Crítica: Capital Humano

Por Leonardo Carvalho

Itália
– 2014

Direção:
Paolo Virzì
Elenco:
Valeria Bruni Tedeschi, Valeria Golino, Fabrizio Bentivoglio.

Um
ciclista é atropelado durante a noite e o motorista que o atropelou não presta
socorro. Esse ciclista é levado para o hospital em estado grave e, enquanto
tenta se recuperar, a polícia procura os envolvidos no caso. Duas famílias que
são conhecidas naquela cidade têm alguns de seus membros entre os principais
suspeitos do acontecimento.

Esse
é o ponto de partida de “Capital Humano”, filme que a Itália tentou indicar ao
Oscar de 2015. A obra é dividida em quatro partes, mostrando a situação e o
ponto de vista de alguns personagens de acordo com o acontecimento. Isso faz
com que o roteiro fique organizado e, além disso, faz com que o espectador crie
uma expectativa para saber quem foi o causador do acidente e o que vai
acontecer com essa pessoa.
O
primeiro capítulo é a proximidade do narrador em relação a Dino, um homem
disposto a arriscar em um investimento ao lado de um arrogante milionário e um
pouco atrapalhado em seu pensamento – que lembra muito o personagem Lester da
série “Fargo”. O grande problema é que esse investimento não tem êxito, o que
deixa Dino com preocupações enormes, ainda mais quando sua filha Serena é
acusada de estar envolvida no acidente do ciclista.
O
terceiro capítulo fala de Serena, filha de Dino e namorada de Massimiliano –
filho do milionário arrogante e de Carla -, que também é acusado de estar
envolvido no acidente. Este capítulo é o que mostra a personagem de maior
sentimento em relação ao acontecimento, ainda mais que não só ela está
envolvida, mas o seu amante Luca, rapaz por quem ela possui um grande afeto.
O
segundo capítulo fala de Carla, mãe de Massimiliano que faz de tudo para salvar
o filho de qualquer acusação. Esse capítulo mostra também o lado de uma mulher
rica que recebe pouca atenção do marido e do filho. A fragilidade da mulher é
colocada na obra, um aspecto que influenciaria na vida de Dino mais para o
final do filme de maneira debochada.
Como
foi dito anteriormente, a divisão por capítulos que andam em direção ao mesmo
incidente descreve uma série de características dos personagens que aos poucos
se modificam em certos elementos, e faz com que o espectador seja um detetive
para tentar descobrir quem causou o acidente e por qual razão, além de deixar o
espectador tenso sobre os acontecimentos. O clímax é muito bom, que faz parte
do capítulo quatro chamado “Capital Humano”. Ele dialoga muito bem com todo o
suspense criado desde o começo da obra, marcado por uma trilha musical que quebra
o silêncio dominante. A utilização da câmera lenta em uma parte do clímax sobre
Serena é muito boa, já que a encenação dramática ganha ainda mais peso, isso
também se deve à boa mixagem de som, que reduz quase que por inteira a trilha sonora,
deixando apenas os ecos dos gritos na cena.
Na
conclusão, vemos além dessas cenas tensas, cenas irônicas, como Dino pedindo um
beijo para a Carla ao lado de tudo o que foi proposto. Na mesma cena, a ironia
aparece quando ele vai anotar o número da sua conta para a mulher, em que se
enrola para conseguir uma caneta, marcando o momento com humor. Por fim, depois
do encerramento da narrativa, apresenta-se uma legenda explicando o que é e
como funciona o capital humano, para mais uma vez, acionar o deboche.

“Capital
Humano” é mais um daqueles dramas voltados à investigação de um acidente que
estamos acostumados a assistir. Não teria forças para ser indicado ao Oscar
pela razão de os cinco indicados na categoria serem muito melhor, fora outros
concorrentes que nem entraram. Permito-me ser subjetivo para finalizar esta
análise: como espectador, adorei o filme, cheguei a roer as unhas de
nervosismo; como crítico, apenas gostei, por tudo o que foi dito nos parágrafos
acima, pude pensar como a obra é bacana, mas sem qualquer trabalho técnico
impecável.
★★★★★★★☆☆☆ – Nota: 7

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