Crítica: Deadpool

Por Leonardo CarvalhoEstados Unidos – 2016

Direção: Tim Miller
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, Ed Skrein. 

 

O “Birdman” dos
super-heróis, esse pode ser um resumo competente de “Deadpool”, um dos grandes blockbusters esperados de 2016. Sátira,
explosão, história de amor, sátira à história de amor, heróis e vilões, sátira
aos heróis e vilões, entre outros, compõem o longa-metragem estrelado por Ryan
Reynolds.

Falando no astro de “Lanterna
Verde” e o próprio Deadpool (Deadpool?) de “X-Men Origens: Wolverine” – ambos não
escaparam do deboche pelas péssimas qualidades -, ele está muito bem no filme,
quem sabe a melhor atuação de sua carreira. Reynolds sempre foi visto com certo
potencial para certos papeis, mas nunca bem aproveitado por equipes fracas ou
escolhas do próprio ator que não deram certo, como o herói verde da DC citado
acima. Não podemos afirmar “brilhante”, mas sua representação está no mínimo “ótima”.
Sendo mais justo, todo o elenco está bem, inclusive a pouco explorada Ripley de
“Alien 3”, ou melhor, a Míssil dos X-Men, interpretada por Brianna Hildebrand.
O personagem que teve a
sua origem como uma paródia ao Exterminador da DC Comics parece estar tendo
mais sucesso do que o próprio parodiado, mais antigo e na época mais conhecido.
Como o próprio mercenário tagarela diz, ser super-herói tem suas vantagens, e
uma delas é ganhar uma franquia de filmes, algo que não aconteceu com Slade
Wilson, o Exterminador, que apenas fez aparições em episódios de “Arrow”.
A origem de Wade Wilson
(não confunda com Slade Wilson) é mostrada no filme. Essa origem é vista
através de cenas intercaladas com o tempo da história atual da narrativa, isto
é, o tempo presente da vida de Wilson. A alternância entre o tempo atual e os flashbacks dá certo para que ambos
fiquem com bastante dinâmica, ou melhor, para que não carreguem um clima
monótono e a obra ganhe um ritmo interessante: as cenas atuais representam mais
ação, enquanto o passado do personagem contém cenas mais calmas, de bastante
diálogo.
Os diálogos estão muito bem compostos,
mas é preciso fazer algumas observações. Primeiro, quando a origem de Wade é mostrada,
bem no começo, há um excesso de explicações do personagem acerca dos seus
assassinatos por encomenda, há umas três repetições que o espectador responde à
tela: já entendemos. Em segundo lugar, existe um grande número de falas ao
longo da duração, muito ao contrário do que se pensa sobre cinema, é verdade,
mas atualmente os filmes se tornaram muito comerciais, puro entretenimento,
portanto, de acordo com a finalidade, é aceitável. Em terceiro lugar, finalmente,
completando o que foi dito no “segundo lugar”, os diálogos não prejudicam a
obra em momento algum, pois são bem construídos e afiadíssimos no humor-negro e
ironia.
As piadas são muito afiadas, coletando
algumas referências à cultura popular, como “127 Horas”, “Busca Implacável”,
além de “Alien 3” e filmes de super-heróis como foi falado acima. Essas piadas não
estariam tão boas se não fosse o bom roteiro, que consegue estruturar bem a
narrativa (as alternâncias faladas anteriormente), traz boas viradas e até interrupções,
à lá Woody Allen ou “House of Cards”, exatamente como o personagem faz nas histórias em
quadrinhos, em que conversa com o espectador, vai muito além da imagem, convidando
o público a entrar na trama, um aspecto muito positivo ao humor e ao
entretenimento. Outro elemento do roteiro que deve ser discutido é a criação dos personagens quanto à narrativa em dois casos: o bom levantamento de uma mulher cega, debochada o tempo todo por Wade, a qual serve apenas como uma carga de risadas; e no carimbo de um bom vilão, de força física e psicológica, mas que poderia ser mais bem trabalhado – visualmente – para causar mais impacto.
Como “Birdman”, “Deadpool” é um filme
hipócrita. Enquanto o primeiro debocha de aspectos hollywoodianos enquanto os
aproveita, o segundo debocha bastante dos romances e dos super-heróis, mas os
encaixa durante todas as cenas praticamente, afinal, é um filme de super-herói –
de acordo com o próprio personagem, ele não é um super-herói, é bom deixar isso
claro. Essa hipocrisia, entretanto, funciona com o objetivo, até porque se
trata de uma figrua irônica o tempo inteiro.
A direção de Tim Miller é muito boa,
ensaiando bem todo o humor da obra casando com as boas cenas de ação em bons
enquadramentos. Não só isso, mas esses estão apoiados também nos ótimos efeitos
visuais, maquiagem e figurino, que juntos também concedem os trechos de comédia
e intensidade. Nos efeitos destaque para as explosões ou a carcaça de Colossus,
um bom personagem encaixado à trama, trazendo humor por ser muito debochado. A
maquiagem é excelente por adaptar bem o
Deadpool dos quadrinhos, embora a fidelidade à obra original não seja uma
positividade ao filme, mas do ponto de vista técnico, ela impressiona de
qualquer forma. Por último, o figurino, com cores vibrantes do traje, fora os
momentos que as roupas precisam transitar, como na parte em que Vanessa – a namoradinha
do protagonista – trabalha num bordel.
[Abre Spoiler] Encontramos amor para chamar atenção
de um público feminino e, como sempre, fazer justiça à jornada do herói, que
conquista a mocinha depois de tanto desconforto [Fecha Spoiler]. Os cartazes de divulgação
romântica não são meras publicidades, portanto, a namorada do fã de filmes de
super-herói não deve sair do cinema decepcionada, assim como o próprio fã de
filmes de super-herói, que acompanhou uma grande execução desconsertando o que
foi visto até agora no cinema: aquele discurso tradicional do heroísmo de
Capitão América ou Homem de Ferro, por exemplo. Não se esqueçam da cena pós-crédito, a mais competente de todos os filmes-série que relacionam a Marvel, talvez a única que preste.★★★★★★★½☆☆ – Nota 7,5

2 comentários em “Crítica: Deadpool

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