10 Filmes para Conhecer o Cinema de Yasujiro Ozu

 

Por Philippe Torres



 
Yasujiro Ozu foi um dos maiores idealizadores do cinema nipônico e um dos melhores diretores que já existiu. Seu modelo narrativo foi discutido e influente para diversos diretores, entre eles: Wim Wenders, Wes Anderson e, até mesmo, Andrei Tarkovsky, o qual se inspirou em Ozu para escrever sua teoria narrativa do “esculpir o tempo”, essência cinematográfica.
Ozu era chamado por muitos o mais japonês entre os cineastas japoneses. Isso acontece porque suas histórias contam a vida de pessoas comuns, acontecimentos e conflitos referentes a moralidade e cultura niponica, mostrando como, mesmo com uma sutileza narrativa sem igual, pode ser devastadora. Acontece que a alcunha não é dada apenas pelas histórias que conta, mas como as conta (e por isso é narrativamente o mais japonês dos japoneses). As câmeras sempre colocadas próximas ao solo são uma clara referência ao modo de sentar de sua cultura. A técnica, somada aos planos frontais em meio a diálogos, nos faz estar presentes nas conversas entre os personagens, fazendo-nos sentir um pouco mais japoneses.
Talvez, contudo, a técnica mais conhecida do diretor seja o vazio existentes em suas transições. Servem muito mais que uma ambientalização, mas justamente o tempo sendo esculpido, a montagem sendo estabelecida entre os frames justapostos.
Conheça alguns filmes de um dos mestres Japoneses.
 
  • Era uma Vez em Tóquio

 

Casal de idosos viaja a Tóquio, onde pretende visitar os filhos que há anos não vêem. Porém, todos são muito atarefados e não têm tempo para dar-lhes atenção. Quando sua mãe fica doente, os filhos vão visitá-la junto com a nora de seu falecido filho mais novo, e complexos sentimentos são revelados entre eles.
  • Pai e Filha
 
Noriko é uma jovem que dedica sua vida a cuidar de seu pai, o viúvo Somiya. Mas Somiya e sua irmã fazem Noriko achar que ele vai se casar novamente, e assim ela aceita conhecer um pretendente a marido. Apesar de gostar de seu pretendente, se ressente por seu pai estar casando novamente, no que é aconselhada por ele a buscar sua própria felicidade.
  • Crepúsculo em Tóquio
 
Takako volta para a casa de seu pai, Sugiyama, fugindo de seu marido abusivo. Sua irmã Akiko está grávida de uma gravidez indesejada e procura, em vão, pelo namorado. Neste meio tempo, as irmãs descobrem que a mãe que julgavam morta, Kikuko, na verdade tinha abandonado o pai por outro homem.
  • Uma Galinha no Vento
 
Uma Galinha no Vento conta a estória de Tokiko Amamiya, uma jovem dona-de-casa, que se prostituiu para poder pagar o tratamento médico do filho, que adoeceu. O marido de Tokiko descobre, e a partir daí começam os conflitos entre o casal.
  • Eu Nasci, mas…
 
Dois jovens irmãos se transformam em líderes de uma gangue de garotos da vizinhança. Um dia, eles visitam a casa do chefe do pai deles e descobrem que seu filho fora membro da gangue. Encantador filme de Ozu, onde o mestre japonês joga o contraste entre a submissão do Sr. Yoshii a seu chefe, e a que ele reclama a seus dois filhos pequenos, algo que eles não parecem demasiado dispostos, em parte porque se envergonham do que lhes parece uma atitude servil. Com uma trama ligeira e elementos cômicos – a greve de fome dos meninos por exemplo, por culpa de umas deliciosas bolas de arroz -, Ozu pinta um simpático quadro familiar, quando fala de resignação, um enfoque vital muito oriental. Profundo e belo.
  • Também Fomos Felizes
 
Numa casa tradicional mora uma família composta pelos pais, a filha Noriko, o filho mais velho e sua esposa, e os filhos destes. Mas Noriko já está se aproximando dos 30 anos, e não pensa em se casar, e sua independência financeira é vista com maus olhos, em especial por seu irmão. Quando o chefe de Noriko aconselha-a a se casar e apresenta um pretendente amigo seu, ela nega e desafia as pressões da família e do trabalho. Ganhador do prêmio anual de melhor filme da Kinema Jumpo.
  • Flor do Equinócio
 
Os retratos de família de Yasujiro Ozu constituem um capítulo fundamental do património cinematográfico japonês: “A Flor do Equinócio” é um notável exemplo desse património, um retrato de relações tecidas de muitos sentimentos ocultos.
  • Ervas Flutuantes
 
Companhia japonesa de teatro kabuki aporta numa pequena ilha de pescadores. Komajuro (Ganjirô Nakamura), um dos fundadores do grupo, passa a frequentar todos os dias a casa de sua antiga amante, Oyoshi (Haruko Sugimura), dona de um bar e mãe de Kiyoshi (Hiroshi Kawaguchi).
  • Fim de Verão
 
Retrato das mudanças sofridas pelo Japão após a Segunda Guerra Mundial. A época é retratada através da família Kohayagawa, proprietária de uma próspera fábrica de sakê. O chefe do clã tem uma amante e uma filha já adulta e passa agora por problemas de saúde. A filha mais nova tem um casamento arranjado e, ao mesmo tempo, ajuda a cunhada viúva a encontrar um novo marido.
  • A Rotina tem seu Encanto
 
Quando o viúvo Shuhei Hirayama, um militar que lutou na Segunda Guerra Mundial como fuzileiro naval, encontra com seu velho professor, fica sabendo que sua filha ainda não se casou porque teve que ficar cuidando do pai. Com medo de que Michiko, sua filha de 24 anos, acabe com o mesmo destino, ele começa a procurar um bom homem para se casar com ela. Também preocupada com a possibilidade da moça manter-se solteira para não abandonar o pai, uma das irmãs do viúvo sugere que ele se case novamente, de modo a permitir que a filha pense sobre seu próprio casamento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *