15 Filmes sobre Deleuze e o Pensamento Nômade

Por Fernando Boechat

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É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.

Bem, algo nômade é algo que transita, não tem habitação fixa. O pensamento nômade é, portanto, um pensamento que não parte de premissas pré-estabelecidas para se desenvolver. Para entender o que é o pensamento nômade é necessário primeiro entender o que é o pensamento clássico e como e porque o primeiro se afasta do segundo.

Como historiador da filosofia, Deleuze se debruçou tanto sobre a história do pensamento filosófico como sobre a história do pensamento para além da filosofia, já que esta com certeza influenciou a própria noção do que seria o pensamento.

Por mais que existam pensadores nômades na filosofia — Nietzsche um dos principais, com Deleuze e Foucault dando continuidade em alguns pontos – o campo que parece mais adequado para este tipo de pensamento é a arte, por suas possibilidades mais abertas. Se alguns, como Bataille, alcançaram a transgressão de forma poética, outros, como Pasolini, também o fizeram.

O pensamento vem sido caracterizado desde Sócrates e Platão como tendo três atributos principais: 1) “Tem uma boa natureza e uma boa vontade. Goza de uma natureza que tende à verdade e é buscada pelos sujeitos de ‘boa vontade’”; 2) Existem forças avessas ao pensamento. Seriam as forças do corpo e das paixões que fazem tomar o falso pelo verdadeiro; 3) Necessitamos de um método rigoroso para apreensão da verdade plena.

Esse modo clássico atribui ao pensamento uma verdade. O pensamento seria, então, uma forma de alcançar a verdade, verdade essa que já é intrínseca às coisas. E se é possível chegar à verdade das coisas pelo pensamento, é porque elas alcançam sua realidade absoluta em outro campo, além do material, o metafísico, do qual o pensamento se aproxima por seu caráter imaterial.

O pensamento clássico possui características que nos afastam do pensamento nômade. Fiquemos com algumas ao menos, a saber, esse último não crê em verdades absolutas, parte do perspectivismo: uma mesma coisa pode ser apreendida de diversas formas por diversas pessoas e por diversos motivos, cada ponto de observação e cada subjetividade terá uma apreensão diferenciada ao encontro do mesmo fenômeno.

Enquanto o pensamento clássico, platônico, pretende a mortificação do corpo para uma apreensão mais pura da verdade, o pensamento nômade encontra no corpo um espaço de resistência aos dispositivos de poder (entramos aqui mais propriamente em Foucault). Se o poder age sobre o corpo, interditando a sexualidade e comportamentos desviantes, é pelo corpo que o pensamento nômade irá ter um de seus campos de resistência.

Cabe concluir que o pensamento nômade não é um pensamento metafísico, na realidade, ele, assim como o discurso, é também uma prática. Parte da matéria para depois ir para o pensamento. É só através de um choque com a realidade que o pensamento é ativado em busca de alguma verdade (nunca absoluta).

Para Deleuze, “O que define o pensamento, as três grandes formas do pensamento, a arte, a ciência e a filosofia, é sempre enfrentar o caos, traçar um plano, esboçar um plano sobre o caos.” (2000, p. 252)

Isso, se não chega a esclarecer o inesgotável tema que é o pensamento nômade, ao menos aponta para suas características anárquicas e antidogmáticas. Este, mobiliza através de seu pensamento novas formas de existência, singulares, que não se encaixam em quaisquer categorias pré-estabelecidas, sendo a própria categorização um modo de querer enquadrar essa singularidade em um papel pré-estabelecido, da qual ele, em sua natureza transgressora, não pertence.

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Filmes sobre Deleuze e o Pensamento Nômade

 

 O abismo de um sonho
 

 O Abismo de um sonho

Direção: Federico Fellini

País: Itália

Sinopse:

Um casal recém-casado chega a Roma para a lua-de-mel. O marido, Ivan, tem um tio muito influente na cidade, e conseguiu para os dois uma audiência com o Papa, além de ter vários planos turísticos programados. Porém, sua jovem esposa aproveita um momento de descanso para ir a uma produtora de fotonovelas entregar um presente para seu herói predileto, o Sheik Branco, que então a convida para ir ao set de filmagens, fora da cidade. Enquanto isso, Ivan descobre que a mulher sumiu, e têm de inventar algo para que sua família não perceba.

 

O Decameron

 O Decamerão

 

Direção: Pier Paolo Pasolini

País: Itália

Sinopse:

Baseado nos eternos clássicos de Boccaccio – e o primeiro filme da Trilogia da Vida de Pasolini – Decameron é uma “irreverente travessura” (Variety), “positivamente triunfante em sua malícia” (Films and Filming)! Freiras devassas que realizam “milagres” sexuais, uma esposa traiçoeira com habilidade para negócios, um artista tuberculoso à beira da morte que tenta trapacear com o Céu, jovens amantes apanhados com as calças na mão, um criado que perde a cabeça por amor e um simplório fazendeiro que tenta transformar sua esposa numa égua. Estas são apenas algumas das histórias que Pasolini traz à vida com maestria!

 

Meu Winnipeg

 My Winnipeg

 

Direção: Guy Maddin

País: Canadá

Sinopse:

A natureza da memória como local de nascimento e o entendimento das mitologias pessoais. Tanto uma reflexão mística como uma história pessoal, crônica de uma cidade e fantasia proletária pós-freudiana desordenada, Meu Winnipeg mistura mito local com trauma de infância. Tudo narrado pela energia inspirada e normalmente divertida de Maddin. “Encante-me com seu jeito pessoal” foi o pedido do produtor executivo Michael Burns, e a deixa para Maddin explorar o encanto de sua cidade natal. Misturando animação, arquivos de registros e reconstituições, o diretor criou uma extraordinária homenagem visual com a marca do seu estilo original.

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Um comentário em “15 Filmes sobre Deleuze e o Pensamento Nômade

  • 16 de maio de 2016 em 21:26
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    Gostei muito da lista vou pesquisar mais, só vi o Big lebowski e Monty Phyton.

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