Crítica: Pecados Antigos, Longas Sombras

Por Leonardo Carvalho
Espanha – 2015
Direção: Alberto Rodriguez
Elenco: Raúl Arevalo, Antonio de la Torre, Javier Gutiérrez,

Vencedor de inúmeros prêmios do Goya, principal premiação da Espanha,
“Pecados Antigos, Longas Sombras” chega com proposta policial
composto por um ótimo suspense. O filme é merecedor do reconhecimento por seu
ótimo trabalho técnico.

 

O longa-metragem tem em seu enredo dois policiais com ideias bem distintas que
são chamados para investigar um caso de duas meninas desaparecidas em um lugar
isolado dos centros urbanos. Isso acontece na década de 1980, quando a
tecnologia era bem menos avançada em recursos de investigação, ainda mais numa
cidade tão simples quanto a de onde a história é passada.
Já de começo, é possível perceber que a cidadezinha cria um ambiente de sujeira
e de isolamento. Sujeira pela razão de os enquadramentos captarem imagens de
locais sujos, e isolamento pelo silêncio, ainda mais nas cenas noturnas. Tudo
isso fica ainda mais misterioso e empolgante pelas investigações que ao longo
do desenvolvimento vão capturando pistas e o espectador acompanha como se fosse
mais um detetive. É possível perceber, em alguns momentos, uma atmosfera noir,
não pelas cenas se passarem na maior parte do tempo à noite, pois não se passam,
mas pelo belo jogo de luz e sombra utilizado pela fotografia.
Falando um pouco da parte técnica, a trilha sonora se apresenta muito bem,
desde as músicas feitas para carregar o suspense até os ruídos que têm o
objetivo de aproximar o espectador. O figurino e a direção de arte trabalham em
conjunto com o intuito de ambientar o espectador na época em que a história se
passa, além de cobrir os personagens de cenários e roupas que caracterizam
humildade e simplicidade, em sincronia com o local da história.
Sobre as cenas pesadas, não há muitas. A intensidade fica mais por conta mesmo
do suspense, mas o impacto de imagens aparece mais em fotografias que servem
como pistas para os policiais, e em algumas cenas como a descoberta de um corpo
boiando em um rio, logo no começo, e na conclusão, quando há um esfaqueamento
muito cru e próximo do real.
O clímax do filme é excelente. Depois de uma perseguição por carros (que serve
como ponte da situação-limite) muito bem conduzida pela direção, há uma
perseguição dentro de um rio pelos detetives sobre o criminoso, isso acontece
no meio de uma forte chuva que intensifica a tensão, além de se passar, mais
uma vez, em um local isolado, onde o medo impera pela razão de um grande espaço
estar descoberto, onde a qualquer momento pode surgir alguma pessoa ou até
mesmo tiros.
É indiscutível o trabalho técnico de “Pecados Antigos, Longas
Sombras”, que explora bem o drama vivido por uma população assombrada por
crimes e um suspense de primeira voltado à investigação. Essa mistura de
gêneros concede um dos grandes filmes europeus do ano e que com certeza ficará
marcado por sua identidade única, por seus traços técnicos formidáveis que vão
desde o som até a imagem.
Crítica pertencente a cobertura do Festival do Rio 2015

 

★★★★★★★★☆☆ – Nota: 8

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