Crítica: Para o Outro Lado

Por Fernando Boechat
Diretor: Kiyoshi Kurosawa
Elenco: Eri Fukatsu, Tadanobu Asano, Masaaki Akahori
Roteiro: Kiyoshi Kurosawa e
Takashi Ujita (baseado no romance de Kazumi Yumoto)

País: Japão e França

 

A vida de Mizuki (a protagonista do filme) parece se arrastar em tédio e solidão, com todos os dias iguais, alternando entre as aulas de piano para crianças e à volta para sua casa vazia.

Em um destes dias aparentemente normais de sua rotina, ela auxilia sua aluna com difuculdade de aprendizagem, mas frisando que ela deve seguir seu próprio ritmo.A mãe de sua aluna se aborrece com a falta de progresso da filha e aculpabiliza por seu método.

Já em casa, desanimada e só, recebe uma estanha visita. É seu marido Yusuke, que havia desaperecido por 3 anos e agora volta como espírito e lhe propõe uma viagem mostrando os lugares em que esteve o que fez nesses 3 anos em que estava morto. A partir deste momento é esse ritmo inteiror que antes havia orientado sua aluna a seguir, o próprio caminho que irá percorrer.

O filme se desenvolve em um tempo pessoal, subjetivo, quase atemporal, de maneira lenta mas poética, sendo necessário um longo treinamento de uma visão já acostumada a filmes de diretores como Rohmer, Bergman e Tarkovsky para que não se torne tedioso. Quanto menor a pressa no olhar mais proveito poderá se tirar do filme. Quanto ao último diretor mencionado, poderia se pensar haver alguma relação com Solaris, em que há uma projeção fantasmática de nossos desejos que surgem para nos atormentar, mas não é o caso.

Na verdade essa viagem com o espírito de seu marido se dá também como jornada interior e como resolução de velhos conflitos do passado tanto de Mizuki quanto de todos os outros envolvidos. Essa viagem afetiva filmada com longos planos-sequência e grande profundidade de campo demonstra a preocupação com a apreensão do real e com os eventos dos cotidiano, nos dando a ideia de que a vida é feita de pequenos momentos e que é neles que a vida alcança seu maior valor

Para poder passar “para o outro lado” a vida tem que dar passagem. Para isso é necessário a superação da dor por amores perdidos e de conflitos mal resolvidos. Se trata então de se reconciliar com o passado para poder seguir em frente em liberdade.

★★★★☆

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