Crítica: A Visita

Por Leonardo Carvalho
Estados Unidos – 2015
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Deanna Dunagan; Ed Oxenbould; Olivia DeJonge; Peter McRobbie; Benjamin Kanes; Brian Gildea; Erica Lynne Arden; Jon Douglas Rainey; Kathryn Hahn; Michael Mariano; Shelby Lackman. 

 

M. Night Shyamalan é conhecido por sua discrepância técnica em seus trabalhos. Em alguns casos, o diretor beirou a genialidade quando, com um bom roteiro, soube traduzir às imagens através de uma maestria para o suspense filmes como “O Sexto Sentido” e “A Vila”. Ao mesmo tempo que assinou a direção desses, o cineasta indiano não conseguiu ter o mesmo sucesso, com roteiros mais fracos, em “Sinais” e “Fim dos Tempos”, por exemplo.

Em “A Visita”, seu mais novo longa-metragem, Shyamalan não chegou próximo da genialidade e nem de um filme ruim, ficou no meio termo, na razoabilidade. O filme alterna entre o humor, suspense e terror com os dois personagens principais, Becca e Tyler, duas crianças que são mandadas para a casa dos avós por uma semana enquanto sua mãe faz uma viagem de cruzeiro. Chegando lá, são recebidos de maneira adorável pelos velhinhos, mas testemunham comportamentos estranhíssimos de ambos.
Para começar, as crianças não podem sair do quarto depois das nove. Isso faz com que, sem dúvidas, em crianças, a curiosidade seja despertada. Na mesma noite, um deles saem do quarto, e observa a senhora se contorcendo como se estivesse possuída. Na manhã seguinte, o avô conta que ela passa por problemas estomacais, e parece que os garotinhos se conformaram com essa explicação. Posteriormente, uma perseguição da moça sobre Tyler e Becca, como num pique-esconde, é feita de uma forma tensa aos personagens e ao espectador.
Há outros momentos bastante tensos, ainda mais com o passar dos dias dos meninos na casa dos avós. Em geral, o objetivo de Shyamalan é cumprido e mostra um suspense interessante ao lado de pequenos fragmentos que provocam o terror. É importante lembrar que a gravação é em found footage, em que se torna aceitável/crível pela razão de a garota querer ser uma cineasta, por isso filma tudo. O jogo de planos em primeira pessoa funciona bem, fazendo muitas referencias à “Atividade Paranormal”, como a câmera num ponto com vista aberta sobre a sala, ou as rápidas movimentações que acontecem quando a câmera está na mão.
O estilo de found footage já parecia estar esgotado, mas Shyamalan conseguiu pelo menos gravar de forma mediana, tudo isso porque também imprimiu seu estilo, não utilizou apenas o meio de filmagem para exercer determinada função de suspense. Traços já vistos em suas obras são encaixados na montagem, às vezes para servir como alívio, quando ele joga nas imagens galhos secos de uma árvore, em outro caso, ao colocar a lua em primeiro plano, prediz que a noite está chegando e com ela os comportamentos estranhos da velhinha, que sofre de uma síndrome.
O humor, assim como a imagem dos galhos, serve também para dar um alívio na história, o que prejudica um pouco o roteiro – manjado no cinema americano -, isso para não sobrecarregar a tensão. Tyler é um menino que adora rap e faz rimas o tempo todo, sempre jogando piadas sobre as situações em que está com medo ou quando algo chega ao limite. É engraçado? Às vezes, mas não havia necessidade disso.
Contrariando esse erro, Shyamalan acerta em alguns elementos visuais. A iluminação é boa, escura e precisa sobre o medo, nas cenas diurnas, os enquadramentos correspondem bem à claridade, não deixando com que a manhã quebre com o horror. Nas cenas noturnas internas, a casa está sempre iluminada por alguns fios de luz, muito visto “Os Outros”, e esse é um fator positivo. Em outros enquadramentos, a maior tirada do filme, quando a jovem faz uma filmagem com os avós, como um documentário, entrevistando os velhos, os senhores estão sentados numa cadeira de frente para a câmera, a mulher aparece com um penteado que lembra chifres, assim como o homem, mas sem penteado, com uma coloração preta em partes exatas que também lembram chifres. Intensificando isso, na entrevista da velha, há uma lareira atrás dela acessa com fogo.
O filme é curioso, mas quebra em alguns aspectos já falados acima, e em outros ainda não falados, como uma trama desnecessária sobre a relação das crianças com o pai, muito melodrama em uma narrativa já composta de terror, suspense e comédia. Sobre o final, há um grande problema depois de um grande acerto. O clímax é ótimo e surpreendente, tenso, misterioso e chocante, mas erra numa entrevista com a mãe na conclusão, um final horroroso, típico de obras hollywoodianas precárias, um final desnecessário como a trama do pai.★★★★★★½☆☆☆ – Nota: 6,5

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