulher, sobre os salários e os direitos. A ideia é ótima, já que a arte é/foi um meio interessante de importantes revoluções sociais, mas a forma como essa temática é tratada, é ruim, sendo apelativa, forçada em sua proposta, o que é péssimo para a intenção.

O que pode ser extraído como razoável é o romance das duas mulheres. É uma história de amor bonita, que diz sobre a intolerância e a aceitação de pais e conhecidos acerca de um relacionamento homossexual. O fio central, entretanto, é bastante comum, já visto outras vezes ao longo dos últimos anos no cinema, até mesmo no cinema francês, como em uma subtrama de “Azul é a Cor mais Quente”.

Em outros pontos, o figurino se sai bem, bastante positivo para apenas ambientar o espectador nos anos 1970. Ainda, o sangue da geração de Janis Joplin é bastante interessante, retratando bem a França nos seus caminhos enérgicos da revolução.

“Um Belo Verão” traz uma proposta interessantíssima, mas mal trabalhada, composta por apelações que poderiam ser substituídas por mensagens singelas, poéticas, como já foi visto no próprio cinema europeu. Nada fora do comum nas boas camadas, e com a soma dessa intenção forçada, justifica-se a nota puxada mais ao lado negativo.

Nota: 5

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