Crítica: The Babadook

Por Philippe Leão

Filme: The Babadook

Direção: Jennifer Kent

País: Austrália

Ano: 2014
Elenco: Essie Davis; Noah Wiseman; Adam Morgan; Barbara West; Benjamin Winspear; Cathy Adamek; Craig Behenna; Daniel Henshall; Hayley McElhinney; Peta Shannon.

 

 Outubro é o mês do horror. Contudo, é verdade que o terror moderno vem passando por uma crise criativa jamais vista. A imensa imersão do gênero nos clichês de casas assombradas, viagens para o campo e possessões demoníacas tem transformado o terror em uma série de episódios de Supernatural. Também é verdade que Babadook possui alguns desses clichês, como o pobre cachorrinho desnecessário para a narrativa mas, devido a uma direção nada convencional nos últimos anos, passam despercebido.

O novo nasce do outro lado do mundo, Austrália, nas mãos de uma diretora realizando seu primeiro longa-metragem. Jennifer Kent apresenta um enorme conhecimento técnico no gênero, demonstrando um estudo da montagem de planos capaz de trazer a essência do medo que a muito não era experimentado: o não ver, o não mostrar, o obscuro e indecifrável.

O filme narra a história de uma mulher que, atormentada pela morte de seu marido em um acidente de carro no dia do nascimento de seu filho, luta para criar a criança dominada pelo medo de um monstro que estaria espreitando pela casa.

O longa inicia de maneira bastante eficaz ao mostrar o momento do acidente. Com praticamente um plano, o rosto da personagem de Essie Davis e algumas frases que mais tarde tomariam maiores efeitos. Não é mostrado muita coisa, mas a atmosfera é perturbadora, a montagem entre o rosto da atriz e ruídos sonoros criam tal ambiente. Logo somos introduzidos no que seria o presente, uma sequencia de planos muito bem montados demonstram o medo da criança. A mãe abre as portas do armário, olha debaixo da cama e faz tudo para mostrar a inexistência do monstro. Somado a isso, no momento de dormir, a mãe lê uma história para seu filho antes de dormir. Até que o menino pede para ler um curioso livro intitulado “Mister Babadook”. A história começa comum, como qualquer livro infantil seria, mas torna-se assustadora, apavorando a criança que entra em crise. Nesse momento, é apresentado ao espectador uma ameaça, o menino atormentado, agressivo e problemático. Contudo, a narrativa trataria de mudar o foco de tal elemento durante o segundo ato.

Aqui, como deve ser no Cinema, as imagens tem maior importância que diálogos para todos os elementos da película: construção do ambiente, apresentação da ameaça e, principalmente, na construção dos personagens. Diversas vezes vemos a personagem principal sentada a frente da televisão consumindo os mais diversos conteúdos. Em uma cena em especial é nos apresentado uma montagem bastante peculiar: Na televisão uma mulher incluída nos padrões de beleza morde um chocolate, logo após a personagem acabada, longe dos padrões morde o mesmo doce. A televisão é a válvula de escape desta.

A fotografia explode um azul marinho que, contraditoriamente, é claustrofóbico e perturbador. Tudo parece estar sempre no lugar, mas conscientemente sabemos que não e, no inconsciente da personagem principal reparamos o problema: o filme torna-se um grandioso Thriller Psicológico. O que seria Babadook? O medo do passado? O atormento da morte do marido? O desejo inconsciente da morte do filho? Um mecanismo Freudiano de defesa? Pouco se sabe sobre a ameaça. Não há palavras que expliquem. Se em algum momento as imagens o mostram, pouco a esclarecem. As perguntas nunca são respondidas, ficaremos longe da luz que supostamente revelaria. A questão trancada no porão da azulada casa, sendo constantemente alimentada na escuridão, onde vive a dúvida.

The Babadook está disponível no Netflix.

★★★★★★★★☆☆ – Nota: 8/10

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