Crítica: Shaun, O Carneiro

Por Leonardo Carvalho
Reino
Unido – 2015
Direção:
Mark Burton, Richard Starzak.
Elenco:
Omid Djalili, Andy Nyman, Nick Park.

Mais uma animação em stop-motion feita em massinha chega aos cinemas. “Shaun, o
Carneiro” é dos mesmos criadores de “Wallace & Gromit” e
“A Fuga das Galinhas”,  e é baseado
numa série homônima.
O filme conta  história de um fazendeiro com
seus animais. Lá, ele vive uma vida rotineira e cansativa. Um belo dia, os
carneiros e ovelhas o põe para tirar um sono profundo para que pudessem tomar
um dia de folga. Fizeram isso com seus pulos, remetendo aos pulos dos carneiros
que as pessoas contam para sentirem sono. É aí que acontece a primeira grande
virada da história. O trailer que o fazendeiro estava dormindo sai do lugar em
que estava preso e o rapaz, depois de muito sufoco, sai do interior e chega ao
centro da cidade.
Chegando lá, o fazendeiro sofre um pequeno acidente
por um objeto despencar na sua cabeça e é diagnosticado, no hospital, com
amnésia. Enquanto isso, Shaun e seus amigos, junto com o cachorro de estimação
do fazendeiro, correm atrás dele para trazê-lo de volta. O que pode ser
observado a partir daí é a adaptação dos animais no meio do centro urbano. Não
podem entrar em lugares como hospitais, não podem nem andar como animais porque
o grande vilão da obra é um tipo de fiscal, que tem como objetivo tirar
qualquer tipo de animal das ruas. Em consequência disso, vão à loja de roupas
mais próxima, pegam chapéus, calças, perucas, camisas, tudo isso para disfarçarem
suas características animais.
Posteriormente, durante a aventura dos animais pelo
meio urbano em busca do rapaz, o fazendeiro vê, em um salão de beleza, uma
máquina de aparar cabelo e, lembrando de alguns momentos na fazenda através de
um insert, ele pega a máquina e faz
um corte no cabelo branco e alto – que mais parecia uma lã de ovelha – de um
homem. A cena é tensa e ótima, a câmera aproxima os planos dos personagens que
expressam espanto, mas para a supresa de todos, o homem do cabelo cortado, que
é uma celebridade local, adora o novo corte, que é espalhado por toda a região
por compartilhamentos de dispositivos móveis. A partir desse momento, o
fazendeiro vira o Mr. X, um famoso cabeleireiro (ou barbeiro).
Certo dia, as ovelhas e o cachorro entram no salão
de beleza para levar o fazendeiro de volta. O homem os expulsa, parecendo que
não lembrava de nenhum deles, o que causa outra virada na obra, a dos animais
largados e tristes no centro urbano. Só quando, em um terreno abandonado, os
animais fazem um coro de uma canção para o bebê carneiro, o homem escuta e
começa a cantar, lembra dos momentos. Depois disso, os carneiros utilizaram o
método de botar as pessoas para dormir, pulando um por um a cerca, fazendo com
que o fazendeiro dormisse e o capturaram com o intuito de voltar à fazenda.
Desse momento em diante, a obra se intensifica com uma cena de fuga dos
animais com o homem, além da perseguição do fiscal dos animais. Esse clímax se
desdobra até eles chegarem à fazenda e finalmente derrotarem, numa união dos
animais com o fazendeiro, o fiscal que os perseguiram, recuperando o
sossego.
Com alguns minutos de obra, é possível perceber que
o filme não é composto por falas. Os humanos e os animais se comunicam por uma
espécie de grunhido, em que o espectador não entende. Esse artifício é o grande
acerto da obra, que utiliza a maior proposta do cinema, entreter apenas com a
imagem, provocar emoções somente com a imagem. Muitos pontos positivos são
ganhos com esse silêncio, já que a fotografia traduz muito bem o sentimento dos
personagens, com a aproximação dos planos para expressar a emoção deles, os
planos abertos para ambientar o espectador – o mesmo papel da espetacular
direção de arte -, entre outros. A montagem também é outro fator que traduz o
roteiro à imagem sem precisar usar diálogos, já que dita o ritmo intenso e o
ritmo calmo nos momentos precisos, com ajuda, é claro, da trilha sonora – a
utilização do rock e do pop, que não só fazem parte da cultura inglesa, mas
ajudam na intensificação das cenas; o trabalho de efeitos sonoros e edição de
som também é ótimo, por exemplo, quando Shaun chega na cidade e escuta os
barulhos do cotidiano de uma metrópole que os assustam.
Por enquanto, Shaun
é, de longe, uma das melhores animações – ao lado de Divertidamente – e um dos melhores filmes do ano. Abusa do
conteúdo, utiliza referências aos Beatles e encanta com o trabalho técnico. É
uma obra leve e divertida, a qual encanta tanto o público comum quanto ao
público crítico, mas infelizmente não conseguirá alcançar de maneira extensa a
audiência infantil.
★★★★★★★★½☆ – Nota: 8,5

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