Crítica: O Último Cine Drive-in

Por Leonardo Carvalho
Brasil – 2015
Direção: Iberê
Carvalho

 

Elenco: Othon
Bastos, Breno Nina, Rita Assemany, Chico Sant’Anna, Fernanda Rocha.
Recentemente
vencedor de quatro prêmios no Festival de Gramado 2015 (Júri da Crítica, Ator,
Atriz Coadjuvante e Direção de Arte), além de ter sido nomeado a diversos
prêmios fora do país, “Último Cine Drive-in” é uma homenagem à história do
cinema e uma carta de amor aos pais.
Na trama, Marlombrando
precisa voltar a Brasília por causa de Fátima, sua mãe, que adquiriu uma grave
doença. Nessa volta, ele não reencontra apenas a sua mãe, mas seu pai, Almeida,
dono do Cine Drive-in, que não atrais mais os espectadores como nos anos 70, a
era dourada do Drive-in.
O
prólogo do filme já é marcado por momentos tensos, quando Marlombrando quer desesperadamente
ver sua mãe no hospital. Diálogos fortes marcam essa abertura, além da câmera
tremida, que concede tensão à cena. Logo depois, uma trilha musical formada por
uma bateria presente transforma a percepção da cena devido à sua melodia.
Depois da legenda
com a apresentação do nome do filme, Marlombrando está deitado no chão de um
estacionamento. Pela primeira vez vemos o Drive-in, esquecido, desgastado. O
silêncio, ou melhor, a captação dos ruídos pela trilha musical, diz muito sobre
a calmaria do lugar.
Os personagens aos
poucos vão sendo apresentados pelas suas características marcantes. Além de
serem muito bem construídos no roteiro, são personagens curiosos e divertidos,
o elenco merece um enorme mérito sobre eles. É difícil dizer quem é o melhor
dos atores, cada um deles com uma função específica: Breno Nina (vencedor de
melhor ator em Gramado), o Marlombrando, com a preocupação; Chico Sant’Anna, o
Zé, e Paula, vivida por Fernanda Rocha (vencedora de atriz coadjuvante em
Gramado), são os que carregam os diálogos mais voltados ao humor; já Almeida,
interpretado por Othon Bastos, oscila entre o estresse, já que o seu cinema
está à beira do desfecho, e as falas engraçadas. Todos correspondem muito bem
com a proposta, não é por menos que levou dois prêmios de atores em Gramado.
Conhecendo os
personagens, conhecemos seus objetivos. A finalidade de Marlombrando, quem
conduz o fio central da história, é fazer com que sua mãe doente, perto da
morte, assista a uma sessão no Drive-in, ou melhor, a última sessão do
Drive-in. Não só isso, ele gostaria de entregar esse presente de maneira
especial, com algumas reformas no local para lembrar os anos dourados.
Como foi dito
acima, o filme é uma homenagem ao cinema. Ela aparece nos pôsteres de filmes
clássicos como “Cinema Paradiso” – “O Último Cine Drive-in” é muito
inspirado na obra de Tornatore -, “Curtindo a Vida Adoidado”, “O
Poderoso Chefão” – que fica colado na parede do escritório do chefe -,
entre outras referências.
Outro modo que o
filme faz uma homenagem ao cinema é em sua estrutura. É possível encontrar
humor, drama e até suspense. O humor é destacado pelos diálogos, nas
interpretações e na trilha musical por pequenos solos em instrumentos de corda.
O drama aparece na doença de Fátima e nas interpretações nos momentos
dramáticos, nas viradas. O suspense, por fim, aparece no clímax, com um
conjunto de takes muito bem dirigido,
quando Fátima vai ser pega no hospital pelo seu filho, mas de maneira que
o hospital não possa saber da busca.
A direção de Iberê
Carvalho é muito boa, tem mérito em tudo o que foi dito anteriormente, consegue
acertar nas escolhas sem que os personagens sejam caricatos e a história caia
na redundância. Tudo isso, portanto, nos prova que, até o momento, “O
Último Cine Drive-in” é o melhor filme nacional do ano.
★★★★★★★★☆☆ – Nota: 8

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