16 Filmes sobre a Psicanálise de Freud

Por Philippe Leão
 
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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.
Sigmund Freud foi um médico neurologista pupilo de Josef Breuer e fundador da Psicanálise. Freud iniciará seus estudos a partir da leitura de outro filosofo alemão à época: Nietzsche. Seus primeiros experimentos estão ligados à prática da hipnose como forma de acesso aos conteúdos mentais inconsciente no tratamento da histeria. Por assim dizer, ao curar alguns de seus pacientes, pôde perceber que a doença não seria de caráter biológico, mas psicológico. Assim, Freud passaria a praticar a cura pela fala em detrimento da remediação.
Seu pensamento trouxe, mesmo que através da releitura moralizante de Nietzsche, o estudo inconsciente através do Id, Ego e Superego, o modelo triádico do aparelho psíquico. Através destes seria possível estudar profundamente diversos mecanismos apontados pelo pensador, como os mecanismos de defesa.
Os mecanismos de defesa designam em particular as ações psicológicas que têm por finalidade reduzir qualquer manifestação que pode colocar em perigo a integridade do ego, onde o indivíduo não consiga lidar com situações que por algum motivo considere ameaçadoras. São processos subconscientes ou mesmo inconscientes que permitem à mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos no nível da consciência. As bases dos mecanismos de defesa são as angústias. Quanto mais angustiados estivermos, mais fortes os mecanismos de defesa ficam ativados. Alguns dos mecanismos são:
 Racionalização
A racionalização é a criação de “explicações” altamente racionais para explicar fatores emocionais e motivacionais com objetivo de proteger nosso ego. Exemplo: um rapaz que foi dispensado por uma garota, da qual estava a fim, logo diz “ela nem era tão boa assim, era até feia, não sei como fui gostar dela”. Portanto, não trata-se de uma mentira comum. É um conjunto complexo de explicações para que se evitem ataques ao ego. Na racionalização não estamos cientes da deformação ao real que fazemos.
 Isolamento
É o mecanismo de defesa que envolve uma “separação de sistemas” para que os sentimentos perturbadores possam ser isolados, de tal forma que a pessoa se torna completamente insensível em relação ao acontecimento sublimado e passe a comentá-lo como se tivesse acontecido com terceiros.
É um processo de isolar uma, dentre as várias partes do conteúdo mental, de tal forma que as interações normais que ocorreriam entre elas se reduzam e assim os conflitos sejam evitados. Um exemplo seria um ladrão que rouba e não experimenta os sentimentos de culpa que estão ligados a esse ato.
 Sublimação
Próxima ao isolamento, a sublimação consiste na busca de modos socialmente aceitáveis de satisfazer, ao menos parcialmente, as pulsões do id. Caracteriza-se por apresentar uma inibição do objeto e uma dessexualização do mesmo. É responsável pela civilização, já que é resultante de pulsões subjacentes que encontram vias aceitáveis para o que é reprimido. Exemplo: um indivíduo com alta agressividade pode se tornar cirurgião, para o que necessita cortar tecidos sem hesitação; é uma foma de socializar a agressividade.
Projeção
Projeção é o processo mental pelo qual as características que estão ligadas ao eu são gradativamente afastadas deste em direção a outros objetos e pessoas. Essas projeções tendem a deslocar-se em direção a objetos e pessoas cujas qualidades e características são mais adequadas para encaixar o material deslocado. Muitas vezes nos defendemos da angústia gerada por fracasso, culpa ou nossos defeitos projetando a responsabilidade por esse fato em alguém ou em algo. Temos como exemplo um jogador de tênis que, ao perder uma partida, justifica sua perda botando a culpa na qualidade da raquete (aqui se assemelha ao deslocamento); outro exemplo seria o fato de tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, mas na verdade o único agente cometendo hostilidade somos nós, a outra pessoa está agindo normalmente
 Repressão
O fato de um indivíduo possuir grande dificuldade em reconhecer seus impulsos que produzem angústia ou lembrar-se de acontecimentos passados traumáticos é o que chamamos de repressão, que também é chamada de “esquecimento motivado”.
A omissão forçada e deliberada de recordações ou sentimentos é repressão. Em casos extremos (um acontecimento extremamente doloroso), a repressão pode apagar não só a lembrança do acontecimento, mas também tudo que diz respeito ao mesmo, inclusive seu próprio nome e sua identidade, criando uma profunda amnésia.
 Formação Reativa
Pessoas que defendem seu ego com a formação reativa podem ser frequentemente classificadas como orgulhosas ou agressivas, mas há uma diferença, porque enquanto o orgulho é uma auto-negação da ajuda de outrem e sentimento de auto-suficiência e confiança natural de um ser humano, a formação reativa é a simulação da indiferença ou da aversão ao seu desejo ou a qualquer tipo de ofensa ou ataque, enquanto na realidade o indivíduo sofre com o medo de ser rejeitado ou magoado. É a hipocrisia desesperada consciente enquanto o subconsciente sofre. Segundo Freud, a formação reativa seria um dos mais frágeis métodos de defesa ao ego, porque essa defesa parte da sensação pessoal do indivíduo de que está vulnerável a qualquer tipo de ataque, difamação ou algo que possa cortar sua sensibilidade. Usando a formação reativa, o consciente sente-se mais confortável porque sabe que mesmo que uma situação cause sofrimento ao ego, a pessoa não demonstrou tal sentimento para terceiros, podendo assim se iludir com o falso sentimento de que “nada me afetou, está tudo bem”. Um exemplo disto é que, por exemplo, uma mulher pode demonstrar muita afeição para com seus filhos enquanto no fundo guarda ódio deles, ou um homem se mostre valente enquanto possui vários sentimentos de medo.
 Identificação

O indivíduo pode diminuir ou evitar a angústia identificando-se com outras pessoas ou grupos, de forma a se proteger. Por exemplo, uma pessoa que sofreu um recente fracasso pode identificar-se com o triunfo de outras, como se aquele triunfo também fosse dela. A maior parte das identificações ocorre no mundo da fantasia, temos como exemplo a criança que se identifica com seu herói favorito, a moça que se identifica com a “mocinha” da novela etc.

De forma branda, a identificação pode ajudar a pessoa a torna-se mais confiante e ajudar em seus ajustamentos. Porém, em excesso, causa dependência e impede o indivíduo de enfrentar seu problema.
 Regressão
É o retorno do indivíduo a níveis anteriores do desenvolvimento sempre que depara com uma frustração. É uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento. Por exemplo, o choro das pessoas em certas situações pode ser uma regressão à infância, que pode ter tido uma situação em que o choro “resolveu” o “problema”, então a pessoa inconscientemente usa aquele mesmo “método” para “resolver” a nova situação.
Usamos a regressão para fantasiar com o objetivo de criar uma válvula de escape, defender-nos de ameaças e angústias. É muito eficiente, pois dissipa a angústia e nos torna capazes de enfrentar novamente o problema. Entretanto, de forma constante, nos afasta da realidade, nos fornece falsos e efêmeros sentimentos de triunfo e o despertar para a realidade (através das constantes pressões do mundo objetivo) pode ser extremamente doloroso.
 Negação
A negação talvez possa ser considerada o mecanismo de defesa mais ineficaz, pois se baseia em simplesmente negar os fatos acontecidos à base de mentiras que acabam se confundido e na maioria das vezes contrariando uma à outra. Um bom exemplo de negação é um garoto que, ao ser acusado de roubo (e realmente é culpado), diz: “Eu não tenho nada comigo! Eu achei no chão e o dono da loja me deu!”.
Freud diria ainda que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana, inclusive no estudo infantil, conhecida como libido. Essa percepção trouxe, além de um melhor diagnóstico sobre adultos, uma melhor análise sobre os períodos de formação psico-intelectivas infantis através dos períodos: fase oral, fase anal, fase fálica, fase da latência e fase genital.
 Fase Oral
Nessa fase a boca da criança é o foco de gratificação libidinal derivado do prazer de se alimentar no seio da mãe, e da exploração oral do seu ambiente, ou seja, a tendência em colocar objetos na boca.  id domina, porque nem o ego nem o super ego está ainda totalmente desenvolvido, e, uma vez que a criança não tem personalidade (identidade), cada ação é baseada em princípio do prazer.
 
 Fase Anal
Entre a idade de 1 e 3 anos, a atenção da criança para a se voltar para os processos de eliminação, quando os pais começam o treinamento de usar o vaso sanitário, a criança pode ganhar aprovação ou expressar rebeldia ou agressão “segurando” ou “liberando”. Assim, um treinamento rude pode causar uma fixação que pode se atrelar à personalidade.
Fase Fálica
Vai dos três aos cinco anos de vida e se caracteriza, segundo Freud, pela importância da presença (ou, nas meninas, da ausência) do falo ou pênis; nessa fase o prazer e o desprazer estão centrados na região genital. A criança luta pela intimidade que os pais compartilham entre si, assim os pais se tornam ameaça parcial à satisfação das necessidades. A criança quer e teme os pais. As dificuldades dessa fase estão ligadas ao direcionamento da pulsão sexual ou libidinosa ao genitor do sexo oposto e aos problemas resultantes. A resolução desse conflito está relacionada ao complexo de Édipo e à identificação com o genitor de mesmo sexo. O complexo de Édipo representa um importante passo na formação do superego e na socialização dos meninos, uma vez que o menino aprende a seguir os valores dos pais. Essa solução de compromisso permite que tanto o Ego (através da diminuição do medo) quanto o Id sejam parcialmente satisfeitos. O conflito vivenciado pelas meninas é parecido, porém, menos intenso. A menina deseja o próprio pai, em parte devido à inveja que sente por não ter um pênis – ela sente-se castrada e dá a culpa à própria mãe. Por outro lado, a mãe representa uma ameaça menos séria, uma vez que uma castração não é possível. Devido a essa situação diferente, a identificação da menina com a própria mãe é menos forte do que a do menino com seu pai e, por isso, as meninas teriam uma consciência menos desenvolvida.
 Fase Latente

Vai dos 5 anos até o início da puberdade (não tem como dar uma idade certa para esse fim). É uma fase mais tranquila que se estende até a puberdade. Nessa fase as fantasias e impulsos sexuais são reprimidos, tornando-se secundários, e o desenvolvimento cognitivo e a assimilação de valores e normas sociais se tornam a atividade principal da criança, continuando o desenvolvimento do ego e do superego. Os desejos sexuais não resolvidos e não são atendidos pelo ego serão cobrados posteriormente. É a fase de desenvolvimento de amizades e laços sociais.

Fase Genital
É a última fase do desenvolvimento psicossocial e ocorre, não por acaso, durante a adolescência. Nessa fase as pulsões sexuais, depois da longa fase de latência e acompanhando as mudanças corporais, despertam-se novamente, mas desta vez se dirigem a uma pessoa, geralmente, do sexo oposto. Há um retorno da energia libidinal aos órgãos sexuais. A escolha do parceiro não se dá independente dos processos de desenvolvimento anteriores (as fases anteriores influenciam em nossas escolhas até o final de nossa vida). Os conflitos internos típicos das fases anteriores atingem aqui uma relativa estabilidade conduzindo a pessoa a uma estrutura do ego que lhe permite enfrentar os desafios da idade adulta.
Sua obra fez surgir uma nova compreensão do ser humano: um animal dotado de razão imperfeita, influenciado por seus desejos e sentimentos que cria na mente destes um tormento pela contradição entre esses impulsos e a vida em sociedade.
 Filmes sobre a Psicanálise de Freud

– Quero ser John Malkovich




Diretor: Spike Jonze
Ano: 2000
País: E.U.A

Um homem (John Cusack) consegue um novo emprego no 7º e meio andar de um edifício comercial, onde todos os funcionários devem andar curvados. Lá encontra uma porta, escondida, que leva quem ultrapassá-la até a mente do ator John Malkovich, onde pode permanecer durante 15 minutos, até ser cuspido numa estrada na saída de Nova Jersey. Impressionado com a descoberta, resolve alugar a passagem para outras pessoas, dentre elas o próprio John Malkovich.


– Face a Face





Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1976
País: Suécia

Jenny Isaksson (Liv Ullmann) é uma psiquiatra casada, que é assombrada por visões de uma velha e passa a sofrer uma profunda depressão. Na procura desesperada de fugir deste pesadelo ela tem um caso com Tomas Jacobi (Erland Josephson), um médico casado. Isto só serve para provocar nela uma crise histérica e, quando tem novas alucinações com a velha mulher, ela tenta suicídio. Enquanto está entre a vida e a morte ela imagina ver todas as pessoas que tiveram alguma influência em sua vida. Quando está se recuperando ela consegue entender quem é a velha senhora e por qual motivo provoca tanto sofrimento.

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