Crítica: Chinatown

Por Philippe Torres
Crítica: Chinatown
E.U.A– 1974
Direção: Roman Polanski
Elenco: Jack Nicholson; Faye Dunaway; John Huston; Perry Lopez; John Hillerman; Darrell Zwerling; Diane Ladd; Roy Jenson; Roman Polanski; Richard Bakalyan; Joe Mantell; Bruce Glover.

Chinatown, filme do diretor polonês Roman Polanski, é um marco na tradição do Cinema Noir. As características desse gênero/movimento estão presentes: O detetive Jake Gittes (Jack Nicholson) nada heroico; A misteriosa femme fatale vivida por Faye Dunaway; A fotografia sombreada; A caracterização, enfim, uma revisitação ao gênero que tomou os cinemas americanos dos anos 40. Contudo, ao contrário dos clássicos black and white, Chinatown é incomum em todos seus aspectos narrativos.

O filme conta a história de Jake Gittes, um detetive sobrevivendo em um clima ensolarado e moralmente obscuro. Contratado por uma socialite (Faye Dunaway) para investigar um caso de traição de seu marido, as investigações caminham para outro lado a medida que Gittes envolve-se em uma teia de escândalos pessoais e políticos, envolvendo o abastecimento de água na cidade de Los Angeles. Estes conflitos se chocariam em uma única noite em Chinatown, onde tudo é possível.

A fotografia resgata a tradição noir quando, em cenas noturnas, estabelecem o claro-escuro que proporciona o clima de tensão. Essas rimas fotográficas estabelecem uma ambientação característica de elementos duvidosos. As imagens fotográficas vestem os personagens com uma máscara de amoralidades. As dúvidas são estabelecidas nas sombras de Chinatown. Contudo, incomum como foi dito, o filme apresenta cenas ensolaradas que, apesar, demonstram extrema claustrofobia a medida que o roteiro o exige. A água e a iminente ausência desta é tema central no roteiro, a inquietação fotográfica na luz se faz necessária.

Jack Nicholson está longe do overacting do qual ficaria conhecido anos mais tarde. Sua atuação contida esconde toda ambiguidade moral e toda sua impressionabilidade com os fatos e conflitos aparente – apesar de saber que, apesar de escondidos, estão presentes – através de uma representação facial imponente, fixada nos olhos.

A trilha sonora de Jerry Goldsmith traz uma atmosfera misteriosa a trama, impecável a medida que os acontecimentos caminham cada vez mais para as dúvidas do que para as soluções. Mesmo no momento em que a trilha toca como tema de um romance entre os personagens principais o mistério se faz presente, demonstrando a relação entre estes e a indefinição do espectador para com o futuro destes.

Contudo, é justamente a convergência das técnicas apresentadas que fazem de Chinatown um dos maiores filmes já feitos. O Roteiro, apesar de ser considerado um dos mais impecáveis da história, é apenas um artifício para essa narrativa cheia de dúvidas das quais Roman Polanski não se preocupa em responder. Chinatown nos proporciona uma narrativa que faria Platão revirar no túmulo, se o filósofo aponta para a luz no final da caverna, Chinatown nos apresenta que no final do túnel há mais túnel. Se esperamos disso um desfecho revelador – a luz – “Esqueça, Jake, é Chinatown”, isso é a verdade.

★★★★★★★★★★ – Nota: 10/10

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