20 Filmes sobre a Filosofia de Søren Kierkegaard

Por Philippe Leão
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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.
Kierkegaard, filósofo nórdico muito influenciado pelo movimento Romântico e, por isso, rompedor com as ideias da modernidade – Renascimento e Iluminismo, em geral – irá tratar da condição humana e a necessidade de lidar com escolhas. Preocupado com a impessoalidade da ciência – crítica direta ao método científico de Bacon e Hume – Kierkegaard diz ser impossível se distanciar do eu na busca pela verdade (aquilo que a ciência diz ser capaz de encontrar). O ser não pode, para ele, ser desconsiderado. Uma vez que sente, pensa e faz escolhas, o corpo também faz parte da verdade. Por isso, impossível separar a pessoa do ato científico, crítica forte a razão colocada como uma entidade divina na modernidade. Assim, na irracionalidade, nos sentimentos, nas nossas impressões e, principalmente no subjetivo encontra-se a verdade.
Justamente essa busca individual pela verdade que nos faz, como condição, escolher. Nossa vida é feita, a todo instante, de novas escolhas e são essas que trazem nossas angústias. Apresenta-se assim:
Condição humana: Fazer escolhas que nos permitirão, lembrando Spinoza, os encontros com o mundo.
separacao

O dilema moral é peça chave na trama de A Separação,
repleto de influências Kierkegaardianas.

Problema: Angústia.
Surgem dessa maneira três tipos de sujeito que buscarão lidar com suas escolhas e, consequentemente, suas angustias: O Sujeito Estético; Ético e Religioso.
Sujeito Estético:
Este sujeito é aquele que tem medo de suas escolhas, entregando, assim, aos outros o poder da escolha, livrando-se de suas angústias. Contudo, há uma falsa ideia de liberdade, afinal, esse sujeito sofre por não ser senhor de suas próprias escolhas que, contudo, não lhe da as responsabilidades criada por suas escolhas (mesmo que o fato de entregar a escolha a outro seja também uma escolha). O sujeito estético tem, como diz Kierkegaard, um medo da angústia e por isso foge dela.
Ex: Alguém que entrega a outro a responsabilidade do voto.
Sujeito Ético:
 
O Sujeito Ético é aquele que assume suas escolhas, mesmo sabendo que esta pode não ser a melhor entre as possibilidades. Este sujeito, a todo instante, entra em conflito com as demais que deixou para trás, mas não desiste daquela que assumiu. Como o próprio nome diz, ético, assume a responsabilidade por sua escolha, mas sofre da angústia que esta lhe proporciona devido àquilo que não pode conquistar em consequência de sua escolha. Quando trilhamos um caminho, automaticamente negamos outras possibilidades, e o sujeito Ético sofre por estas.
Ex: Alguém que insiste em um relacionamento que, claramente, não da mais certo e sofre por não poder ter as outras possibilidades.
Sujeito Religioso:

Ao contrário do que se pensa, o Sujeito religioso não está ligado a qualquer entidade religiosa. Seu nome é dado devido ao chamado salto de fé, um salto no desconhecido. Este assume suas escolhas e não se importa com as consequências, não preocupando-se com os caminhos não escolhidos. O sujeito religioso, demonstra fragilidade promovida por sua crença em sua escolha ao não preocupar-se com as consequências, mas ao mesmo tempo uma enorme determinação capaz de livrar-lhes da angústia. Sabendo o que pode acontecer, não se importa.Ex: Uma pessoa que faz uma escolha sem importar-se com o que o outro pensa.

 

Seus trabalhos lidam com o mal estar diante da religião, a questão do pecado, a fé, ética, escolha, angústia e condição humana com ser indivíduo. Muitos de seus trabalhos, como grande parte dos Românticos, contém respostas a Hegel que geram enormes controvérsias.

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Filmes sobre a Filosofia de Søren Kierkegaard

 

Paris, Texas

paris texas 
Direção: Wim Wenders
País: Alemanha; EUA
Nome Original: Paris, Texas
Um homem é encontrado exausto e sem memória, em um deserto ao sul dos EUA. Aos poucos ele vai se recordando de sua vida, sendo acolhido pelo irmão Walt, que é casado com Anne. Com eles vive também Alex, filho do homem sem memória, que aos poucos volta a se identificar com o pai.
A Longa Caminhada
A Longa Caminhada 
Direção: Nicholas Roeg
País: Austrália
Nome Original: Walkabout
Duas crianças são abandonadas pelo pai louco que, pouco antes de se suicidar, tenta matá-las em meio a uma região desabitada do deserto australiano. À mercê do destino e com poucos recursos para sobrevivência, o garoto e a menina passam a ser auxiliados por um aborígene, que vive sozinho pelo deserto para cumprir um ritual de sua tribo.
Narciso Negro
narciso negro 
Direção: Michael Powell; Emeric Pressburger
País: Reino Unido
Nome Original: Black Narcissus
Cinco freiras inglesas abrem uma escola e um hospital numa vila de remota região do Himalaia. A harmonia do local é ameaçada com a chegada de uma bela moça da região e de um jovem e rico

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2 comentários em “20 Filmes sobre a Filosofia de Søren Kierkegaard

  • 17 de setembro de 2016 em 18:24
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    Quem é o diretor do filme “A separação”? Nao acho o torrent dele…

    Resposta
    • 18 de setembro de 2016 em 01:26
      Permalink

      Olá Carla, o diretor é Asghar Farhadi. Excelente artista!

      Resposta

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