Crítica: Nocaute

Pedro Gondim
Direção: Antonie Fuqua
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams,
Oona Laurence, 50 cent.

 

EUA

 

“Um
famoso lutador de boxe, após um terrível incidente, perde tudo que mais prezava
na vida e precisa dar a volta por cima e trilhar um novo caminho que o leve de
volta à glória e redenção.” É com esse argumento genérico que o filme “Nocaute”
dirigido por Antonie Fuqua (Dia de Treinamento e Rei Arthur) se apresenta para o
espectador.
Jake
Gyllenhaal interpreta Billy Hope, um boxeador americano de sucesso e prestígio
que, após um trágico acidente que ocasionou na morte de Maureen (Rachel
McAdams), sua esposa, chega ao fundo do poço e perde a guarda de sua filha
(Oona Laurence). Billy, então, deve se reerguer para conquistar a filha de
volta.
Logo
na primeira sequência do filme é passada uma ideia do que veremos no longa
pelos próximos 124 minutos. Hope aparece se preparando para entrar no ringue,
colocando protetores e suas luvas, nos transmitindo a clara mensagem de que uma
jornada com diversos confrontos estava por vir. Infelizmente, a maior luta
presente no filme é entre o roteiro e direção, que tenta salvar o filme do
completo Comum em que se encontra.
É
evidente que o ponto fraco do filme está no roteiro. Com uma trama clichê e sem
nenhuma originalidade, é possível observar a fragilidade estrutural da obra ao
notar-se, claramente, o estilo “Fieldiano”, que introduz seus pontos de virada
de forma quase “científica” sobre uma estrutura planejada e que corre o risco
de não convencer e envolver seus espectadores. Há cenas, até, em que olhamos
para o lado e nos perguntamos se “aquilo está mesmo acontecendo”, como, por
exemplo, na cena em que o lutador Miguel Escobar (Miguel Gómez) desafia Billy
para uma luta no meio de uma coletiva de imprensa.
O
trabalho da direção é preciso e válido. Seria justo destacar momentos em que o
diretor utilizou toda a sua capacidade para realizar uma obra que possa
entreter e, ao mesmo tempo, contemplar. Nas cenas do ringue, as câmeras rápidas
e com uma visão “televisionada” (com direito a locução de comentaristas), cria
um ritmo e tensão. Apesar de alguns erros de continuidade no primeiro ato, o
trabalho do diretor funciona. A direção do filme tenta, ao máximo, agregar
valor a um longa que, desde sua idealização, está fadado ao clichê e ao redutivo
destino que ele mesmo calcou.
Em
determinados momentos, o filme peca por “falar demais”. Após a morte de sua
esposa, sol aparece se pondo entre os arranha-céus de Nova York, alertando que
se tratava de um momento de escuridão em que o personagem viveria a partir
daquele ponto. No final do segundo ato, Hope aparece consertando uma lâmpada
que estava queimada. A escolha por fazer o personagem fazer a lâmpada voltar a
funcionar e fazê-lo comemorar, enfatizando o brilho da luz, se torna forçado e
tira qualquer tipo de simbolismo (mesmo que pequenos e sem grande grau de
originalidade) que possa enaltecer o filme. O mesmo acontece com a filha que,
após ser levada pelo serviço social, para de usar seus óculos verdes (cor que a
acompanha). Billy questiona a filha e, mais uma vez, peca por subestimar a
capacidade das pessoas em perceberem sutis detalhes na obra.
A
fotografia do longa é bem idealizada, estruturada e realizada. As sequências do
segundo ato são acompanhadas por sombras e por algumas cenas dessaturadas que funcionam.
O mesmo acontece com os momentos no ringue com suas cores vibrantes e a
atmosfera do “espetáculo” que se forma.
As
atuações foram bem construídas, com destaque, é claro, para o protagonista Jake
Gyllenhaal que nos apresenta um personagem completo, com detalhes importantes
que formam uma personalidade verossímil e convincente. Isso se aplica, em
escalas menores, para Rachel McAdams, Oona Laurence e, até, para 50 cent.
Na
luta para escapar da mediocridade, Nocaute se apresenta como um filme morno. Pode
até agradar, mas pouco convence.
★★★★★½☆☆☆☆ – Nota: 5,5

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