Crítica: Mia Madre

Por Leonardo Carvalho
Itália – 2015
Direção: Nani Moretti
Elenco: Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini. 

Dirigido
por um dos mais importantes diretores italianos da atualidade, “Mia
Madre” é sensível e trata de maneira curiosa a metalinguagem. Poderia ser
um forte candidato entre os filmes italianos para concorrer uma vaga no Oscar,
mas não foi escolhido pelos representantes da seleção do cinema da Itália.

Moretti
mais uma vez emocionou Cannes. Depois de vencer a Palma de Ouro com “O
Quarto do Filho”, em 2001, o cineasta volta mais de dez anos depois com uma
proposta parecida, com uma obra triste e reflexiva sobre perdas.
Na
história, uma diretora de cinema perfeccionista – muito bem representada por
Margherita Buy, que leva naturalidade e firmeza à sua figura – precisa dividir
sua vida em duas: iniciar as filmagens de um longa-metragem com um astro
internacional e ajudar a sua mãe internada, assim como superar uma
recém-separação. A alternância entre os três momentos se dá num tipo de
estrutura que lembra um pouco a montagem paralela, mas diferente, pois não
existe um certo “enquanto isso”, já que a obra é totalmente lírica,
está sempre perto da personagem central.
Dentre
os três momentos apresentados o principal é sobre a perda da mãe. Mais uma vez
o diretor consegue acertar nos planos e na fluência para tratar sobre perdas e
concede às imagens um triste ambiente. Há também o momento em que a personagem
central precisa se relacionar sobre a perda de um relacionamento, sobre uma
recém-separação em que a filha está envolvida, já que a menina vive entre a
casa do pai e da mãe. Ainda, existe a parte em que o diretor trata sobre a
metalinguagem, isto é, trata do cinema sobre cinema, do código pelo código,
quando vemos a personagem protagonista nas filmagens do seu novo filme. Há dois
aspectos que devem ser destacados: o primeiro é sobre o assunto do filme que
está sendo trabalhado, que retrata a dificuldade encontrada na Itália atual,
sobre desemprego e demissões, servindo como pano de fundo para toda a
melancolia da obra; o outro é sobre o estresse como uma carga jogada em
Margherita, que vai crescendo conforme o passar dos minutos, tudo isso graças
ao estresse relacionado a esses três principais pontos mencionados neste
parágrafo.
A
obra consegue alternar muito bem com um ritmo bastante agradável, com a relação
de Margherita com a mãe e sua relação com o trabalho, sendo os que possuem mais
volume no filme. Esse mérito também deve ser concedido ao roteiro, trazendo uma
boa decupagem que, de fato, facilitou na composição da estrutura.
Vencedor do Prêmio Ecumênico em Cannes e indicado à
Palma de Ouro, “Mia Madre” é um belo filme, que não consegue ser tão
brilhante como “O Quarto do Filho”, mas mesmo assim é muito forte
durante todo o tempo. É reflexivo dentro de um ambiente familiar prestes a ter
uma perda importante, é reflexivo sobre uma causa natural, mas que ainda assim,
é difícil de ser superada.

Crítica pertencente a cobertura do Festival do Rio 2015
★★★★★★★½☆☆ – Nota: 7,5

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