Crítica: Bata Antes de Entrar

Por Leonardo CarvalhoEstados Unidos –
2015

Direção: Eli Roth
Elenco: Keanu
Reeves, Lorenza Izzo, Ana de Armas, Aaron Burns. 

 

Um
plano geral apresenta onde se passará a história ao lado de uma trilha musical
dramática. Ao lado desses elementos, quando a câmera penetra na casa do
personagem principal, ela passeia pelos cômodos mostrando alguns objetos de
pertence, como obras de arte, e fotografias em quadros pendurados na parede,
parecido com o que Alfred Hitchcock fez em “Janela Indiscreta” para apresentar
alguns traços dos personagens rapidamente.
Até aí tudo bem,
temos um pequeno prólogo interessante, que consegue deixar o espectador ciente
de algumas informações. Os primeiros problemas começam a aparecer quando os
atores entram em cena, assim como os diálogos.
Na história, um
arquiteto bem-sucedido, casado e com dois filhos, terá um final de semana
sozinho pela frente por motivos de trabalho. Sua esposa e seus filhos vão à
parte litorânea passar o dia dos pais. Na introdução, vemos a relação
harmoniosa entre o homem e sua família – brincadeiras com os filhos e olhares
quentes, porém não atraentes, à sua cônjugue. Resumindo, Evan é o famoso
paizão.
Essa introdução é
muito prejudicial à alguns aspectos da obra. Em primeiro lugar, as atuações
beiram o medíocre, que é mantida até o final em relação a Keanu Reeves. Em
segunda lugar, não menos importante, os diálogos são chatos por não adicionarem
nenhuma informação fundamental à obra, muito pelo ao contrário, eles repetem,
mas desta vez na oralidade, o que foi mostrado na viagem da câmera pelos cômodos.
Após a família
sair, o filme cria uma expectativa de começo de terror quando há uma tempestade
– elemento muito utilizado para mostrar que problemas estão chegando – na noite
daquele dia. Sem demora, duas meninas batem à porta e interrompem o trabalho de
Evan. Elas se mostram cínicas e sedutoras aos olhos do narrador e aos olhos do
personagem, o que é positivo para a obra por provocar, minimamente, uma
identificação do público com a figura de Reeves.
A chegada delas,
de fato, é um sinal de que cenas tensas estão a chegar. Logo na abertura do
desenvolvimento, é possível encontrar uma delas, quando Evan vai buscar toalhas
para as meninas se secarem da chuva que pegaram. O movimento que a câmera faz,
sem cortes como pequenos planos-sequência, acompanhando o personagem, provoca
tensão nas suas viradas, pois ela contracena com o que não pode ser visto. Isso
acontece mais uma vez apenas, são os dois momentos de mais tensão e só. O resto
dos enquadramentos, de uma forma geral, são pálidos, ou seja, aparecem de maneira
que pouco expressam surpresa e suspense.
Há um tempo muito
longo em que as meninas ficam tentando seduzir Evan e o mesmo tenta fugir das
mãos de ambas. Isso faz com que, mais uma vez, a redundância volte, mas dessa
vez com esse tipo de ação, além de deixar o filme enjoado, ainda mais que o
público já imaginava o que aconteceria cedo ou tarde.
Depois ter traído
a sua esposa, Evan acorda com barulhos vindos da cozinha, com as meninas
zoneando todo o local com comidas. A partir disso, as cenas fortes começam
aparecer através da tortura psicológica que fazem com o homem. Essas cenas
estão relacionadas à chantagens, brincadeiras sarcásticas – o toque de Eli Roth
como em “O Albergue” – e agressões físicas. As cenas fortes, assim
como o suspense, aparecem pouco, são substituídas por falas desnecessárias, que
nem sempre funcionam como piada, e tentativas do rapaz para fugir das meninas,
que duram poucos segundos e isso se repete várias vezes, irritando a paciência
do espectador.
Até mesmo o clímax
é pouco interessante. Ele aciona uma música de explosão, que é exagerada, a
manutenção de planos pálidos e nenhuma virada. Para piorar, nesse ato, uma
brincadeira de esconde-esconde é o centro, mas não há mistério pela razão de já
sabermos onde Evan está escondido, e quando a câmera acompanha as idas das
meninas à procura dele, não há nenhuma tensão.
Eli Roth acerta em
poucos momentos e derrama o seu humor nessa obra precária, de muitos problemas.
O longa-metragem não consegue ser perturbador, como Michael Haneke conseguiu
fazer em “Jogos Perigosos”, como Gregory Wilson fez de maneira
simples em “A Vizinha”, obras com a mesma finalidade de loucura e
perversidade.★★★☆☆☆☆☆☆☆ – Nota: 3

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