Crítica: Spotlight

Por Leonardo CarvalhoEstados
Unidos – 2015

Direção:
Tom McCarthy
Elenco: Mark Ruffalo, Michael Keaton,
Rachel McAdams, Stanley Tucci, John Slattery, Liev Schreiber. 

 

Baseado numa história
real, “Spotlight” é composto por um elenco de estrelas em um suspense
pontual. Ainda, o filme tem três indicações ao Globo de Ouro (melhor filme,
melhor diretor e melhor roteiro) e é um dos favoritos a ser indicado em diversas
categorias do Oscar.

Um
grupo de jornalistas carregam o protagonismo da história numa agência de
comunicação que toma conta da maior parte do tempo do longa-metragem. Esse
protagonismo tem o ponto de partida através de um planejamento de um artigo –
com a reunião de milhares de documentos – como denúncia de abusos sexuais
pedófilos feitos por padres.
Na
introdução do filme, percebemos que existem aspectos que servem para ambientar
o espectador dentro daquele local jornalístico. Isso é percebido pelas
conversas bobas entre os membros do The Globe sobre beisebol, por exemplo. A
abertura do desenvolvimento representa o começo dos laços sendo amarrados para
a criação de uma investigação em cima dos pedófilos da igreja, continuando com
entrevistas a padres, advogados e vítimas. É curioso perceber o forte drama da
obra, tratado com bastante seriedade.

um equilíbrio muito grande entre o grande núcleo de personagens. Certas
figuras, como John Slattery – encarnando praticamente o Roger Sterling de
“Mad Men” – e Mark Ruffalo jogam para o lado do humor, já Rachel
MacAdams para a seriedade e foco, assim como Michael Keaton e Liev Schreiber.
Isso serve para que o espectador tenha uma maior identificação por um ou por
outro. Não há um personagem protagonista, podemos dizer que o principal agente
do filme é o grupo Spotlight – o campo da investigação.
Falando
ainda do elenco, a naturalidade ganha força em todos os atores, até mesmo do
elenco de apoio. Mérito, é claro, de uma direção competente que conseguiu
organizar bem todas essas peças em um belo ritmo e em planos competentes: em
depoimentos dos abusados sexualmente, como modelo, o diretor utiliza
enquadramentos bastante fechados para destacar o sentimento e atingir o
espectador, ainda mais que se trata de um assunto polêmico.
O
ritmo do filme é trabalhado através de dualidades. Enxergamos cenas muito
paradas durante as conversações, certamente para focar a imagem em expressões
sérias dos atores, além dos momentos em que eles tentam coletar informações
sobre o assunto, quando muitas vezes o humor é acionado devido às dificuldades
burocráticas enquanto se trata de informações negativas sobre a instituição
católica. Enxergamos, ainda, um ritmo mais agitado, nos enquadramentos que
captam a correria dos personagens e seus respectivos deslocamentos,
encontrando-se também nas movimentações da câmera, que seguem os personagens
geralmente caminhando ou correndo.
Finalizando
a parte técnica, encontramos uma estrutura bastante agradável, a qual vai
revelando segredos de forma gradual, funcionado de acordo com dois elementos: a
crescente problematização dos casos e a crescente problematização do
psicológico. O primeiro se refere simplesmente ao gigantismo do assunto, quando
descobre que, na verdade, o número de casos de pedofilia é muito maior do que
era imaginado. O segundo, não menos importante, está concentrado no desgaste
dos investigadores. Em uma cena, Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) joga o resto
de comida de um jantar no lixo enquanto justifica um olhar cansado e até mesmo
uma falta de apetite. Mais tarde, dois dos jornalistas, confirmam esse desgaste
quando dizem que não dormem bem há meses.

 

“Spotlight”,
portanto, é uma denúncia grave e um retrato de um importante momento sobre o
combate dos abusos sexuais em crianças feitos por padres. Não merece ser
vencedor do Oscar em categorias primárias, mas merece indicações pelo ótimo
trabalho de todas as camadas, principalmente quanto à montagem, cuidadosamente
organizada.

 

★★★★★★★★☆☆ – Nota: 8

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *