Crítica: A Colina Escarlate

Por Leonardo CarvalhoEstados Unidos –
2015

Direção: Guillermo
del Toro
Elenco: Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Mia Wasikowska. 

 

A atenção que é chamada do filme começa já
pelo seu título, que com palavras bonitas e que possuem um bom ritmo silábico,
concedem uma bela sonoridade. O mesmo acontece com a sua introdução nos
seguintes aspectos: na direção de arte, em que deixa claro que a história se
passará numa época antiga, além do figurino que traz a mesma intenção ao lado
de uma elegância, assim como a trilha musical, a maquiagem e o cabelo.

É possível saber também que haverá terror, já que há uma
mulher em forma de espírito, muito bem construída por seus traços sombrios e
negros, diga-se de passagem que lembra o fantasma de “Mama”,
assombrando a vida de uma jovem menina.
Na história, uma jovem escritora é jogada aos encantos de
Thomas Sharpe, um misterioso rapaz cheio de charme. Caindo em seus braços, ela
se muda com ele para sua propriedade no alto de uma colina, uma enorme mansão
que fica longe de qualquer outra casa. O pior é a irmã de Thomas, Lucille, uma
mulher fria e com olhos de inveja pronta para atacar Edith a qualquer momento,
ainda mais que a história possui uma história sombria em seu passado.
A introdução é aguentável pelo motivo de estar
apresentando o enredo, mesmo sendo muito lenta. O grande problema disso tudo é
que posteriormente, no começo do desenvolvimento, não é possível encontrar
viradas que seduzam o espectador. A lentidão continua através de diálogos ao
excesso e uma montagem desengonçada, de cortes estranhos e uma fluência muito
mal trabalhada. A partir disso, a atenção que foi chamada, só volta a aparecer
no clímax.
Há muitos fatores prejudiciais ao longa-metragem que
devem ser falados nesta análise. Um deles é o pouco do clima de tensão criado.
Isso é muito mal organizado, pois vemos ao longo de todo o massante
desenvolvimento imagens claras e uma iluminação à lá filmes de
fantasia/aventura, que concedem apenas cores bonitas, mas nada no estilo
sombrio.
As atuações pálidas também não conseguem levar horror às
cenas, inclusive da antagonista Jessica Chastain, decepciona como em
“Mama”. Os planos, por exemplo, não funcionam bem com o medo. Não
existem muitas movimentações para causar suspense, os únicos enquadramentos
curiosos são os que mostram o corredor da mansão de maneira muito aberta, os
quais deixam o espectador inseguro sobre aquele ambiente. O mesmo problema está
na trilha musical, ela existe apenas para causar sentimentalismo como em
romances de época. Até mesmo o mistério sobre a fantasma é mal colocado, demora
para engrenar. Não é preciso existir uma receita para se fazer um bom terror,
mas não há uma coesão dos recursos expressivos para criar pelo menos surpresas,
muito menos um bom filme.
O que, de fato, salva a obra, o destaque com certeza, é o
clímax. Depois de muita enrolação e enjoo, há um momento que consegue prender a
atenção, que consegue atingir a proposta. Essa parte da estrutura é recheada de
cenas de agonia através de tomadas sobre perseguição em um local cheio de neve,
onde possui um contraste me cores com todo o sangue derramado em brigas entre a
protagonista e a antagonista, fazendo conjunto com a cor escarlate.
“A Colina Escarlate” é decepcionante em todos
esses sentidos e por causa da carreira anterior de sucesso do seu diretor. Del
Toro erra como em seu trabalho anterior – era como produtor – e em uma produção de alto orçamento desta vez, que chega
aos cinemas para impressionar quem procura bonitos figurinos e uma cenografia
de cores em destaque, mas para quem procura conteúdo em conexão com um bom
exercício de linguagem cinematográfica, deixará muito a desejar.
★★★½☆☆☆☆☆☆ – Nota: 3,5

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