10 Filmes do Cinema Marginal Brasileiro

Por Philippe Leão

O Cinema Novo brasileiro era um movimento consolidado dentro do território nacional, sendo capazes de influenciar e impor suas regras estéticas e dogmas aos demais realizadores. Contudo, com o desenrolar da Ditadura Militar, o Cinema Novo foi perdendo força devido a repressão do Estado. Nasce nesse momento um movimento cinematográfico antagônico, O Cinema Marginal. Movimento de contra-cultura, o Cinema Marginal, ao contrário do Novo, era combativo, ignorava a censura militar. Narrativamente, os marginais apresentam um descontentamento com o realismo – característica do Cinema Novo – tendo como influência Godard, Samuel Fuller, Kubrick, Orson Welles e Robert Aldrich. Embora todos progressistas, suas maiores preocupações foram, desde o princípio, a subversão da linguagem cinematográfica em detrimento do ativismo político. Se o Cinema Novo atuava com crítica direta, os marginais se utilizavam da técnica para demonstrar uma decadência da vida cotidiana burguesa e acusar de maneira irônica e sarcástica os instrumentos de poder. Os marginais conseguem transmitir com honestidade o brasileiro, de maneira que o Cinema Novo jamais conseguira. “O Bandido da Luz Vermelha” é o Masterpiece do movimento, dirigido por aquele que, talvez, seja o melhor diretor brasileiro de todos os tempos Rogério Sganzerla.

Helena Ignez

– O Bandido da Luz Vermelha

O Bandido da Luz Vermelha

Direção: Rogerio Sganzerla

Marginal paulista chamado João Acácio Pereira, mais conhecido como Bandido da Luz Vermelha, coloca a população em polvorosa e desafia a polícia ao cometer os crimes mais requintados – de estupro a assassinatos. Ele conhece a provocante Janete Jane, famosa em toda a Boca do Lixo, por quem se apaixona.

– Matou a Família e foi ao Cinema

Matou a familia e foi ao cinema

Direção: Júlio Bressane

Um rapaz de classe média baixa carioca mata os pais a navalhadas e vai ao cinema ver Perdidos de Amor. Márcia, uma jovem rica e insatisfeita, aproveita uma viagem do marido para ir à casa de Petrópolis, onde recebe a visita de uma velha amiga, Regina. Intercaladas com as cenas entre elas, que dançam, conversam sobre homens e se acariciam, aparecem pequenas histórias autônomas de assassinatos no interior de famílias pobres. Entre essas crônicas familiares, uma história destoa: a do preso político torturado até a morte.

– O Anjo Nasceu

O Anjo Nasceu

Direção: Júlio Bressane

Dois bandidos saem pela cidade cometendo atos de violência. Santamaria, místico, acredita que assim está se aproximando de um anjo que lhe limpará a alma. Urtiga, um marginal ingênuo, segue os passos do amigo, acreditando também no anjo da salvação.

– O Estranho Mundo de Zé do Caixão

O Estranho Mundo de Zé do Caixão

Direção: José Mojica Marins

Elevado ao estado inatingível dos seres subrenaturais, Zé do Caixão desfia sua filosofia e apresenta três contos em O Fabricante de Bonecas, marginais invadem a casa de um velhinho e decobrem o segredo da confeccção de suas bonecas em Tara, um vendedor de balões fantasia uma paixão doentia por uma garota que ele segue obsessivamente pelas ruas. Em Ideologia, o excêntrico Professor Oãxiac Odez tenta provar a um rival que o instinto prevalece sobre a razão, usando métodos nada ortodoxos.

– Sem Essa, Aranha!

Sem essa, Aranha

Direção: Rogério Sganzerla

O filme é uma comédia sobre a fome, ensaio de humor negro sobre a miséria agônica do subdesenvolvimento mental de nossas elites, onde o excelente cômico Jorge Loredo representa a bur- guesia nacional através do personagem-título, um pobre diabo chapliniano e um magnata inigualável, às voltas com os constantes solavancos de nossa realidade, sujeita a chuvas e trovoadas, assim co- mo as quarteladas e abusos de autoridade, típicos da época em que foi rodado.

– Ritual dos Sádicos

O Despertar da Besta

Direção: José Mojica Marins

Um renomado psiquiatra injeta doses de LSD em quatro voluntários com o objetivo de estudar os efeitos do tóxico sob a influência da imagem de Zé do Caixão. O personagem aparece de maneira diferente nos delírios psicodélicos e multicoloridos de cada um, misturando sexo, perversão, sadismo e misoginia. Interrogado por um grupo de intelectuais, o psiquiatra faz uma revelação surpreendente que os obriga a questionar suas convicções. Em pleno apogeu do amor livre, das drogas psicodélicas e dos hippies, Jose Mojica Marins concebeu seu filme mais contundente, revoltado e arrebatador através de episódios aparentemente sem ligação, aderindo à metalinguagem para analisar o efeito de seu polêmico personagem no inconsciente coletivo. O surreal nunca pareceu tão verdadeiro. Vetado pela Censura Federal mesmo após inúmeros cortes, o filme permanece inédito nas telas de cinema até hoje. Entre outras premiações, “Ritual dos Sádicos” foi homenageado e vencedor dos prêmios de Melhor Ator (José Mojica Marins) e Melhor Roteiro (Rubens F. Lucchetti) no Rio-Cine Festival, em 1986.

– A Mulher de Todos

A Mulher de Todos

Direção: Rogério Sganzerla

A ninfômana Ângela Carne Osso rompe com seu último caso e passa o fim de semana na exótica Ilha dos Prazeres. Lá encontra o playboy Vampiro e o jovem Armando. Seu marido é o extravagante Doktor Plirtz, que contrata um detetive particular para comprovar a (in)fidelidade de sua esposa. Ângela Carne Osso quer consumir homens a curto prazo, abandonando-os em seguida.

– A Herança

A Herança

Direção: Ozualdo Candeiras

Adaptação de Hamlet, de Shakespeare, para o Centro-Sul brasileiro do início do século XX. Omeleto, um rapaz filho de senhores do sertão, vai para a capital com o objetivo de estudar e fazer-se doutor. O pai morre e ele volta antes do esperado, encontrando a mãe casada com o irmão do pai. O falecido volta do além e conta para o filho que foi assassinado, o rapaz promete vingança a fim de que a alma do pai possa descansar em paz.

– Bang Bang

Bang Bang

Direção: Andrea Tonacci

Homem neurastênico que, durante a realização de um filme, se vê envolvido em várias situações como o romance com uma bailarina espanhola, perseguições, discussões com um motorista de táxi e o enfrentamento com um bizarro trio de bandidos.

– Copacabana, Mon Amour

Copacabana mon amour

Direção: Rogério Sganzerla

Sônia Silk circula por Copacabana, no Rio de Janeiro, com o grande sonho de ser cantora da Rádio Nacional. Ela é irmã de Vidimar, empregado apaixonado pelo patrão, o Dr. Grilo. Sônia Silk vê espíritos baixarem em seres e objetos e procura o pai-de-santo Joãozinho da Goméia para livrá-la desta aflição.

arte, cultura e soberania nacional

One thought on “10 Filmes do Cinema Marginal Brasileiro

  • 24 de maio de 2016 at 20:13
    Permalink

    Faltou o mais importante de todos: “A Margem”, de Ozualdo Candeias (e não ‘Candeiras’, como acima). Foi o filme que deu origem ao movimento em 1967. Imperdível.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *