Impressões do Oscar 2016 :O Regresso como A Grande Aposta





Por Leonardo Carvalho

Quem acompanha os prêmios da Academia nos últimos
anos tem a sensação de que a qualidade dos filmes indicados se perdeu bastante.
Mesmo assim, é incontestável que há obras muito boas: “Amor”, “A Árvore da
Vida”, “Cisne Negro”, “Nebraska”, entre outros. O Oscar de 2016 não é diferente
do que foi falado, possui alguns bons longa-metragens, mas é um tanto
questionável em diversas nomeações.

Encontramos “Brooklin” e “Ponte de Espiões” como
melhor filme. Sobre o segundo, é possível extrair alguns aceitáveis aspectos –
direção de arte e ator coadjuvante -, mas é nítido que a nomeação partiu pela
direção ser assinada por Steven Spielberg, queridinho da academia. O pior é que
o erro já havia sido cometido quando “Cavalo de Guerra” fora indicado na mesma
categoria. Quanto ao primeiro, é quase um insulto o longa-metragem ser indicado
a um prêmio que possui em seu nome a palavra “melhor”. “Brooklin” estava mais
para a Framboesa de Ouro devido a sua composição fraquíssima em diversas
camadas, desde a atuação da menina (também indicada ao Oscar sem motivo) a um
roteiro (igualmente indicado e sem motivo) terrível. Bem, há outras indicações
sem cabimento, como Matt Damon em melhor ator ou “Spotlight” em melhor edição,
mas estas menos gritantes que as citadas.
Agora, sobre os vencedores das premiações, algumas
já eram bastante óbvias, como Brie Larson e Leonardo Di Caprio, em que ambos
mereceram dentre os indicados em suas respectivas categorias, principalmente a
atriz. Digo dentro de suas categorias por haver outros atores e atrizes que
mereciam estar no Oscar, mas foram esquecidos. Em roteiro adaptado, já era
previsível “A Grande Aposta” abocanhar a estatueta, assim como “Spotlight” em
roteiro original, não por serem grandiosos, mas por serem os mais badalados
pela Academia nessas questões.
A disputa entre as atrizes coadjuvantes foi boa em
dois sentidos (qualidade e imprevisibilidade), então a vitória de Alicia Vikander
acabou como uma boa escolha. Em melhor ator coadjuvante, Idris Elba foi um caso
absurdo por não estar indicado, e Stallone, surpresa, perdeu para Mark
Rylance, que carregou o filme que representou nas costas. A melhor direção foi
para Iñarritu pelo segundo ano seguido, sendo o terceiro mexicano nos últimos
três anos. O prêmio foi coerente, ainda que George Miller fosse também um grande
merecedor. Por último, o melhor filme, de forma bizarra foi para “Spotlight”, sendo
que só ganhara na categoria de roteiro original antes dessa. A estranheza foi
muito grande pela razão de “O Regresso” ter vencido melhor direção, ator e
fotografia, fora que “Mad Max” – o grande vencedor da noite na minha opinião – havia
abocanhado seis estatuetas. Na verdade, a parte mais esperada da noite foi o
Oscar para Leonardo Di Caprio, apagando um pouco o absurdo da vitória do filme
sobre as denúncias de pedofilia acerca dos padres católicos.
Para não ser injusto, preciso deixar bastante claro
que tiveram filmes bons representando a premiação, o que incomoda são as obras
baixíssimas em qualidade fazendo parte da noite de gala do cinema. De acordo
com o que foi visto na noite do dia vinte e oito, portanto, e não só isso,
desde o momento que saíram os indicados, faço uma grande aposta de que haverá
um regresso com o passar dos anos. Não digo isso por conta da qualidade do
cinema abaixar futuramente, mas por alguns fatores políticos e econômicos que
fazem desse prêmio, tão tradicional e popular, uma enorme piada por alguns dos
seus representantes. O Oscar é a premiação mais popular, mas longe de ser a
principal no meio cinematográfico, e muito disso se deve aos altos e baixos.Notas dos membros do Cineplot para a categoria “Melhor Filme”:

P= Philippe Torres; L= Leonardo Carvalho; F= Fernando Boechat

1° – Mad Max: Estrada da Fúria. P= 8,5; L= 7; F= 7,5. Média Final: 7,7
2° – O Quarto de Jack. P= 8 ; L= 8; F= 7. Média Final: 7,7
3° – O Regresso. P= 6,5 ; L= 8 ; F= 7 . Média Final: 7,2
4° – A Grande Aposta. P= 7 ; L= 7 ; F= 6,5 . Média Final: 6,8
5° – Spotlight. P= 5 ; L= 7; F= 7. Média Final: 6,3
6° – Perdido em Marte. P= 6; L= 6; F= 6. Média Final: 6
7° – Ponte dos Espiões. P= 3,5; L= 5; F= 5. Média Final: 4,5
8° – Brooklyn. P= 4,5; L= 4; F= 4. Média Final: 4,2

Um comentário em “Impressões do Oscar 2016 :O Regresso como A Grande Aposta

  • 29 de fevereiro de 2016 em 19:00
    Permalink

    Concordo plenamente. Vários filmes esquecíveis, fracos e superestimados foram levados a uma cerimonia que deveria ser destinada aos melhores. Filmes como Brooklyn e Ponte dos Espiões saem do Oscar direto pra Sessão da Tarde.

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