Crítica: Stop!

Por Philippe Torres
Direção: Kim Ki Duk
Elenco: Tsubasa Nakae; Natsuko Hori

O cinema coreano, fatalmente, é um dos que mais crescem no mundo, talvez o melhor de hoje em uma análise mais generalizada. Parte dessa leva está o diretor Kim Ki duk, o qual muitos adoram odiar. Pois bem, aqui faz por merecer. Fato, seus filmes mais cultuados – Casa Vazia e Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera – são difíceis de serem superados, mas além destes o realizador já havia trago diversos outros ótimos filmes – O Arco, Moebius e Time – e outros muitos regulares como seu anterior, Dente por Dente. Nenhum, contudo, é um desastre como “Stop!”. Aliás, fica aqui meu apelo, em nome do cinema e toda capacidade que lhe convém, Pare, volte ao cinema do silêncio, ou até mesmo a violência poética.
O filme inicia introduzindo-nos no contexto geral. O terremoto de Fukushima. Logo percebe-se a falha da usina nuclear, fazendo com que os personagens sejam expostos a radiação. Evacuados da área, recebem um telefonema de um desconhecido propondo-lhes o aborto, pelo bem da nação e em memória de Chernobyl (?). O casal entra em crise, a questão do aborto é o conflito aparente daqui pra frente. A mulher deseja o aborto, um monstro estaria se desenvolvendo dentro dela. O homem não. Acredita que “o ser humano não pode ser tão frágil assim” (?) e “o que aconteceu em Chernobyl não vai acontecer no Japão, estamos protegidos” (?). Problemas a parte, ao menos um conflito havia se estabelecido. O homem misterioso revela-se. A mulher deseja o aborto, mas desconfia deste. Não realiza. E assim começa uma série de repetições narrativas extremamente cansativas que fazem um filme de 85 minutos parecer ter 185.
A mulher volta a querer o aborto, o homem a encarcera e promete voltar a Fukushima para provar que não há nada de errado lá (Ele vai e volta 3 vezes em menos de dez minutos de filme). Claro que há algo de errado, e quando o homem deseja abortar, ela não quer (?). A partir daí temos a máxima do filme – a máxima piadista, diga-se de passagem – “é tudo culpa da eletricidade”. Oi!? Sério? O filme deixa de lado sua narrativa em torno do aborto, o homem misterioso some, e torna-se uma saga de dois homens cortando fios pela cidade de Tóquio com diálogos extremamente repetitivos, moralistas e pouco naturais. Cortam de uma loja de jogos, do metro, se incomodam com o brilho da cidade, até que chegam ao supra sumo da piada narrativa, mas isso prefiro não escrever.
A loucura de Kim Ki Duk – porque fez isto? – não é apenas no roteiro, sua narrativa é extremamente amadora a medida que se utiliza de técnicas da mesma forma. Ao final do filme, nos créditos, repara-se uma equipe reduzidíssima. Entende-se – mas não compreende-se – as enormes falhas técnicas. Parece não haver um fotógrafo, continuísta, montador, diretor de som, nada, apenas Kim Ki Duk, onipotente, ou não.
A fotografia, como na maioria dos seus filmes, se utiliza de uma câmera digital que impõe crueza aos planos. Contudo, a aparente ausência do fotografo é evidente quando nos é apresentada uma imagem em que a exposição e foco são automáticos. Desproposital, chega a ser cômico quando determinados personagens se agacham e o ponto focal muda, automaticamente estourando ou escurecendo a imagem. O tempo inteiro!
A edição e mixagem de som parecem ter sido tiradas de um trash movie. Um personagem com som baixo, outro explode nossos ouvidos. Escutas de telefone parecem, magicamente, fazer sumir o barulho ambiente – fruto de uma péssima edição de som – Em uma cena de briga o barulho dos socos parecem mais o som de chicotes. Enfim, desastroso.

 

Espero, por fim, que Kim Ki Duk retorne ao seu cinema silencioso, filosófico e poético, esse é o diretor que espero, sua essência. Caso não, que venha a violência poética de Pietà, Time e Moebius. Jamais volte a fazer um filme como este, Stop.
Crítica pertencente a cobertura do Festival do Rio 2015
★☆☆☆☆☆☆☆☆☆ – Nota: 1/10

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