15 Filmes Sobre a Filosofia de Foucault

Por Philippe Leão
Twitter: @Cineplotoficial
Instagram: @Cineplotoficial
Facebook: www.facebook.com/cineplot
É importante, mesmo que já esteja implícito, que se diga: Os realizadores dos filmes não necessariamente leram o autor em questão, mas neles é possível perceber seus pensamentos.
Obviamente alguns dos filmes aqui listados foram feitos antes do pensamento Foucaultiano. Contudo, em nossa lista se encontrarão filmes em que é possível perceber sua filosofia.
Foucault, filosofo muito influenciado pelas obras de Nietzsche, nos fará pensar no homem quando se percebe como louco, quando se olha como doente, quando reflete sobre si mesmo como ser vivo, ser falante e ser trabalhador, quando se julga e se pune quando criminoso, e quando se reconhece como ser do desejo. Apesar de muito extensa e aparentemente desconexa, a  obra do autor liga-se em todos esses pontos.
Investigando a estrutura do pensar, Foucault dizia-se um arqueólogo do saber. Dessa forma, a verdade para este está relacionada ao seu tempo, mudando completamente a episteme científica. Até mesmo sua afirmação está vinculada a uma verdade da época, a teoria da relatividade acabara de ser explanada. Sendo assim, a ideia de que a ciência é uma escada evolutiva cai, dando lugar aos desvios.
A loucura não é um fato biológico, esta é um fato cultural. Ao dizer isso, a partir da sua episteme histórica, Foucault porá por terra a relação da loucura com a medicina. Pensando históricamente seria possível perceber que esta é produto de seu tempo, classificações, e apenas não consideramos a loucura de nosso tempo como tal por essa ser nossa verdade.
“Toda a história dos inícios da psiquiatria moderna se revela falseada por uma ilusão retroativa segundo a qual a loucura já estava dada p ainda que de maneira imperceptível – na natureza humana”
A loucura, então, não é algo da natureza ou uma doença, mas um fato cultural. A história da loucura, em suma, é a história da progressiva medicalização da loucura no pensamento ocidental.
A partir daí, o pensador trará a história da loucura em quatro momentos:
No primeiro momento, temos a Idade Média. Nessa época, o louco era tratado como um visionário. Até mesmo ao pensar a história de Jesus Cristo (sabemos que não se trata da Idade Média), homem que diz ser filho de deus, foi tratado como um profeta. Hoje, seria um louco, produto do tempo. O mesmo acontece com o filme “O Incrível Exercito de Brancaleone”, onde há um homem visionário, missionário que conclama os homens a ir a terra santa e matar os muçulmanos. Hoje, este não seria um visionário.
No segundo momento, o Renascimento. Aqui, a loucura é tratada como um saber exotérico, ou seja, um saber fechado que expõe a loucura da época. Não mais o louco é tratado como um visionário, mas sim guiado por sua natureza íntima, pela paixão. Dom Quixote é exemplo claro.
No terceiro momento, Idade Clássica. Iniciada pela filosofia moderna de Descartes, aqui, a loucura é aquela que nos levaria ao erro, uma desrazão. O louco agora é o portador da não verdade, o homem sem a razão, como opostos. A filosofia para de escutar o louco. O louco passa a ser internado institucionalmente. “Nesse período, a loucura, antes sacralizada, é reduzida a um escândalo, um crime. Eram considerados loucos os mendigos, desocupados, homossexuais, vagabundos, devassos, bêbados e tudo que se desviava da “normalidade clássica”. Os loucos, então, são banidos da vida pública. Encarcerados e torturados em hospícios. Curiosamente, essas instituições serviam como entretenimento. Milhares de pessoas visitavam os hospícios para entreter-se com o louco, como um zoológico, o olhar ao diferente.
O quarto momento inicia-se no século XVIII. Aqui o louco já não era visto como um criminoso. O confinamento destes como uma barbárie, mas a loucura como uma doença individual. Cria-se o mito do “homem normal”, anterior à doença, estando o louco distante da normalidade. A partir desse momento, os loucos foram colocados sob cuidados médicos. Ao invés das controladoras correntes de ferro, remédios, tão opressivos quanto. Com a psicanalise o Louco agora pode falar, ao contrário do período anterior, mas é tratado como objeto de estudo, não como um ser coberto de razão. O louco continua a ser vigiado e confinado pela razão. Os médicos, serão a autoridade que atua sobre os loucos, ditam o Poder da razão em confinar a loucura. “a linguagem da psiquiatria, que é um monólogo da razão sobre a loucura, só pôde estabelecer-se sobre um tal silêncio.”. Apesar da falsa e proposital ideia de que o louco passa a falar ao psicanalista, o que vemos é a razão exercendo poder sobre a loucura, como se a tudo que o louco estivesse falando houvesse o julgamento da razão. Um julgamento moral. Superar a autoridade psiquiátrica seria superar a razão. Para Foucault, apenas alguns artistas conseguiram tal feito.

