Crítica: Ricki and the Flash

Pedro
Gondim
Direção:
Jonathan Demme
Elenco: Meryl Streep, Audra McDonald, BenPlatt, Kevin
Kline, Mamie Gummer, Rick Springfield, Nick Westrate, Sebastian Stan
EUA

 

Há tempos se falava do novo
filme estrelado pela premiadíssima Meryl Streep. A expectativa era grande,
afinal, a atriz iria interpretar uma roqueira de meia idade e muitos já
consideravam ser um papel com potencial que renderia mais indicações e
premiações para seu currículo.
Para aumentar ainda mais a
ansiedade, o filme conta com a direção de Jonathan Demme (O Silêncio dos
Inocentes e Filadélfia) e roteiro de Diablo Cody (Juno). Com nomes de peso como
esses, fica até difícil de acreditar que o filme é uma decepção em diversos
sentidos.
O argumento soa simples. Uma
roqueira de meia-idade chamada Ricki (Meryl Streep) recebe a notícia que sua
filha Julie (Mamie Gummer) está com depressão após o término de seu casamento.
Ricki, então, tem que voltar e reencontrar a família que há anos abandonou para
seguir seu sonho de se tornar uma estrela do rock.
Uma das grandes
problemáticas do filme está no gerenciamento dos conflitos. O primeiro deles se
estabelece em torno da depressão da filha Julie, causada pela sua recente
separação e sua difícil relação com a mãe (é onde ocorrem os momentos mais
cômicos, mesmo que com alguns casos forçados). Ele se apresenta e se desenvolve
no primeiro e na metade do segundo ato do longa. Infelizmente, a depressão da
filha se torna, de uma hora para outra, coadjuvante na história, sendo
referenciada apenas em um breve momento do terceiro ato. O conflito que toma o
lugar do anterior é o conflito interno sofrido por Ricki que, ao cair no comum,
nos ofende por sua falta de originalidade, nos apresentando diálogos com: “Você
não acha que merece uma segunda chance?”.
O filme teria sido melhor
aproveitado se ao invés de manter as diversas apresentações musicais presentes
no longa (que pouco acrescentam a narrativa do filme) utilizassem seu tempo
para desenvolver o conflito ignorado da filha, aprofundar a relação de Ricki
com seu namorado Greg (Rick Springfield) e, principalmente, a relação da
personagem principal com a banda, que é totalmente ignorada ao longo de seus
mais de 110 minutos de duração, nos fazendo perguntar o porquê de “The Flash”
(nome da banda) estar no título do filme já que, em nenhum momento, há um real
propósito no longa, se não apenas apresentar Greg e enfeitar as cenas em que as
apresentações acontecem.
A direção, em muitos
momentos, evita o melodramático, o que conta a favor do filme. Os alívios
cômicos e momentos de drama são bem equilibrados não causando estranhamentos ou
exageros. A construção visual da personagem, apesar de um pouco caricata,
funciona bem e nos apresenta, em alguns momentos, certas contradições
interessantes, como, por exemplo, em seu trabalho como caixa de um
supermercado.
A performance de Meryl
Streep, que tanto me preocupava, foi contida e não trouxe uma visão caricata de
uma roqueira de meia-idade, o que ajuda a enaltecer, sem muito estardalhaço, o
desempenho da atriz. A presença e boa qualidade de atuação de Mamie Gummer deve
ser destacada com um ponto positivo do filme.

 

Ao sair da sala de cinema,
fica a dúvida de já termos visto tudo aquilo, pois se trata de um filme comum. Um
filme para se entreter, mas não para se apreciar.
★★★½☆☆☆☆☆ – Nota: 3,5

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