Crítica: Amy

Por Leonardo CarvalhoEstados Unidos – 2015

Direção: Asif Kapadia
Elenco: Amy Winehouse, Tony Bennett, Peter Doherty

 

“Amy”, documentário indicado ao Oscar e um
dos favoritos à vitória, retrata a vida de uma das maiores cantoras dos últimos
anos, de uma voz que marcou sua geração, Amy Winehouse. O filme conta bem
pouco sobre sua vida durante a infância, ou melhor, fala pouco sobre sua vida
pessoal, pois o foco está voltado ao seu lado artístico e seus problemas com as
drogas.
A abertura representa os talentos de Amy, que
são enxergados por sua família, descobertos por gravadoras e testemunhados pelo
espectador através de vídeos com a jovem menina cantando muito antes de atingir
o estrelato. Depois disso, o documentário ganha um rumo sombrio, ilustrando
cenas com fotografias assustadoras, como uma de Amy em 2008 no seu apartamento
depois de estar drogada. Fica claro em boa parte da duração que o filme não a
idolatra, apenas admira o seu talento e reconhece seus erros, o que deixa tudo
em um ponto de vista neutro, ganhando mais interesse ainda do público.
É interessante notar que, em mais um documentário
sobre algum artista musical, os recortes da obra voltam-se bastante ao meio
jornalístico, com informações sobre os acontecimentos da época, principalmente
da música, e as influências da cantora em tudo isso. Esse tipo de recorte
carrega diversas fotografias, vídeos e áudios para enriquecerem o
longa-metragem como uma pequeníssima enciclopédia sobre Amy.
Em meio de tanta informação, é necessário que
haja uma bela organização para que o espectador não tenha confusão de algum
fato ou que nada seja repetido. Como um dos muitos pontos positivos, há essa bela
organização, devido a direção que sabe estruturar bem – início de carreira,
sucesso, complicações e mais sucesso, morte – e ilustrar o filme com
curiosidades, momentos engraçados, partes sérias, e, no melhor de tudo, com uma
sugestão de uma boa trilha musical e um movimento interessante nas imagens por
depoimentos – de diferentes personalidades -, apresentações, rascunhos com
letras das músicas, entre outros.

 

Em resumo, “Amy” é merecedor de sua vaga no
Oscar e de maneira justa venceu o Critic Choice Awards na categoria de melhor
documentário. Conhecemos mais sobre a curta carreira de uma artista que deveria
ser tratada como Ella Fitzgerald ou Billie Holiday, como disse Tony Bennett, conhecemos
mais de uma artista que entrou para o grupo dos mortos aos vinte e sete, como
Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, mas isso é outra discussão. 

★★★★☆

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