Crítica: De Amor e Trevas

Direção: Natalie Portman

Estados Unidos – 2016

Elenco: Natalie Portman; Gilad Kahana; Amir Tessler

 

 

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love an darknessFui levado por curiosidade a assistir a esse filme que é o primeiro de Natalie Portman como diretora e roteirista de um longa-metragem (já havia dirigido um segmento de um filme coletivo e um curta-metragem) no qual ela também atua. O filme se baseia na autobiografia de Amos Oz, renomado escritor israelense, focando principalmente na sua infância e relação com a família, em um período particularmente conturbado, antes e depois da criação do Estado de Israel.

Natalie Portman é também israelense e de família judia, o que fortalece seu vínculo afetivo com a história. O filme é todo falado em hebraico, o que é ótimo, mas o cuidado excessivo em tentar passar um relato realista acaba por prejudicar a poesia e tornar um tanto maçante o desenvolvimento do todo.

A infância de Amos é enclausurada em um pequeno apartamento e fortemente marcada pela personalidade tanto do pai quanto da mãe (Natalie Portman). Amos herda o amor pela filosofia e política do pai, que é um escritor medíocre e orgulhoso, e as características sonhadoras e poéticas da mãe, essa que nunca conseguiu se adaptar bem à realidade.

Quando tenta mostrar o impacto da personalidade dos pais para formação subjetiva do menino, acaba apelando uma ou outra vez para um mimetismo forçado, com o menino reproduzindo exatamente a mesma gestualidade de algum comportamento autodestrutivo que assimilou pelo convívio.

A atuação de Natalie Portman é sem dúvida melhor que sua direção, sua personagem também ganha destaque em um protagonismo compartilhado com o menino. A fotografia escura e em ritmo lento transparece bem o tédio que Amos deve ter passado na infância e, principalmente o de sua mãe, que sempre fora uma moça romântica e sonhadora e que teve que conviver com a monotonia cinza dos dias.

A diretora consegue cenas belas nos devaneios de sua personagem. Esses são os momentos que toda aquela escuridão trancada no apartamento se abre para iluminação de um espaço aberto, onde a aventura ganha forma através de seus pensamentos como refúgio de sua realidade reprimida.

É possível que em um futuro filme de ficção que não se baseie em fatos reais ou obras literárias ela consiga se soltar mais, fazendo como sua personagem Nina de Cisne Negro, em suas metamorfoses pessoais que a libertam para enfim protagonizar a peça.

 

Nota: 6,0

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