Crítica: La Sapienza

Por Philippe Torres


Direção: Eugène Green
País: França; ItáliaElenco: Fabrizio Rongione; Christelle Prot; Ludovico Succio; Arianna Nastro; Hervé Compagne; Sabine Ponte; Gilles Tonnelé; Nathalie Chazeau; Irene Fittabile; Michele Franco; Jon Firman; Mario Bois; Clément Cogitore; Maria Chiara Malta; Sébastien Laudenbach; Elisabeth Pelon; Sébastien Borghi; Eugène Green.
 
 

O novo filme do diretor franco-americano Eugène Green, La Sapienza, traz a história de um arquiteto, Alexandre, muito bem sucedido em seu trabalho, mas que possui enormes problemas em se relacionar, sobretudo com sua companheira Alienor. Em uma de suas viagens conhecem um jovem que deseja o mesmo futuro, a partir desse momento, o arquiteto começa a conhecer a si, aprender com o garoto e mudar sua vida.

As imagens construídas na película trazem uma beleza fora do comum. Bastante pictórico, a estética fotográfica funciona como um cartão postal que, através da luz, traz contornos a arquitetura italiana. Tudo leva a luz, dialogando com a narrativa. A estética do belo é claramente apresentada a nós. Uma filosofia platônica é clara e evidente, como uma alegoria das cavernas. Alexandre está imerso na escuridão, imerso em dúvidas que se recusa a aceitar. A fotografia, assim, guia o personagem que está preso à caverna, guia-o a luz, às respostas. Como fundo a essa composição, a arquitetura renascentista expressa tudo aquilo que Alexandre busca. Em todo momento discursando sobre as características desta, percebemos a peculiaridade referente à luz que do teto surge em todas as construções, divina, reveladora e constante ao personagem confuso e cheio de dúvidas.

Os personagens de Green não dialogam entre si, discursam. Assim, as conversas parecem pouco naturais, mas não é incoerente com o tratado com o qual o filme propôs-se a assinar. A parla grega dos filósofos socráticos e uma ligação extrema ao renascimento. Percebemos, então, que mesmo sem falar em momento algum destes homens e momentos do passado, a película se aproveita, e muito bem, dos seus elementos.

No primeiro ato, percebe-se com grande clareza o incomodo da distância do casal, ampliado pela ausência de trilha sonora e ruídos ambientes. A técnica representativa do diálogo é de clara influência do mestre do cinema nipônico Yasujiro Ozu. Os personagens falam com a câmera, olhando diretamente para esta, impondo-nos a entrar no mundo, conversas e não-conversas da película.

La Sapienza utiliza-se de uma filosofia comum e até mesmo de fácil aderência aos olhos ocidentais. A busca pela luz e pelo profundo para a descoberta de si, tanto social como espiritualmente.  Torna-se então um filme onde a mensagem parece trazer algo novo, quando na verdade nada mais é que uma reprodução platônica, salva pela técnica eficaz utilizada pelo diretor. Um filme que se propõe navegar as águas mais profundas da consciência humana, mas que, conforme sua filosofia fica apenas na superfície: onde toda luminosidade das respostas podem chegar.

 

★★★★★½☆☆☆☆ – Nota: 5,5

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