Crítica: Brooklin

Por Fernando BoechatDireção:
John Crowley
Elenco: Saoirse Ronan, Domhnall, Gleeson, Emory Cohen,
Julie Walters, Paulino Nunes, Jim Broadbent
País:
Canadá/Irlanda/Reino Unido

Estamos na Irlanda dos anos 50, nossa personagem Eilis Lacey (Saoirse Ronan) é uma jovem que trabalha meio turno aos domingos em uma padaria e mora com a mãe viúva e a irmã. Todos parecem bem conservadores e cristãos, como era de se esperar, e Ellis e sua família não fogem à regra. A protagonista é uma personagem como qualquer outra, não há nenhum traço específico que possa trazer algum interesse especial.

 

Nesse ambiente de recessão pós-guerra, sua mãe, preocupada com seu futuro, pede ajuda a um padre local, que de bom grado consegue uma oportunidade para que ela trabalhe no Brooklin, rota comum de imigração irlandesa na época.

 

A menina tímida e recatada deixará seu lar, um tanto a contragosto, deixando a irmã mais velha com a responsabilidade de cuidar de sua mãe. Sua angústia de ir para tão longe de casa é visível. Mesmo com sua vida pacata, tinha todos seus vínculos lá, sua melhor amiga (a típica menina bonita e popular) e sua família.

 

Passa a morar em uma pensão no Brooklin com mais algumas jovens um pouco mais velhas, dividindo o espaço também com a proprietária do imóvel, uma espécie de mãezona sexagenária e puritana que se esforça em moralizar as moças em nome de Cristo, mas que, mesmo assim, tem uma relação amigável com elas. Mostrar-se-á obediente e prestativa em seus afazeres, dentro e fora da pensão, passando a ser uma figura de confiança para os que são de sua convivência.

 

Passa seus dias chorando com saudades de casa até encontrar um jovem italiano após ir a um baile com suas colegas de pensão. Daí sua vida muda e a jovem tímida e insegura passa a ser uma mulher feliz e confiante. Como num passe de mágica, um relacionamento bem pouco elaborado em seu início de narrativa já lhe causa grandes transformações.

 

Esse é o primeiro ponto de virada do filme (segundo o famoso roteirista Syd Field, os bons roteiros possuem dois pontos de virada, será?) e poderia ser mais bem elaborado. Esse filme é uma adaptação de um romance Best-seller na Irlanda, não sei se tão água com açúcar quanto o filme, mas por ser um Best-seller podemos supor suas limitações.

 

O segundo ponto de virada é a morte inesperada de sua querida irmã, adorada por todos na região. Ela tira uma folga do trabalho e dos estudos e volta para Irlanda para reconfortar sua mãe e se relembrar dos vínculos que possui por lá. Ela parece bem pouco abalada com a morte da irmã, se porta e é vista pelos outros como uma mulher independente e cosmopolita e acaba gostando de um rapaz de seu círculo de amigos.

 

É nesse ponto que ela fica dividida entre levar uma vida pacata e bem remunerada em um escritório de contabilidade (disciplina que estava cursando com louvor em uma faculdade no Brooklin) em que sua irmã trabalhava, estando junto de sua mãe e de sua melhor amiga, assim como do novo romance que aparece inesperadamente em sua vida, ou voltar para o Brooklin e tentar a sorte com o rapaz humilde e apaixonado com que ela estava se envolvendo antes de regressar à Irlanda.

 

Uma das coisas mais decadentes do filme é como, em certo momento, a protagonista passa a encarnar o “american dream”, algo tão tacanho e retrógrado que me escapam palavras para descrever o fato. Li algumas críticas que assinalavam a “riqueza de detalhes que acentuavam o drama existencialista da escolha que a personagem viria tomar”, pura balela, não há profundidade alguma, salvo talvez o do sono, que alguns sábios telespectadores possam ter se permitido.

★★★★☆☆☆☆☆☆ – Nota: 4

 

One thought on “Crítica: Brooklin

  • 19 de agosto de 2016 at 09:35
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    Ela se casa com o namorado antes de voltar para a Irlanda pois ele tinha medo que ela não o amasse suficiente para voltar espontaneamente. O rapaz com que se envolve na Irlanda é uma recompensa que ela recebe por estar mais cosmopolita e segura de si, pois antes de ir para USA ele nunca teria se interessado por ela. Ela se porta de forma irresponsável, principalmente para os padrões da época e não conta para ninguém que é casada, até que a antiga patroa a confronta e ela decide voltar para o marido, trocando a possibilidade de uma vida cheia de glamour e conforto pelo marido simples que ela quase abandonou. A personagem vive na superfície de sua emoções o tempo todo, embora haja momentos de alegria e sofrimento não mostra sua natureza profunda.

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