Outro pensamento do autor está ligado a normatização. Para ele, na sociedade moderna, o domínio que exerce o poder não é a lei, mas sim a norma, produzindo condutas, gestos e o próprio indivíduo. Pergunta-se: O quanto sente-se oprimido pela lei? Por outro lado, quanto sente-se oprimido pela norma? Por ser julgado por atos anormais? Sendo assim, o poder tem por alvo a regulação da vida dos indivíduos através do poder disciplinar e biopolítico.Trata-se do poder disciplinar aquele que busca aumentar o efeito útil do tempo/trabalho. Agindo sobre o humano, este poder exerce a arte da distribuição espacial afim de receber melhores resultados, já que distribuídos os homens mais fácil o controle dos mesmos. O controle sobre o desenvolvimento da ação, não apenas do resultado, fato que está intimamente ligado a distribuição espacial. Vigilância constante que permitam o melhor aproveitamento do tempo útil e garantir a disciplina. O registro contínuo, para que todas as informações cheguem ao cume da pirâmide, aos olhos que tudo veem.
É mais comum pensar em tal normatização na vida trabalhista, mas ela está em todos os momentos do homem. Pense na distribuição espacial escolar, organizada como efeito de controle dos alunos: os corredores, o pátio, a sala de aula onde os alunos voltam-se enfileirados ao mestre de sala, hierarquicamente. Perceba que não apenas os resultados são controlados na escola, mas também o valor da ação, onde o melhor é premiado e o pior serve de chacota à normatização promovida pelos que não sentem ser também vítimas dela, os demais alunos. A vigilância é constante, promovida desde a sala de aula, pelo professor, ao topo da pirâmide, a direção, garantindo a disciplina. E o registro contínuo que garante todas as informações dos alunos. Foucault diria, então, que a escola funcionaria como o exército, hospitais e prisões, outros exemplos do pensador para explicar a temática. A esses poderes são chamados de “microfísica do poder”.

À normatização Foucault explicitará outro de seus temas, a história da punição. Dirá que antes do século XVIII o criminoso era punido em praça pública, aos olhos dos demais para que se obtivesse a disciplina. Após o século mencionado muda-se o modelo. O aprisionamento torna-se o método, o instrumento. Ao invés de esquartejar o corpo, este passa a ser objeto de controle da sociedade. O corpo passa a ser sujeito ao poder.

As penas passam a ser supostamente proporcionais aos atos criminosos, tornando-se “ato administrativo do Estado”. O direito de punir desloca-se da vingança do soberano à uma também suposta defesa da sociedade. Normatizando a ideia de humanização das penas.

Para nosso pensador em questão não trata-se de humanização, e sim uma estratégia de remanejamento do poder de punir a fim de aumentar seus efeitos, diminuindo seus custos econômicos e político, principalmente. O sistema penal que se forma é consequência da sociedade reguladora e disciplinada que estava começando a surgir. Sendo assim diria ele:

“Nossa sociedade não é de espetáculo (referindo-se a mudança na forma de punir e mudando o pensamento anterior, de Guy Debord), e sim de vigilância.”

Essa vigilância funcionaria como um panóptico, onde há a função de “induzir no detento um estado consciente e permanente de visibilidade que assegura o funcionamento automático do poder. Fazer com que a vigilância seja permanente em seus efeitos, mesmo se é descontínua em sua ação (…) o sucesso do poder disciplinar se deve sem dúvida ao uso de instrumentos simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e sua combinação com o exame.”. Em outras palavras, há sempre a impressão de vigilância sobre o vigiado, mesmo que não esteja sendo feita regularmente mas que, através da punição e normatização das condutas, cria a impressão de um suposto olho que tudo vê. Como se dentro de nós houvesse o ser vigilante, controlando-nos.

Ufa, vamos a lista !

Mas antes, da uma conferida no nosso canal no YouTube! 

 

Filmes Sobre a Filosofia de Foucault 
– Laranja Mecânica

Laranja Mecânica


Em uma desolada Inglaterra do futuro, a violência das gangues juvenis impera, provocando um clima de terror.
Alex (Malcolm McDowell) lidera uma das gangues e, após praticar vários crimes, é preso e submetido à reeducação pelo Estado, com base em uma técnica de reflexos condicionados.
Quando ele volta à sua vida em liberdade, é perseguido por aqueles que foram suas vítimas, Mr. Alexander (Patrick Magee) e sua esposa.



Direção: Stanley Kubrick
Ano: 1971
País: Reino Unido

 
– Um Estranho no Ninho

Um Estranho no Ninho

Randle Patrick McMurphy, um prisioneiro, simula estar insano para não trabalhar e vai para uma instituição para doentes mentais, onde estimula os internos a se revoltarem contra as rígidas normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched, mas ele não tem ideia do preço que irá pagar por desafiar uma clínica “especializada”.


Direção: Milos Forman
Ano: 1976
País: E.U.A

Continue na próxima página!

12 comentários em “15 Filmes Sobre a Filosofia de Foucault

    • 20 de dezembro de 2015 em 15:53
      Permalink

      Sempre vão faltar filmes nas listas, são sempre injustas.
      Contudo, nós no Cineplot temos a ética de jamais dizer que são os melhores filmes da temática abordada, sendo apenas boas indicações de qualidade artística. 🙂

      Resposta
  • 21 de dezembro de 2015 em 10:07
    Permalink

    òtima losta dos filmes. alguns que não vi, vou procurar.

    Resposta
  • 23 de dezembro de 2015 em 01:30
    Permalink

    Só para contribuir. O blog traz uma proposta muito importante, no entanto, na minha opinião, também é importante cuidar da forma do texto (revisão gramatical) para passar credibilidade. Notei que as referências só aparecem nas indicações dos filmes, mas o autor faz uso de citações diretas no início.

    Resposta
  • 16 de abril de 2016 em 22:51
    Permalink

    Muito interessante esta lista,Já assisti a alguns,pretendo assistir aos outros.

    Resposta
  • 9 de abril de 2017 em 15:24
    Permalink

    Acrescentaria Fuga de Alcatraz, Sociedade dos Poetas Mortos e Pescador de Ilusões

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *