Crítica: Riscado

Por Philippe Torres
Crítica:
Riscado (2010)
Direção:
Gustavo Pizzi
País:
Brasil
Elenco:
Karine Teles; Camilo Pellegrini; Otávio Muller; Dany Roland; Gisele Fróes;
Lucas Gouvêa; Otto Jr.; Patricia Pinho; Danilo Watanabe.
Riscado
é uma homenagem ao cinema independente. Ao dizer tal afirmação, não há uma
relação de contos de fadas. O filme é devastador, assim como as dificuldades
encontradas por aqueles que se envolvem nesse mundo.
O
filme de Gustavo Pizzi conta a história de Bianca (Karine Teles), uma excelente
atriz que, porém, luta para conquistar seu espaço ao estrelato. Enquanto isso,
a moça faz bicos divulgando eventos vestida de divas do cinema para ganhar a
vida, repleta de problemas financeiros. Determinado momento, finalmente, Bianca
passa em um teste de uma produção internacional, a grande chance de sua
carreira.
A
metalinguagem proposta inseri uma introspecção na personagem principal. Com uma
atuação que ao mesmo tempo berra sentimentos, a atriz Karine Teles apresenta
uma contenção que demonstra toda sua capacidade realista, revivendo na memória
a personagem de Fellini em Noites de Cabíria, vivida por Giulietta Masina. Uma
surpresa enorme, afinal, trata-se de um filme independente com pouquíssima
verba contando uma história de uma atriz com os mesmos problemas. Aliás, é
interessante que a poética proposta relembra o movimento neorrealista italiano.
O filme imprimi realidades do cotidiano,
com algumas cenas que, inclusive, parecem inúteis à narrativa, mas que geram
justamente a naturalidade do dia-a-dia. Enquanto isso, a poética proposta eleva
os sentidos. Em alguns momentos, como uma quebra narrativa, o diretor utiliza
imagens que seriam gravadas por uma câmera de celular. A técnica, ajudada pela
trilha sonora, externaliza uma fantasia à imagem de maneira irônica, afinal, se
o filme representava uma realidade explícita, o que seria mais real que cenas
filmadas por uma câmera de celular? Mas o diretor consegue trazer o sentido
inverso.
A
fotografia, acompanhando o sentido proposto, não tem grandes alterações à sua
composição real, a não ser pela escolha de algumas cores em momentos pontuais.
Um exemplo claro é a sequência em que a personagem cantará parabéns a um senhor
em uma agência, o uso dos balões vermelhos encaixa-se perfeitamente a composição
do amarelo do vestido.
Como
a técnica cinematográfica caminha para a narrativa, é possível dizer que a
imagem é completamente influenciada pela montagem desta com a trilha, capaz de
induzir os sentimentos propostos sem tornar-se clichê e muito menos forçar os
sentidos.
Multipremiado,
o filme ganhou o prêmio de Melhor Atriz para Karine Teles no Festival do Rio e
o vencedor de 5 prêmios no festival de Gramado, tornando-o o vencedor da noite,
são eles: Melhor Filme; Melhor Diretor; Melhor Atriz; Melhor Roteiro, Melhor
Trilha. Dessa forma, para você que gosta de cinema nacional independente –
fugindo das comédias enlatadas – Riscado é uma pedida certa. Recomendado.★★★★★★★½☆☆ – Nota: 7,5

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