10 Filmes de Luis Buñuel que Você Precisa Assistir

Por Philippe Torres
 

Luis Buñuel foi um realizador de cinema espanhol, nacionalizado mexicano. Trabalhou com Salvador Dalí, de quem sofreu fortes influências na sua obra surrealista.
A obra cinematográfica de Buñuel, aclamada pela crítica mas sempre cercada por uma aura de escândalo, tornou-o um dos mais controversos cineastas do mundo, sempre fiel a si mesmo. Buñuel também influenciou fortemente a carreira do realizador conterrâneo Pedro Almodovar.
Luis Buñuel Portolés era filho de Leonardo Buñuel González, proprietário abastado que fizera fortuna em Cuba com um negócio de ferragens, e de María Portolés Cerezuela. Pouco depois, a família estabeleceu a sua residência em Saragoça, e só ia a Calanda durante a Semana Santa e nas férias de Verão. Luis era o mais velho de sete irmãos e irmãs, com quem teve uma infância feliz, saudável e despreocupada, em contacto com a rica natureza campestre da sua terra. Teve, desde cedo, uma grande sensibilidade em relação ao inusual e ao extraordinário, e facilmente se encantava com animais, plantas e fenómenos naturais, que observava atentamente, imbuído de uma religiosidade pagã. Foi também na infância que adquiriu um enorme fascínio pela morte, quando inadvertidamente, deparou com um burro putrefacto numa valeta.
Em 1908 viu o seu primeiro filme num cinema de Saragoça. Estudou num colégio de Jesuítas, cuja influência se faria sentir para o resto da sua vida. Com a adolescência, perdeu a fé, tornando-se anti-clerical e ateu, e, em 1915, foi expulso do colégio, tendo terminado os seus estudos secundários no Instituto de Saragoça.
Seus pais, ricos fazendeiros, lhe proporcionaram uma vida muito distanciada da realidade espanhola: estudos de música, verões em São Sebastião e Calanda. Estudou em Zaragoza em São Salvador e fez seus estudos universitários em Madri, na Residência dos Estudantes. Ali teve a oportunidade de embeber-se das correntes culturais e renovadoras do momento (o Jazz, o Darwinismo, o Comunismo…) e de conhecer Dali e Lorca. Licenciou-se em Filosofia e letras ainda que seu objetivo fosse escrever poesia.

 

Mudou-se para Paris, onde arranjou diversos trabalhos relacionados ao cinema, incluindo um emprego como assistente de Jean Epstein. Interessado pela obra de André Breton e o movimento surrealista, o incorporaran no cinema ao realizar sua obra-prima, “Um cão andaluz” (1928), em colaboração com Salvador Dalí. Em Paris também conheceu sua mulher, a ginasta Jeanne Rucar com quem viveu toda sua vida.
Ao regressar à Espanha não dirigiu nenhum filme, a não ser um documentário: “Terra sem pão” (Las Hurdes Tierra sin Pan, 1932), a cuja produção se dedicou.
Ao estourar a guerra civil na Espanha, emigrou aos Estados Unidos onde trabalhou no Museu de Arte Moderna como dublador para a Warner Bros. A oportunidade de dirigir de novo chegou no México. E ali, com 46 anos começou a realizar filmes de maneira estável pela primeira vez. Filma clássicos como “Os esquecidos” (Los olvidados, 1950), que lhe rendeu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes. O prestígio destes filmes lhe deu reconhecimento mundial e no início da década de 1960 o General Franco o convidou a voltar à Espanha. Aí filmou “Viridiana”, um manifesto anti-católico que acabou por ser proibido na Espanha acusado de blasfêmia, apesar de ter ganhado a Palma de Ouro também no Festival de Cannes. A partir de então as viagens à Espanha e à França foram constantes. Realizou seus últimos filmes, os mais conhecidos, na França, em colaboração com o produtor Serge Silberman e o escritor Jean-Claude Carrière, entre eles “O discreto charme da burguesia” (Le charme discret de la bourgeoisie, 1972) e “O fantasma da liberdade” (Le fantôme de la liberté, 1974). Faleceu na Cidade do México aos 83 anos de idade.
Fonte: Filmow

 

 
– O Cão Andaluz
 
Sonho? Realidade? Subconsciente? Uma aventura surrealista de Luis Buñuel e Salvador Dalí.

 

 

– Viridiana
 

 

 
Às vésperas de ser ordenada freira, Viridiana passa uns dias na mansão do seu pervertido tio, que, obcecado com sua beleza, tenta seduzi-la de todas as maneiras. Com a morte repentina do tio, desiste da vida religiosa, indo morar na mansão. Movida pelo espírito de caridade cristã, ela abriga e alimenta todos os mendigos da região. Porém, os miseráveis não se comportam do jeito que ela esperava.

 

 

– A Idade do Ouro
 

 

Primeiro longa-metragem do diretor Luis Buñuel, essa obra surrealista tenta passar o desconforto e o espanto com imagens cruas de morte, espancamento, fetichismo e, no final, um epílogo com um conto do Marquês de Sade.

 

 

– Os Esquecidos
 

 

Nos subúrbios da Cidade do México um grupo de jovens delinquentes passa os dias cometendo pequenos roubos. Um fugitivo de um reformatório, Jaibo (Roberto Cobo), por ser mais velho e experiente se torna o líder natural deles. Um dia, na companhia de Pedro (Alfonso Mejía), Jaibo se descontrola e espanca Julian (Javier Amézcua) até a morte, pois supostamente este o teria delatado. Pedro, que tem uma grande necessidade de carinho materno mas é ignorado por sua mãe (Estela Inda), carrega um sentimento de culpa por se considerar cúmplice de Jaibo, que se comporta como se nada tivesse acontecido. Jaibo ainda tenta seduzir a mãe de Pedro, que não lhe dá nenhuma abertura, fazendo com que o confronto entre Jaibo e Pedro seja algo inevitável.

 

 

– O Discreto Charme da Burguesia
 

 

Mistura de situações reais da história com os sonhos e devaneios dos personagens. O filme se passa numa tarde onde alguns amigos se encontram para jantar. Crítica às situações e a hipocrisia da vida social burguesa.

 

 

– O Anjo Exterminador
 

 

Após uma extravagante e farta refeição, os convidados se sentem estranhamente incapazes de deixar a sala de jantar e, nos dias que se seguem, pouco a pouco, caem as máscaras de civilização e virtude e o grupo passa a viver como animais.

 

 

– A Bela da Tarde
 

 

A história de Séverine (Catherine Deneuve), jovem rica e infeliz que procura um discreto bordel para realizar suas fantasias sexuais e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar.

 

 

– O Fantasma da Liberdade
 

 

Várias situações independentes se sucedem, num filme episódico, sempre ligadas por um dos personagens. Mais uma parceria de Luis Buñuel com o roteirista Jean-Claude Carrière. Trama surreal e livre, uma sátira onírica e nonsense, na qual o diretor apela para a total inversão de valores no ataque à religião, à pátria e à família. O humor é erótico e violento.

 

 

– Esse Obscuro Objeto do Desejo
 

 

Logo após Mathieu (Fernando Rey) entrar em um trem, ele joga um balde de água numa bela jovem que estava na plataforma, causando uma grande surpresa para os passageiros que ocupavam a mesma cabine de Mathieu. Ele resolve explicar para os outros passageiros a razão do seu ato e lhes conta que ficou bem obcecado por Conchita (Carole Bouquet), uma bela arrumadeira que parecia nunca ter trabalhado antes com as mãos. Começou então um jogo de gato e rato no qual Mathieu, um homem rico e sofisticado que está entrando na 3ª idade, tenta obsessivamente ganhar os afetos de uma jovem de 18 anos. Assim ela manipula o desejo carnal dele e cada um tenta ganhar absoluto controle sobre o outro.

 

 

– Tristana, Uma Paixão Mórbida
 

 

A jovem órfã Tristana é entregue aos cuidados do experiente Don Lope. O relacionamento da jovem com tutor vai se modificando até que os dois se tornam amantes. Tristana se torna amarga e cruel até que a chegada do jovem Horácio vem abalar o relacionamento dela com Don Lope.

2 thoughts on “10 Filmes de Luis Buñuel que Você Precisa Assistir

  • 23 de abril de 2016 at 14:06
    Permalink

    As indicações são excelentes! Grata. Porém, onde encontro os filmes para assistir, podem me orientar, por favor?
    Obrigada!

    Reply
    • 23 de abril de 2016 at 14:25
      Permalink

      Olá Juliana, alguns deles estão no catalogo da Netflix.

      Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *