Crítica: Jogo do Dinheiro

Leonardo Carvalho

 

Direção: Jodie Foster

Elenco: George Clooney, Julia Roberts, Jack O’Connell

Estados Unidos – 2016

Jogo do Dinheiro

 

Jogo do DinheiroNa história de “Jogo do Dinheiro”, George Clooney representa Lee Gate, um apresentador/palpiteiro/ comentarista de tendências econômicas. Um dia, numa das suas hilárias apresentações, um desequilibrado homem aparece e o faz de refém, vestindo-o com um colete aparentemente armado com uma bomba. Os motivos sobre o tal sequestro no estúdio são entendidos mais à frente.

Lee lembra bastante o lendário Howard Beale, protagonista de “Rede de Intrigas”, longa-metragem dirigido por Sidney Lumet. Em toda a duração de “Jogo do Dinheiro” lembramos-nos da obra de 1976,
principalmente pela sátira ao lado do drama. Diferente do primeiro, mais voltado à condução de surpresas no clímax, o filme analisado aqui propõe mais suspense e tensão. Pode-se afirmar, com tranquilidade, que o trabalho dirigido por Jodie Foster é uma versão atual de “Rede de Intrigas”, mas com menos qualidade e mais aspectos estereotipados do cinema atual.

O filme começa com um nível de humor gigantesco. Para quem não lê nenhuma informação da ficha técnica, chega a pensar que está assistindo a uma comédia. Com o passar do tempo, aos poucos, isso vai diminuindo. Quando encontramos Lee ao vivo pela primeira vez, alguns fatores tensos começam a ser encaixados, como sua desobediência sobre a diretora. Mais tarde, no momento em que o sequestrador entra em cena, o clima de seriedade quebra com o que foi dito.

Isso, de fato, é um grande acerto da diretora, visto que a proposta era referir-se a “Rede Intrigas”, não há dúvidas, causando humor na beira de valores do suspense. Para que um diálogo seja armado entre os dois gêneros, depois de a tensão tomar conta da encenação, percebe-se que há diversos alívios cômicos, até demais da conta.

Em relação à proposta do longa-metragem, os alívios estão coerentes e não prejudicam tanto, ainda que alguns sejam bastante forçados. O problema disso, entretanto, é que os filmes americanos, ultimamente, têm usado esse fator, já clichê, empobrecendo a obra de um ponto de vista puramente cinematográfico, caso tiremos todo o entretenimento de lado.

Dentro do desenvolvimento da narrativa existem diversos aspectos que contribuem e fragilizam o filme. Os diversos discursos, inclusive um de Lee à Patty, sua diretora, já no clímax, são um tanto chatos e igualmente estereotipados aos alívios cômicos.  Sorte – e mérito do roteiro também – que as piadas não são ruins. Em contrapartida, como pontos positivos, as atuações de George Clooney e Julia Roberts cumprem com o objetivo e dominam com clareza seus personagens, convencem.

Na altura do clímax, entende-se que há outros elementos mais comuns, pouco originais, como a mobilização gigantesca de todo o público sobre as figuras identificadas – o jornalista e o sequestrador, acompanhados pelo público nas ruas e pela polícia – e a transformação de um empresário – personagem muito mal aproveitado – em vilão. A tensão é comprometida, mas o excesso nos filmes americanos já está mais do que ultrapassados. Já a conclusão, é acionada com alguns traços bastante legais, como a sugestão de que a vida volta ao normal através de uma mesa de totó e o humor que é mais uma vez jogado à narrativa, característica forte até o final.

Graças aos pontos positivos falados acima e sobre uma utilização sabia dos cortes para provocar intensidade sobre o drama e sobre a bolsa de valores, “Jogo do Dinheiro” se salva de uma tragédia técnica. A direção de Jodie Foster no comando geral do filme é interessante, mas precisa ser corrigida em trabalhados posteriores, retirando os excessos, os clichês, acionando mais originalidade e mantendo sua boa coordenação de elenco.

Nota: 6

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